O fator Stevens

A cada dia que passa o treinador do Boston Celtics, Brad Stevens, vem atraindo mais atenção ao redor da liga, isso graças a apenas três anos de trabalho a frente da franquia alvi-verde de Massachussets. O treinador transformou a equipe de um saco de pancadas em uma equipe de playoffs que tem tudo para alcançar o mando de quadra na disputa que está prestes a iniciar. Tratando-se de NBA, isso é uma mudança significativa em um período curto de tempo, e o que deixa ainda mais impressionante é o fato da equipe de Boston ter sofrido tantas mudanças em seu elenco de atletas desde a saída de Doc Rivers, do Big 3 (Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen) e por último, do então capitão e ídolo local, Rajon Rondo. Durante seu tempo a frente da equipe, Stevens teve a sua disposição um total de 35 jogadores até o momento, o que mostra sua capacidade de aplicar sua cultura e padrão de jogo nos mais variáveis estilos de atletas.

Stevens tem uma habilidade fantástica para maximizar o talento dos seus jogadores, e foi, portanto, o treinador ideal para comandar a franquia celta neste período de transição a que ela passou, onde encerrou um ciclo com a saídas de ídolos veteranos e iniciou um novo ciclo com a reformulação da equipe e a chegada de novos jogadores que ainda necessitavam firmar seu nome na liga.

A ascensão da franquia mais vitoriosa da NBA, com 17 títulos até o momento, e a volta a ocupar um papel relevante na Liga tem sido uma grata surpresa a todos, e Brad Stevens que era um desconhecido da NBA a poucos anos atrás, muito embora tenha tido algum sucesso em sua carreira de treinador universitário, tem sido colocado por todos como o grande responsável pelo trabalho.

Para nos aprofundarmos ainda mais nos fatos, podemos chegar a conclusão de que os jogadores tendem a ter um desempenho melhor sob o comando de Stevens, do que foram em temporadas anteriores sem a companhia do treinador, é claro que isto não pode ser tomado por uma verdade absoluta, mas temos consistência suficiente para qualificarmos isto como uma tendência.

Dos dezoito jogadores que jogaram mais de mil minutos na NBA sob o comando de Brad Stevens, quatorze apresentaram melhorias em PER, Win Shares, e Win Shares/48 Minutes a partir da temporada que se juntaram ao brilhante e jovem treinador. Treze desses jogadores superaram esses níveis anteriores em todas as temporadas que passaram com Stevens, e dez deles mostraram uma melhoria temporada após temporada em todas as categorias enquanto treinados por ele.

Dizer que Stevens é diretamente o único responsável por todas as melhorias de seus jogadores seria algo enganoso uma vez que o elenco do Celtics está recheado de jogadores jovens, que são muito mais propensos a demostrar evolução significativa em seu desempenho do que os veteranos, já que sua melhoria é quase um pré-requisito para continuarem na liga. Ainda assim o Boston Celtics transformou-se de um elenco recheado de jovens incertezas e de jogadores duvidosos em um elenco recheado de jogadores muito importantes em determinados momentos das partidas.

Claramente o GM Danny Ainge merece parte deste crédito por encontrar jogadores como Jae Crowder, Evan Turner e Isaiah Thomas no mercado de Agente Livres e/ou Trocas, mas, a maior parte do crédito e mérito vai para Stevens. O Treinador é um mestre em colocar seus jogadores em uma posição perfeita para conquistar mais sucesso durante os jogos, e sua capacidade em fazer isto tem tido um efeito muito positivo em todos os jogadores do elenco.

Se Danny Ainge pode assumir, com razoável confiança, que Stevens será sempre capaz de tirar o máximo proveito de qualquer tipo de jogador, seja ele um jogador de sucesso, desconhecido ou até mesmo um jogador que ainda esteja em contrato de calouro, isso lhe dá uma incrível flexibilidade na condução de novos negócios para a equipe, a exemplo de como Boston não teve oferecer um caminhão de dinheiro, num contrato máximo, para o ala Chandler Parsons neste verão porque Stevens ajudou Jae Crowder a se transformar em uma opção quase igualmente atraente por uma fração do custo salarial de Parsons. Graças a isso os Celtics podem reservar seu espaço em CAP para uma estrela da liga, assim como ofereceu a Kevin Durant nesta offseason, ao invés de desperdiça-lo em contratos superfaturados graças ao aumento no CAP da liga.

Ter garantia de melhoria e evolução em seu jogo é uma ferramenta muito boa no recrutamento de novos jogadores. Os jogadores entendem que um aumento no desempenho de quadra se revertem em dólares salariai. Exemplo disso é como o ala Evan Turner faturou um contrato de 70 milhões de dólares após 2 temporadas sob a tutela de Brad Stevens no Boston Celtics e certamente essa supervalorização não passa desapercebida pelos jogadores da NBA.
Boston nunca foi prioridade como destino para free agentes na NBA, mas isso pode ter mudado nesta offseason já que conseguiram garantir o 2º melhor agente livre disponível no mercado, considerando apenas os irrestritos, em Al Horford, e Brad Stevens é um dos principais motivos para isso acontecer. Seus esforços não são apenas trazer as vitórias para a franquia, eles estão influenciando a franquia de maneiras sutis, mas significativas, com sua filosofia de trabalho. Isso é extremamente importante, e é por isso que Stevens só poderia ser a pessoa mais importante na organização do Celtics neste momento de sua história e o principal responsável por este sucesso alcançado até o momento.

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