Olimpíadas TimeOut #25 – Semifinais

Espanha 76 – 82 Estados Unidos

Os 6 pontos de diferença induzem que não foi um passeio em quadra, o que de fato é verdade. No entanto, passou longe de ser sofrido ou apertado. Com tranquilidade, o Team USA avança para a final, com alertas parecidos e soluções tão óbvias quanto parecia antes. Uma vantagem de nove pontos foi aberta logo no primeiro e foi levada assim até o final com pequenas variações. No geral, em nenhum momento a Espanha pareceu ameaçadora ou apresentou um basquete completo suficiente para vencer a partida.

A principal chave para os EUA foi o arremesso de três pontos de Klay Thompson, que movimentou-se bastante sem a bola e não teve medo de arriscar. No total, foram quatro acertos em oito tentativas que renderam 22 pontos em 35 minutos em quadra. E não é apenas sobre acertar, mas sim sobre movimentar o ataque, confundir a defesa e exigir respostas rápidas adversárias. É algo que apenas Klay vem fazendo com mais regularidade. Em outras situações, Durant e Paul George fazem isso, mas na maioria das vezes parece faltar comunicação. Isso resulta num jogo puro de pick and roll handoffs para novos pick and rolls. E isso funciona, porque Kyrie Irving é ótimo pontuando após o drible e os americanos são explosivos o suficiente para quebrar a defesa de perímetro fácil e ter que acionar a cobertura no garrafão, que acaba tendo que sair do aro, gerando uma enormidade de rebotes ofensivos. Nisso, os jogadores americanos atacam a tábua sem dó, com destaque para DeAndre Jordan. O pivô acabou por pegar 16 rebotes no jogo nos 27 minutos que esteve em quadra. Na defesa, usou seu tamanho, impulsão e agilidade para dar 4 tocos na defesa de cobertura. Aliás, neste setor, é de se oficializar Jordan na função, muito mais disciplinado e coerente de suas limitações e funções que DeMarcus Cousins, que joga com uma preguiça danada e quando está em quadra é imediatamente atacado. Além do mais, Kyle Lowry e Kevin Durant tiveram seus momentos em termos de pontuação e pressão defensiva. A nota negativa fica por parte de Carmelo Anthony, que fez partida tenebrosa (2-11 os arremessos de quadra e 2-5 nos lances livres). De maneira surpreendente, vem sendo um péssimo finalizador ao redor do aro nas Olimpíadas. No tão famigerado Mundo FIBA, Melo se sente bem a mais vontade arremessando mesmo.

Pelo lado espanhol, o ataque foi muito focado em Pau Gasol e em bolas de três pontos. Pau recebeu algumas bolas da linha de três pontos e não hesitou em arremessar. Quando não havia espaço, já buscava algum passe. Quando Gasol não era envolvido na jogada, a Espanha tentou muito arremessos de três pontos após o drible e em transição, que não caíram (8-26). O espaçamento ficou mais prejudicado quando Mirotic cometeu 4 faltas ainda no primeiro quarto (algumas delas bem questionáveis, pra dizer o mínimo). Quando Reyes entrou, até contribuiu com rebotes de ataque, porém não conseguiu finalizá-los. Sem espaço e dependente da produção de Gasol, os espanhóis ficaram sem alternativas.

Austrália 61 – 87 Sérvia

A Austrália não viu a cor da bola contra a Sérvia. Foi uma derrota com D maiúsculo, com muitos méritos e estudos por parte da seleção balcânica. Variando entre Stefan Jovic e Nikola Kalinic, Patty Mills foi perseguido e impedido que executasse com tranquilidade o chute de três pontos saindo do bloqueio. Boa parte dos nove arremessos de longa distância que tentou não tiveram o equilíbrio ideal, acabando por acertar apenas um deles. Também da longa distância houveram escolhas para pagar pra ver outros jogadores chutando, em especial Ryan Broekhoff e Joe Ingles, que erraram quase todos. Tudo isso combinou em falta de espaçamento, que foi potencializada pela inoperância de Matthew Dellavedova no jogo. Andrew Bogut esteve com problemas de falta e aí faltou criatividade para pontuar. A Sérvia deu uma aula de estudo de jogadas defensivas, na realidade, não cedendo cortes sem a bola nas costas da defesa e contestando quem tinha que ser contestado. Sem a movimentação funcionando, Bogut e Delly eram expostos para serem os criadores que não são. São passadores competentes, mas precisam de gente girando pra funcionar. E eram raríssimos os momentos em que a disciplina defensiva dos sérvios falhou. Os australianos fizeram apenas 14 pontos nos 20 minutos iniciais. Mesmo Miroslav Raduljica e Milos Teodosic, conhecidos pela sonolência, jogaram duro e lutaram para não ceder espaços. A disputa nos rebotes também foi equilibrada. Basicamente a Sérvia acertou tudo o que tinha pra acertar na defesa.

No ataque, abusaram de pick and rolls de Milos Teodosic, que fez uma partida brilhante. Ao todo, foram 22 pontos e 5 assistências em 22 minutos. Quando o armador está inspirado é difícil ter noção de como brecá-lo. A Austrália evitou dobrar a marcação (por conta de seus instintos como passador), mas isso acabou cedendo muito espaço para flutuar entre a média e longa distância e usar seu ótimo jogo depois do drible. Além do mais, tivemos Macvan de costas para a cesta, Raduljica agressivo e posterizando pessoas e Stefan Markovic acertando tudo o que chutou (o que é a vitória moral por si só).

Com isso, teremos revanche a do Mundial entre EUA e Sérvia. Quem será que leva a melhor?

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