A ignorância, o Limbo e o basquetebol

A ignorância, o Limbo e o basquetebol, eis o título deste texto, que vos falará um pouco de cada uma dessas coisas que, ao final, estarão todas ligadas como se fossem um triângulo amoroso.

Nos dias atuais de internet, não fica difícil nos banharmos em ótima leitura, libertadora e que nos deixa boquiabertos e, de quebra, com uma crise existencial. Bom exemplo de texto, que até me motivou a escrever este, é um recentemente postado pelo site Bola Presa, “Um significado para as bolhas no pé” (leiam). Post do Danilo, não o Jeolás, este apenas comentou na postagem.

Falemos um pouco sobre a ignorância, esta que corrói a alma de quem a possui, mas que aliena de tal forma a deixar a pessoa sem nem saber o quão acabada está. Ao lançar este substantivo feminino no espaço pesquisador que o Google nos fornece, logo aparece “estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo” e “estado de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática”. Após esta breve aula sobre ignorância, agora sabemos como não ser um ignorante. Não me agradeçam, digitem um “obrigado” ao Google. Mas, antes de sairmos um pouco da ignorância, gostaria de ressaltar o fato de que a nossa ferramenta de pesquisa mais famosa coloca o ESTUDO à frente da experiência e prática.

Pulemos então ao Limbo, não aquele local entre o Céu e o Inferno, mas sim o joguinho – que se passa na beira do inferno – onde você controla um garotinho e precisa encontrar métodos para vencer todos os obstáculos, sair do limbo e encontrar sua irmãzinha. O jogo pode ser terminado em menos de duas horas, caso você se lembre de como passar as fases, mas, para iniciantes, a jogatina pode demorar mais um pouco, pois são inúmeros quebra-cabeças a serem resolvidos. Eu já havia conhecido este aplicativo um tempo atrás, mas nunca parei para dar atenção a ele. Há algumas semanas, enquanto na faculdade, o meu professor de psicologia da comunicação propusera que a sala toda, como um único grupo, jogasse e tentasse finalizar o jogo em apenas uma hora e meia. Como ninguém ali havia vivenciado a experiência de buscar uma saída do Limbo, não tivemos sucesso, acredito que conseguimos chegar até a metade, apenas. Mas aquele jogo pescara minha curiosidade. Logo que cheguei em casa, tratei de instalá-lo no meu notebook e passei o dia tentando finalizar aquele quebra-cabeça que às vezes nos deixa impaciente.

Como o meu propósito aqui não é contar minha história de amor com o Limbo, corto bruscamente o assunto e já mudo para o basquete. Neste, sou jovem, engatinhando. Sei o que sei por estudar muito, assistir sempre que possível e viver discutindo pelos grupos afora, claro, com pessoas que sei que possuem bagagem. Meu interesse pelos esportes estadunidenses veio através do futebol americano, onde acabei me viciando, até achar a cura – ou um substituto. – O basquete. Este eu fui obrigado a conhecer, porque, junto a um amigo, resolvi criar o Twitter, que agora já é blog, Sports SF, onde cobriríamos o 49ers, o Warriors e o Giants. A criação aconteceu no final do ano de 2014, mas antes disso eu já tive breves relações com o  basquete, nada que virasse um matrimônio. Como os mais próximos já sabem, estou numa boa fase quanto à NBA, ao começar minha cobertura sobre o Golden State Warriors, acabei me apaixonando pela franquia, que voltou a  ser campeã na temporada em que comecei a cobri-la. Mas não tenham preconceito, aqui começa a prova de que, com o estudo, podemos sair do lago da ignorância.

Como todo esporte necessita, o basquete também não foge a regra de ser uma modalidade que está constantemente passando por ajustes tanto em quadra quanto fora dela. Mas nos limitemos apenas aos ajustes em quadra. O estilo de jogo vem em clara mudança, principalmente após um certo senhor Stephen Curry explodir na liga e, principalmente, na mídia. Mas o que a mídia tem a ver com isso? Com o armador, duas vezes MVP, sendo um dos grandes nomes do basquete, crianças começam a querer copiá-lo e estas logo estarão adentrando na liga o que acaba gerando um ciclo, até que outro atleta influente e inovador surja, para que reiniciemos tudo novamente. Esta parte de copiar um estilo já existente entra na ignorância, mas de forma mais leve. O que realmente faz a ignorância afetar o esporte, é quando atletas antigos, nem citarei nomes, pois inúmeros falaram, acabam por criticar o modelo atual de jogo e vangloriam apenas o estilo antigo, que, por não ser mais efetivo nos dias de hoje, acabou sendo deixado de lado. Como eu disse, esta modalidade vive em constante mutação.

E no momento da mutação, o Limbo figura de forma significativa. Neste joguinho, aprendemos com os erros, podemos passar horas e horas pensando numa tática para desvendar o mistério que vem pela frente, mas apenas tentando e errando que descobriremos como seguir adiante. Assim serve com o basquetebol, mesmo num jogo, o técnico não pode ficar parado enquanto novos obstáculos (adaptações do time adversário) começam a surgir. Com certeza, até pensar em  algo que possa vencer a partida, o embate já estará na mão de quem agiu antes. Como num jogo de futebol americano, onde o lançador (quarterback) se encontra numa situação onde prevê que a defesa fará uma “blitz” – envia quase todos os defensores para cima do lançador, assim diminuindo completamente o tempo que este tem para arremessar e pensar – é necessário que o lançador tenha conhecimento e estude sobre o esporte, para que rapidamente mude sua tática e vá para um passe rápido. Coisa que Peyton Manning fazia com maestria. Não tem como deixarmos de lado o estudo, pois ele acaba sendo a própria prática – como dito no texto que citei no início.

Ao jogar Limbo junto com todos os alunos da minha sala, apenas um controlava o menino e este nem sempre tinha consciência de todos os métodos que existiam para passar o obstáculo presente no caminho; neste momento se fazia necessário trabalhar em grupo, juntando todo o breve estudo pessoal que cada um da sala fez e transformar isso em ação, podendo assim ver e passar com mais clarezas sobre as dificuldades. Não é necessário ter jogado ou estar jogando para absorver o que acontece em quadra no basquetebol. Isso pode ajudar, como também pode cegar – casos de ignorância. Nada supera o estudo das ações, nada. Principalmente em jogos que adaptar-se é estritamente necessário. A liberdade para comentar nos foi dada, usemo-la com cuidado, claro; mas nunca aceitemos ser restritos por alguém que pensa saber mais apenas por ter vivido a prática. A ignorância é o maior obstáculo de quem deseja sair do limbo.

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