Rodada da Euroliga começa com marcas históricas e Barcelona pressionado

Cinco jogos movimentaram – e muito – a 19a. rodada da fase regular da Euroliga nesta terça-feira. Kasan (RUS), Istambul (TUR), Kaunas (LTU), Vitória (ESP) e Atenas (GRE) receberam jogos que ficarão marcados na temporada para clubes e jogadores. Marcas pessoais quebradas, sequências históricas alcançadas, “zicas” afastadas e tudo mais. Nesta quarta, mais três jogos fecham uma rodada que teve como maior perdedor o Barcelona, do brasileiro Vitor Faverani.

Panathinaikos (6o. 11-8) 71 x 65 Barcelona (10o. 8-11)

O “jogo dos erros” em Atenas deixou o time catalão numa posição complicada em termos de classificação aos playoffs. Agora são duas vitórias a menos em relação ao Darussafaka (TUR), que ainda vai atuar na rodada. E olha que a sétima partida sem vitória fora do Palau Blaugrana poderia ter um final diferente para os Espanhóis. O Panathinaikos, do técnico Xavi Pascual (que reencontrou o ex-clube), venceu o jogo com um parco aproveitamento de 42,9% dos chutes de quadra (15/35) e (pasmem) 7 lances livres apenas convertidos em 15. Nos arremessos de longa distância, 11 em 30 (apenas quatro corretos no segundo tempo, em 17 chances). Ioannis Bourousis (ex-Real Madrid) foi o cara do jogo e pode ser o MVP da rodada, com um double-double (14pts, 11reb), três assistências e dois tocos (31 de valoração).

“Tivemos 12 posses de bola a mais do que eles a partir dos rebotes (31 vs 43), além de acertar mais lances livres, mais arremessos de três pontos e uma assistência a mais. Porém nós entregamos a bola a eles 21 vezes, essa foi a chave do jogo”, disse Georgios Bartzokas, técnico do Barça. Os verdes cometeram apenas sete turnovers no jogo. Foi uma grande chance perdida pelos espanhóis. Em mais uma boa atuação, o brasileiro Vitor Faverani (recém-contratado) jogou 23 minutos e conseguiu 10 pontos (só perdeu um arremesso) e seis rebotes, com 12 de valoração. Tyrese Rice foi o cestinha dos visitantes (12 pts).

Baskonia (7o. 11-8) 69 x 87 Estrela Vermelha (5o. 11-8)

Um duelo histórico na arena Fernando Buesa, no País Basco, uma fortaleza na qual quase ninguém consegue sair-se bem num jogo de basquete. Nos últimos 25 jogos (portanto nas duas últimas temporadas), apenas o Olympiacos conseguiu bater os mandantes. Ontem, porém, a sensação da Euroliga, Estrela Vermelha, conseguiu esse feito, chegando a histórica e inédita marca de seis triunfos consecutivos na competição. Mais uma vez, Marko Simonovic foi a estrela do jogo, igualando sua maior marca pessoal em pontuação (23), auxiliado pelo também sérvio Stefan Jovic, que anotou um double-double (18pts e 12ast), marca que não alcançava desde dezembro de 2015.

Usando o feitiço que normalmente é dos mandantes, o primeiro tempo do Estrela Vermelha foi arrasador em volume de jogo. Apenas cinco arremessos de quadra perdidos em 20 tentativas (75% de aproveitamento), cinco em 11 para três pontos, 13 assistências e apenas cinco turnovers. Depois do intervalo o clube sérvio apenas administrou para fazer história. O resultado mantém a equipe no quinto lugar, com a mesma campanha de Panathinaikos e do próprio Baskonia, superado agora no confronto direto. Para que você tenha uma ideia da importância de Simonovic para os vermelhos, o time venceu 10 em 13 jogos quando o camisa 19 conseguiu dois dígitos de pontuação (5-0 quando faz pelo menos 17 pontos).

Zalgiris Kaunas (12o. 7-12) 79 x 74 CSKA Moscou (1o. 14-5)

Antes de ler este resumo, assista ao vídeo acima e sinta o que significa o basquete nesta região do mundo. Um dos maiores clássicos do basquete “soviético”, rivalidade que vem desde os anos 40, encheu de emoção a Zalgirio Arena. Zalgiris e CSKA dividiram o domínio regional entre 1976 e 1987, conquistando juntos 10 títulos nacionais. Em realidades bem diferentes atualmente, mesmo jogando fora de casa, o atual campeão seria o favorito, certo? Errado. Um jogo nervoso (como tem que ser), com os russos controlando o jogo e vencendo por 57-65 até o início do último período, marcou o jogo mais eletrizante da rodada e uma daquelas vitórias que os lituanos vão se lembrar por muito tempo, quebrando um jejum de 17 anos sem bater os rivais)

Após a exclusão do técnico do Zalgiris, Sarunas Jasikevicius (sim, aquele campeão da Euroliga com Barcelona e Panathinaikos e com passagens por Indiana Pacers e Golden State Warriors, parou de jogar e virou professor), o drama do time verde-e-branco aumentou e a derrota (mais uma) seria iminente. Até que a fantástica torcida Zalioji Mirtis (Morte Verde) ligou o turbo em Paulius Jankunas e Kevin Pangos. Faltando 27.4 segundos pro final, o até então zerado Arturas Milaknis, acertou um “pombão” (como diria Cláudio Mortari) e colocou os donos da casa em vantagem (77-74). Nando DeColo (FRA) perdeu o arremesso de resposta e, na linha de lance livre, Pangos selou a vitória verde e decretou uma noite de muita festa para a apaixonada galera na Lituânia.

Em termos de classificação, nada mudou. O CSKA, de Milos Teodosic, segue líder, com 14 vitórias em 19 jogos, e o Zalgiris segue numa condição dramática em termos de classificação, com apenas sete triunfos no torneio. O brasileiro Augusto Lima (que disputou a Olimpíada do Rio com a Seleção Brasileira), ficou em quadra 24 minutos, marcando 12 pontos (seis acertos em sete arremessos para dois pontos), cinco rebotes, duas assistências e um toco.

Galatasaray (14o. 6-13) 102 x 63 Maccabi Tel-Aviv (15o. 6-13)

Outro clube que alcançou recordes nesta rodada da Euroliga foi o Galatasaray (TUR). Na Abdi Pecki Arena, em Istambul, os donos da casa conseguiram sua maior pontuação num jogo da Euroliga sem prorrogação. Também a vitória por maior margem e o maior número de assistências numa partida (29). A vítima foi o Maccabi, que não ameaçou em nenhum momento e sofreu também a sua pior derrota desde 1970. Sinan Guler foi responsável por 12 das 29 assistências do Gala na partida (maior marca da carreira). Adicione 22 pontos de Andrew Goudelock (EUA) e mais 21 de Jon Diebler (EUA) e você tem o que o narrador Maurício Bonato chamaria de um “espanco”.

O pivô alemão Tibor Pleiss (2.17m) já começou o jogo mostrando quem mandava em quadra, com um toco e uma ponte aérea seguida de enterrada. Só no primeiro tempo, foram 16 pontos do gigantão. Quando os israelenses conseguiram achar um caminho para marcar o jogo interior, no início do segundo quarto, chegou a artilharia de longa distância. Blake Schilb, Austin Day e Sinan Guler, além de Diebler (que arrematou três cestas de fora no período), levaram para o intervalo uma vantagem de 52-39 para os turcos. Colton Iverson, única esperança do Maccabi, morreu fisicamente após 24 minutos de quadra. A vantagem mandante no terceiro período subiu para 17 pontos (67-50). Para arrematar, Alex Tyus entrou em quadra no lugar de Pleiss e acabou com o serviço. Parcial de 30-11 no último quarto e o visitante perdendo o rumo de Tel-Aviv.

Unics Kazan (13o. 7-12) 81 x 86 Fenerbahçe (4o. 12-7)

O quarto colocado visitando o décimo terceiro. Em condições normais de temperatura e pressão, um jogo tranquilo para os visitantes. E, apesar da margem apertada no final, foi bem controlado. A estratégia de parar Keith Langford (EUA) deu certo no primeiro quarto e o gringo passou 10 minutos sem arremessar uma bola sequer. Jan Vesely (pivô da seleção do torneio), por sua vez, conseguiu 11 pontos, metade dos 22-15 contra os russos, na casa deles.

A má atuação de Keith Langford saltou aos olhos. A defesa turca limitou o cestinha da Euroliga a menos da metade de sua média (11 pontos, contra 22.83 por jogo). Sem o apoio da estrela, nem a boa partida de Art Parakhouski (BLR), com 21 pontos e nove rebote (seis ofensivos), foi o suficiente para o Unics, que já havia perdido o armador Quino Colom (ESP) por lesão antes do jogo. O Fener também tinha seu desfalque (e de peso), com a lesão do pivô Ekpe Udoh. Mas o conjunto prevaleceu.

O segundo tempo dos turcos garantiu o jogo. Bogdan Bogdanovic (SRB) e Kostas Sloukas (GRE) combinaram para 28 pontos e 13 assistências. Luigi Datome (ITA) descolou mais 18 com apenas um arremesso perdido. James Nunnally (EUA) e o macedônio Pero Antic acertaram uma para três cada (aliás, cinco jogadores acertaram mais de uma bola de fora no jogo). O jogo exterior dos russos colocaram pimenta na partida em alguns momentos (11 em 20, 55% de aproveitamento), com destaque para o norte-americano Orlando Jonhson (16 pontos, maior da carreira), mas não foi o suficiente para reverter a situação.

JOGOS DE HOJE

Anadolu Efes Istambul (TUR) vs Darussafaka (TUR)
Brose Bamberg (ALE) vs Real Madrid (ESP)
Olímpia Milano (ITA) vs Olympiacos (GRE)

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