Laprovíttola e seu Primeiro Ano de Europa

Nicolas Laprovíttola é um dos atletas mais conhecidos pelo típico torcedor brasileiro. O armador argentino conquistou grande visibilidade no país após anos seguidos em que foi um dos atletas mais dominantes de sua posição no NBB. Antes de assinar um contrato com o Lietuvos Rytas e, posteriormente, o Movistar Estudiantes, finalizou a temporada 14-15 pelo Flamengo com médias de 14-3-6 e 50-42-80 nos arremessos de quadra. Bons torneios pela seleção de seu país e as tours internacionais do Flamengo deram-lhe ainda mais visibilidade. Com o compatriota Marcelo Nicola assumindo o comando do Rytas, estava ali a primeira oportunidade de exposição europeia de Nico, que iria jogar a Eurocup e a LKL.

Primeira coisa que mudou quando Lapro foi pra Europa foi a diversidade física da armação. No território nacional, poucos eram os armadores altos ou grandes protetores de aro que conseguiam incomodá-lo em infiltrações. Com 1,93 metros de altura e controle de bola avançado, a agressividade e criatividade do hermano acabava rendendo ótimas oportunidades para pontuar na área pintada. Da mesma maneira sabia perfeitamente como quebrar defesas que trocavam a marcação, punindo marcadores altos com sua agilidade e habilidade. Na Europa, acabou por enfrentar armadores mais altos e atléticos (Mantas Kalnietis, por exemplo) e alas mais versáteis e flexíveis em trocas de marcação. A partir de então, seu controle de bola não bastava sempre para emaranhar os adversários, o que refletiu em queda direta no aproveitamento dos arremessos (50% no NBB, 41% no Rytas e Estudiantes). Além do mais, acabou por enfrentar protetores de aro maiores e mais compridos. Contra maior pressão defensiva, acabou por virar uma máquina de desperdícios de bola, a maior parte dele por descontroles da bola do que por passes errados. Foram 3 erros a cada 29 minutos. Neste mesmo tempo, foram 4.4 assistências, um índice não muito animador.

Seu melhor atributo tanto na LKL como na Liga ACB foi o arremesso de três pontos após o drible. Com mecânica rápida e compacta, controle de bola para criar separação e leitura do Pick-and-Roll, chutou 37% em 5.6 tentativas em 29 minutos. No geral, Nico precisava estar “quente” para causar muito impacto neste tipo de situação. O argentino tem uma tendência ruim de abrir as pernas após o chute que atrapalha um pouco sua consistência, o que mais evidenciado no mais alto nível (acertou apenas 26.9% na Eurocup). Em jogos que estava “frio”, acabava por monopolizar o ataque em excesso e, ainda assim, errar bastante. Essa tendência foi mais comum no Estudiantes, em que era basicamente o único criador da equipe, por ser um time mais limitado e jovem. No Lietuvos Rytas, em que pôde jogar mais momentos sem a bola, acertou ótimos 44,4%. De toda forma, o melhor que Nico faz é com a bola em mãos, já que não é um cara que se move bastante por entre bloqueios para arremessar. Chegou-se a falar em usá-lo como ala-armador no Rytas, mas acabou não se concretizando.

Defensivamente, Nico não tem a força e agilidade lateral para marcar infiltrações e nem envergadura para lhe dar flexibilidade defensiva. Somado a isto, costuma ser indisciplinado na defesa coletiva, acabando por cometer uma série de erros de rotação. Sua contribuição com roubos de bola é marginal (1,4 por jogo) e, no geral, costuma ser um alvo do ataque adversário. Ainda precisa de um longo caminho como atleta para se tornar um defensor razoável para seu porte físico.

Assim que Nicola saiu do time e o Rytas foi desclassificado da Eurocup, Lapro foi para o Estudiantes. O time espanhol terminou a Liga ACB na penúltima colocação. Apenas não foi rebaixado porque nenhum clube da segunda divisão possuía o aparato financeiro suficiente para fazer parte da ACB. Nas Olimpíadas, fez um torneio desastroso na campanha da Argentina até as quartas de finais do evento. Durante a campanha já havia rescindido com o Estudiantes e especulava-se seu nome em um clube de porte de Euroliga (Laboral Kutxa, principalmente), mas acabou por fechar um contrato de teste no San Antonio Spurs. Para conseguir a vaga final do elenco, vai precisar provar que é capaz de arremessar com consistência e se esforçar na defesa. Minha aposta é que não consiga a vaga perante Patricio Garino, um ala atlético potencial 3-and-D, encaixe mais fácil e óbvio no Spurs.

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