Prospectando a Europa T2 #1 – Dzanan Musa

Voltamos com a série Prospectando a Europa para sua Segunda Temporada. Graças a Vlade Divac, Danny Ainge e a internacionalização da NBA, a liga foi invadida por prospectos europeus e vai continuar sendo pouco a pouco. Ninguém dá certeza alguma sobre Dragan Bender, Guershon Yabusele e Ivica Zubac, mas todo mundo se animou com os flashes de Kristaps Porzingis, a velocidade de Dennis Schroeder, a monstruosidade atlética de Giannis Antetokounmpo, os tocos de Rudy Gobert e as habilidades intrigantes de Nikola Jokic. Sem essa de “europeu air ball”, eles estão dentro da NBA e vocês vão ter que engolir™. Mas lembrem-se, estarei falando de jovens com uma carreira inteira pela frente. Ninguém aqui é certeza de super-craque geracional, então sempre olhe todas as possibilidades.

Novamente o primeiro jovem talento a ser abordado é Dzanan Musa. Dessa vez não teve título europeu, mas sim uma campanha decepcionante, nos aspecto coletivo, da Bósnia no Mundial Sub17. No entanto, Musa brilhou outra vez, batendo recordes estatísticos históricos e fazendo 50 pontos em alguns jogos. O que esperar desse candidato a estrela europeia?

Dzanan Musa:

Altura: 2.04 m

Posição: Armador/Ala-Armador/Ala

Idade: 17 anos

País: Bósnia-Herzegovina

Clube: Cedevita Zagreb (Croácia)

Classe no Draft: 2018

Projeções: Loteria

Médias no Mundial Sub17: 34.0 pontos, 8.1 rebotes, 3.0 assistências, 1.4 roubadas de bola, 0.9 tocos, 3.4 desperdícios de bola, 47.4% FG, 33.3% 3PT e 69.8% FT em 32.4 minutos.

Médias nas Eliminatórias do EuroBasket: 8.2 pontos, 5.5 rebotes, 1.2 assistências, 0.8 roubadas de bola, 2.2 desperdícios de bola, 44.4% FG, 23.1% 3PT e 60.0% FT em 32.4 minutos.

Perfil: A maturidade do controle de bola, visão de jogo e instintos de pontuação de Musa é impressionante. Despistando que é destro para arremessar, a mão preferencial de drible é a esquerda, e é do lado esquerdo que vem a grande maioria de suas infiltrações. Jogando como armador principal pela Bósnia no Mundial Sub17, comandou bastantes Pick-And-Roll altos com mentalidade de pontuação. Em relação ao ano anterior, em que disputou o EuroBasket Sub16, pareceu um jogador muito mais agressivo e egoísta na hora de atacar, reduzindo pela metade a média de assistências. Sua habilidade o permite trabalhar em diferentes velocidades, capaz de mudar de direções e punir trocas com dribles avançados (crossovers, shamgods e giros). Extremamente talentoso também em jogadas de isolação, aproveitando de sua altura para arremessar por cima dos adversários. Apesar de não ser um jogador forte ou explosivo, não foge do contato e foi uma máquina de bater lances livres (15.1 tentados por jogo nos 32.4 minutos que atuou em média). Inteligente lendo o defensor, sabendo quando rejeitar ou não o corta-luz. Capaz de pegar o rebote defensivo e puxar contra-ataques. Não é jogador mais atlético do mundo, mas sabe usar sua fluidez e visão de quadra para ser muito efetivo em transição. Jogo após o drible muito polido para alguém de sua idade e posição, capaz de chutar de três pontos após stepbacks ou quando o defensor passa por trás do bloqueio no PnR. O arremesso ainda é inconsistente (notável pelo aproveitamento nos lances livres), mas a mecânica é sólida e pode ser trabalhada, podendo ser mais efetivo com uma seleção melhor de chutes também. Como finalizador ao redor do aro, não é muito eficiente quando enfrenta oponentes de mais envergadura (sofreu demais contra o ótimo Jaylen Hoard, da França), mas é capaz de finalizar com as duas mãos e dominou os adversários mais fracos com muita facilidade (incluindo 50 pontos contra Taipei). Quando disposto a tal, é um passador muito criativo, que consegue achar ângulos improváveis em infiltrações e que não precisa de corta-luz para ver companheiros cortando para a cesta. Um talento único no ataque.

Na defesa, no entanto, não demonstra o melhor esforço possível. Tem o hábito de largar seu defensor livre para executar dobras indevidas ou buscar um rebote. É ótimo cortando linhas de passe e dando tocos na cobertura, mas não tem força e envergadura para frear infiltrações de atletas mais compridos e atléticos. Dentro do nível profissional, no Cedevita Zagreb, mostrou-se muito mais focado neste sentido, porém não é imaginado como um grande defensor pro nível profissional dadas as limitações físicas. Musa também parece um pouco “corcunda” e não tem a agilidade lateral para se manter de frente a jogadores mais velozes. Também não é muito bom defendendo correndo por entre bloqueio, sem força, velocidade e técnica apurada para navegar entre os corta-luzes com tranquilidade.

Seus flashes no nível profissional impressionam. Foi titular da seleção bósnia no EuroBasket Qualifiers com direito a uma grande atuação contra a Suécia. No entanto, sem ter a bola nas mãos em tempo integral para criar, tem conseguido resultados mistos. Não exibiu habilidade para arremessar em movimento saindo de bloqueios e o pouco hábito de estar sem a bola o deixou desconfortável atacando a cesta em cortes por trás da defesa. Apesar do jogo muito maturo, a falta de explosão, capacidade atlética e envergadura lhe põe grandes questões como prospecto a longo prazo. Além do mais, tem se mostrado um jogador bastante reativo dentro de quadra. Grita com os árbitros, tem o hábito de “flopar” e desdenha da capacidade dos adversários. Suas declarações polêmicas repercutem bastante e sua personalidade já chocou com os veteranos Jusuf Nurkic e Mirza Teletovic na seleção principal, isso com apenas 17 anos. Parece ser um caso ainda mais complicado que Mario Hezonja, por exemplo.

Passando por todas as questões físicas, técnicas e de comportamento, Musa é o segundo principal talento internacional de sua classe, atrás apenas de Luka Doncic e não tão a frente de Isac Bonga. Já havia ganhado bons minutos pelo Cedevita na última Euroliga e na Liga Adriática e a tendência é que ganhe papel ainda maior agora. Se for capaz de crescer mentalmente e evoluir aspectos ineficientes de seu jogo, tem tudo pra ser um dos jogadores mais intrigantes do basquete de sua geração.

Comparações: SEI LÁ. Mas se você quiser arriscar, mete um Larry Bird e sai correndo.

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