Da Europa pra NBA #4 – Macolm Delaney

O mercado da NBA, como bem sabemos, esteve insano. Os novos valores dos contratos mudam toda a nossa percepção sobre quais valores são realmente justos ou não, e quais são os bons ou maus contratos. No meio disso tudo, os 12 milhões por ano de Stephen Curry são uma mixaria, vendo que atletas como Mirza Teletovic ganham 10 milhões agora. E como consequência, Mike Conley tem o maior contrato da história. E claro, isso não afeta apenas o mercado da NBA, como tudo o que depende dele de alguma forma.

A Europa sempre foi uma saída para não-americanos que não topam papéis menores nos EUA, ainda vislumbrando uma grana maior do que ganhariam NBA. Quando Alexey Shved optou por assinar um contrato de 10.3 milhões em 3 anos pelo Khimki, era sabendo que, além de estar em casa e que teria uma enorme relevância no time, ele estaria ganhando mais dinheiro que um clube de NBA ofereceria no momento. Na nova economia, uma equipe pode se dar ao luxo de pagar 8 milhões para Sergio Rodriguez, contando que uma parte desse dinheiro seria usada para pagar seu buyout, de cerca de 3 milhões. Boban Marjanovic assinou, um ano atrás, um contrato de um ano por cerca de um milhão de dólares. Depois de uma temporada no garbage time do Spurs, vai receber 21 milhões por 3 anos em salários, bem maior que qualquer valor que receberia na Europa, onde Shved recebia os maiores valores (agora o maior é de Ekpe Udoh, por quantia não divulgada, mas que gira ao redor de 3,5 milhões de euros por ano).

Nessa nova realidade, os europeus passam a se transferir para os EUA com perspectivas maiores que a exposição da liga. Agora, além do sonho de jogar na NBA, faz muito sentido financeiro até para jogadores não tão relevantes, que podem se arriscar em contratos curtos para receber um aumento generoso. Para os clubes, é uma parte nova que se abre, um mercado pouco explorado em que podem oferecer valores mais abaixo do mercado. Na perspectiva de contar a transição dos atletas que estão saindo da Europa para a América, iniciamos mais uma série. Agora é a vez do Atlanta Hawks e seu novo armador reserva, Macolm Delaney.


Em termos de projeção no cenário europeu, Delaney cresceu muito rápido. Nas quatro temporadas em que esteve no continente, subiu de degrau em degrau até atingir o status de grande cestinha para este nível de disputa, ao comandar o surpreendente Lokomotiv Kuban a terceira colocação da Euroliga, principal jogador e pontuador do clube que era treinado pelo bi-campeão europeu Georgios Bartzokas. Suas atuações lhe valeram uma seleção no Time Ideal da Euroliga ao lado de craques como Nando De Colo, Milos Teodosic, Ioannis Bourousis  e Jan Vesely.

O que mais chama a atenção em seu conjunto de habilidades é a capacidade de criar após o drible. Delaney possui ótimo controle de bola e primeiro passo para criar a separação em seus arremessos. O armador não é forte ou alto o suficiente para ser um grande finalizador próximo ao aro, logo, sua pontuação costuma vir de arremessos após o drible da meia para longa distância. O ataque do Loko Basket dependia bastante de sua capacidade em criar arremessos, reproduzindo um grande volume de chutes, que mesmo assim foi feito com eficiência (40.2% de aproveitamento em 6.1 tentativas para 36 minutos). Além do mais, Delaney possui agressividade e macetes para ir para a linha de lances livres com frequência (6.1 para 36 minutos). O conjunto de mecânica compacta e rápida, controle de bola e baixa taxa de desperdícios de ataque (16.1% em taxas de TOs, 16° entre os armador da Euroliga, ótimo para quem teve a 15° maior taxa de uso)  o coloca como potencial bom sexto homem para a NBA.

Contudo, engana-se se você pensa que é apenas um pontuador. Embora Delaney não seja nenhum Teodosic, possui visão de jogo e altruísmo para fazer passes do estilo drive-and-dish (6 assistências para 36 minutos). Mesmo que o Kuban precisasse de sua inventividade no drible, Malcolm jogava em um time que baseava seu ataque em movimentação de bola a partir de uma quebra inicial da defesa. Neste sentido, Delaney atuou por vários posses sem a bola em mãos, correndo por trás do bloqueio para receber jogadas de elevador ou pindowns com objetivo tanto de arremessar como de infiltrar. O Atlantas Hawks, assim como o Loko, adora este tipo de abordagem. Bem possível que Malcolm possa dividir a quadra por bons minutos com Dennis Schroeder ou Jarrett Jack.

Defensivamente, Delaney fez parte da segunda melhor defesa da Euroliga e faz um trabalho correto, no geral. Não possui envergadura ou atributos-físicos atléticos para ser um defensor de elite, sem força para conter slashers puros em infiltrações. Contudo, não compromete em nenhum sentido, ótimo defensor de grupo, atento a suas responsabilidades em trocas de marcação e box out. Em termos de impacto, liderou toda a Euroliga em On-Off Court Stats. Com Delaney em quadra, o Loko melhorava seu Net Rating em 28.41 pontos por 100 posses (saldo de cestas por 100 posses).

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