Olimpíadas TimeOut #23 – Quartas De Final

Austrália 90 – 64 Lituânia

A gente não sabe se é verdade esse negócio da Lituânia ter perdido de propósito para não enfrentar os EUA. Mas se for, aí o tiro saiu bem pela culatra. Os lituanos não viram a cor da bola na derrota contra a Austrália.

No geral, o time do leste europeu se destaca por ter uma rotação coesa, que não costuma falhar e é bastante segura. Porém, a partir do momento que a bola entrou em quadra, vimos uma sequência de erros defensivos. E na real, todo mundo cometeu basicamente os mesmos erros contra a Austrália. Várias das jogadas ofensivas tramadas pelos cangurus envolvem uma movimentação falsa, que acaba por esconder a jogada real. Isto é feito para atrair a defesa de cobertura a algo fictício para que a execução saia perfeita e mais limpa na que realmente vai ser usada. O negócio ficou ainda melhor para os australianos quando passaram a envolver Mindaugas Kuzminskas diretamente nas jogadas. O ala recém-contratado pelo New York Knicks é atlético e possui envergadura para ser um bom defensor, mas no geral, não tem o mínimo de atenção para executar jogadas defensivas complexas. Aí já viu, haja bola nas costas. Até mesmo foi explorado no poste baixo. Nisso Phil Jackson vai ter que ficar de olho.

Incluso a inoperância defensiva, o ataque também não funcionou como de costume. O abafa pra cima Mantas Kalnietis e a defesa de cobertura de Andrew Bogut fechou a maioria dos espaços para os lituanos. Kalnietis, na maior parte de sua carreira, era um armador atlético que refutava em usar seu melhor atributo para tentar arremessos após o drible. Neste campeonato, vinha sendo especial por estar atacando a cesta com muito mais veemência, com o brinde de estar tendo o melhor aproveitamento nos arremessos de três pontos dentre todos os anos de profissional. Mas nesse jogo, foi forçado a dar arremessos que não caíram. Os espaços estavam fechados e Bogut é imponente demais próximo ao aro. Como o ataque depende muito do armador, ferrou. Para piorar, Jonas Valanciunas fez mais um jogo tenebroso, em que não conseguiu estabelecer e ganhar espaço no garrafão, cometeu vários desperdícios de bola e não ajudou com muita coisa que não fosse nos rebotes. E como desgraça pouca é bobagem, Paulius Jankunas sentiu uma lesão ainda no primeiro tempo que o tirou do restante da partida. Não tinha jeito, a vantagem já era de 18 pontos no intervalo e não haviam armas para diminuir isso. O bombardeio de Patty Mills e Matthew Dellavedova para 3 pontos (39 pontos e 9-18 nos arremessos do perímetro combinados) só fez a vantagem crescer rápido demais para ser alcançada. Mais uma grande vitória na conta dos Boomers.

Espanha 92 – 67 França

Uma das grandes rivalidades do basquete nos últimos anos terminou com atropelo espanhol pra cima da França. Aliás, não deu nem graça, assim como o jogo da Austrália. Quem pegou fogo foi Nikola Mirotic, que tratou de arremessar um caminhão de bolas de três pontos com excelente aproveitamento (23 pontos, 5 rebotes e 5-8 nos tiros de longa distância). Enquanto isso, Ricky Rubio dava uma aula de armação e leitura de jogo. Na verdade, “mérito” total francês que não soube em hora nenhuma explorar as deficiências espanholas. A defesa perimetral dos azuis não funcionou por nenhum momento do jogo, sem oferecer resistência nenhuma a infiltrações. Pau Gasol nem precisou ser muito agressivo para a Espanha logo fechar o jogo no meio do terceiro quarto. E ainda teve isso:

Ofensivamente, a França sofreu demais com a falta de espaçamento. O velho dilema Lauvergne/Gobert machucou demais, com o adendo de Lau ter iniciado mal o jogo nos arremessos. Já Rudy não consegue nem mesmo ser uma ameaça nos cortes sem a bola. Aí acaba que dependem demais de Nando De Colo e Tony Parker, que embora sejam muito criativos e habilidosos, não podem carregar um ataque parado e truncado, pois dependem de meia distância e infiltrações. E como Nicolas Batum estava com alergia de arremessar, ficou ainda mais difícil, sem nenhum desafogo preparado. Pra ficar pior, erraram todas as rotações defensivas quando envolvidos no pick and roll, aí Willy Hernangomez fez a festa no seu modo “Kanter Baixo”.

Estados Unidos 105 – 78 Argentina

A Argentina até jogou bem quando impôs seu ritmo no primeiro quarto, mas não durou muito mais que isso. Quando os EUA, muito mais atléticos e jovens, impuseram o jogo de transição, aí não teve pra ninguém. Além do mais, a rotação argentina é curta e logo não daria conta de tanta profundidade, ainda mais com um Kevin Durant muito inspirado (27 pontos, 7 rebotes, 6 assistências, 7-9 3pt) e um Paul George muito esforçado e competente na defesa (3 roubos de bola, 3 tocos e 4 rebotes ofensivos). No fim das contas, a derrota estava certa é só restava curtir os últimos momentos da #GeracionDorada. A torcida não parou de cantar em nenhum momento, mesmo perdendo por 800 pontos de diferença. Para coroar este momento, “Oveja” colocou toda a turminha do barulho (Manu, Scola, Nocioni e Delfino) nos últimos momentos para serem reverenciados. Ainda que em alguns momentos a torcida brasileira não tenha mostrado o mínimo de sensibilidade, a sensação geral era de despedida emocionada de uma das grandes seleções do basquete internacional. Quem começou a acompanhar basquete internacional nos anos 2000 certamente tem algum sentimento importante or este time, que marcou dentro e fora de quadra com sua postura e garra. Esqueçamos toda essa bobagem de revanchismo e provocação. Esses caras foram gigantes e merecem nosso respeito.

Croácia 83 – 86 Sérvia

O jogo que marcava o duelo de Bogdanovics tinha tudo pra ser a redenção de uma rodada sem graça. E deu muito certo. O placar passou por alterações bruscas, com começo equilibrado, abertura de vantagem croata, virada sérvia e ressurgimento croata. No meio disso tudo, personagens apareceram. Os destaques foram justamente a dupla que confunde narradores. Bojan, sabemos, é o foco central da Croácia e força inúmeras infiltrações para marcar pontos em lances livres e arremessa em maior volume. Bogdan prefere ser acionado mais na boa, após o passe. Antes de ser excluído por faltas, o sérvio estava com 18 pontos em 11 arremessos. Estava indo muito bem ao lado de Teodosic, embora o armador estivesse chutando mal. Pelo lado croata, além de Bojan (27 pontos, 7-15 nos arremessos de quadra e 10-12 nos lances livres), Darko Planinic mostrou excelente impacto. Limitado, Darko fez excelente campeonato cumprindo bem o seu papel. Ataca os rebotes, compra lances livres na base do timing e incomoda pelo esforço. 6 pontos e 9 rebotes não impõe tanto respeito, mas o saldo de +13 ajuda a elucidar o efeito. Faltou um Saric mais inspirado desta vez para contribuir. Quando Miro Bilan esteve em quadra, Raduljica e Jokic tiveram vida mais tranquila. No fim das contas, algumas bolas de Hezonja trouxeram a Croácia pro jogo. E outras forçadas tiraram a chance de virar. No finalzinho, uma sequência chatíssima de lances livres forçados acabou finalizando com vitória sérvia, que estava com a vantagem no placar.

%d blogueiros gostam disto: