Olimpíadas TimeOut #20 – Quarta Rodada e Início da Quinta

O tradicional resumo das Olimpíadas sai um pouco mais amontoado hoje por motivos de “é foda acompanhar esse tanto de coisa ao mesmo tempo, estudar pro final de período na faculdade e ainda ter que comprar presente pro dia dos pais”. Espero que tudo volte a normalidade a partir de agora. Sem mais delongas, vamos as análises:

China 68 – 93 Austrália

Sem Andrew Bogut, o início da partida até que induziu que teria graça. Mas era tudo balela. A partir do momento que os bancos se confrontaram, a Austrália disparou pra não ser alcançada. A ausência de Bogut fez por distribuir os minutos de Brock Motum e Cameron Bairstow, e ambos foram bem (15 pontos em 16 minutos de Motum e 17 pontos e 9 rebotes de Bairstow em 19 minutos). Mesmo sendo gigantes, os chineses não fazem ideia em como defender um garrafão espaçado, acabando por ceder inúmeros arremessos de meia distância. Além do mais, foram maltratados nos rebotes, levando 15 na tábua ofensiva. No mais, Yi Jianlian mostrou seu raro e ótimo skill set em ataques a cesta e arremessos, mas que com esse time, não vai a lugar algum.

EUA 94 – 91 Sérvia e EUA 100 – 97 França

O Team USA começou atropelando geral, até que a vantagem fosse diminuindo pouco a pouco para que na última posse Bogdan Bogdanovic tivesse a chance de chutar livre, leve e solto, porém sem sucesso. Então vamos lá, primeiro vitória sofrida contra a Austrália, depois vitória ainda mais suada contra a Sérvia e, para ficar pior, outro jogo ruim (mas dessa vez não tão terrível) contra a França. Em ambos os jogos, o que ficou claro é que falta muita comunicação defensiva para reagir contra armações descentralizadas ou movimentações intensas de bola.

O elo mais fraco é DeMarcus Cousins. Sim, ele é forte pra burro e tem uma agilidade sobrenatural para alguém de seu tamanho, mas não tem consciência defensiva e possui péssimo timing para responder a marcação com ajudas e trocas. O mais natural, logo, foi colocá-lo em movimento para tomar decisões ruins, com intensa movimentação de bola e bloqueios para todos os lados. No jogo contra a Sérvia, foi Milos Teodosic que aproveitou os buracos forçados e não forçados para acionar os pivôs (Nikola Jokic principalmente, que fez bela partida ao sair com 25 pontos e 6 rebotes). Além do mais, o efeito gravidade de Bogdan e Teodosic em seus tiros funcionaram muito bem, sobretudo quando Milos esquentou a mão aproveitando os corta-luzes espertos de Miroslav Raduljica, que nem ficou tanto tempo em quadra por conta de problemas com falta. No entanto, nos catorze minutos que jogou, marcou 18 pontos e matou 6-8 nos lances livres, além de ter botado Boogie para dançar.

Além do mais, Kyrie Irving e Carmelo Anthony apresentam praticamente os mesmos problemas no perímetro. A diferença é que Kyrie não oferece resistência nenhuma para enfrentar bloqueios e Carmelo perde quase toda vez quem passa pelo fundo. Até mesmo bons defensores como Kevin Durant e Paul George estão se atrapalhando na hora de marcar o backdoor. De toda forma, o Team USA arrancou um monte de faltas baseado em sua capacidade atlética para vencer a partida (33-42 nos lances livres). Além do mais, o ótimo início ajudou bastante. A equipe não tem conseguido marcar muitos pontos em contra-ataques nem tem mostrado jogo de meia quadra bonito e veloz. Contudo, na individualidade, vão se garantindo no ataque.

Apesar do jogo contra a França ter tido a mesma diferença no placar, o contexto foi bem diferente. O jogo parecia bem mais tranquilo desta vez, com vantagem mais administrada, diminuída apenas no fim do jogo. Ainda assim é uma diferença que assusta e que deve gerar preocupação, mais uma vez, pela defesa. O ataque da França vinha sendo terrível e foi a defesa americana que o fez parecer bom neste jogo. Mais uma vez enfrentando uma armação descentralizada, as dificuldades vieram. Boris Diaw, o guia espiritual de Draymond Green, deu 7 assistências e aproveitou os buracos gerados para distribuir bons passes. Além do mais, Thomas Heurtel fez uma ótima partida ao flertar com triple double (18 pontos, 8 rebotes e 9 assistências). Ótimo playmaker, aproveitou a ausência de Tony Parker para fazer seu show. Sem o armador do Spurs, aliás, o ataque fluiu melhor e ficou mais independente, por assim dizer. Mas quem arrebentou mesmo foi Nando De Colo, que não se intimidou pela defesa atlética dos EUA e fez suas bandejas para sair com 18 pontos em 19 minutos. Mesmo Joffrey Lauvergne abusou dos espaços gerados nos pick and rolls para marcar pontos. Contudo, quando o ala-pivô estava em quadra, a defesa sofria bastante. Aliás, foi na defesa que a França perdeu o jogo. Basicamente ela só funciona com Gobert em quadra. E o ataque flui melhor com Lauvergne. Ta aí o Dilema de Vincent Collet.

França 96 – 56 Venezuela

Já havia desencanado de ver jogos da China e Venezuela neste ponto da jornada. E não me arrependi. Surra francesa com show de Lauvergne (17 pontos e 8-10 nos arremessos de quadra).

Argentina 111 – 107 Brasil

Então gente, e aquela bola do Nocioni hein? E aquele lance livre do Marquinhos? Por que não fez a desgraça da falta? Ninguém vai marcar o Campazzo? Como alguém toma 8 BOLAS DE TRÊS PONTOS DE CHAPU em 2016?

Pois é, pois é. Se você esteve em OUTRA GALÁXIA no sábado às 14:15, explico: a Seleção Brasileira teve duas ótimas chances de fechar a partida no tempo normal e na primeira prorrogação, mas nos fez o favor de deixar escapar. No segundo tempo-extra, a Argentina controlou a coisa toda até chegarmos perto em bolas forçadas de Leandrinho no final, mas tudo foi decretado numa decisão bem ruim de Alex em um contra-ataque.

Mas claro, tudo poderia ter se decidido antes. O Brasil teve ótimos momentos no jogo, todavia na hora de administrar a vantagem, confundiu isso com gastar o relógio sem nenhum motivo e forçar jogadas em isolação. No geral, duas ótimas coisas foram feitas: tirou Luis Scola das ações ofensivas e o carregou em faltas; não tomou uma porrada de pontos em infiltrações de Manu Ginobili. Porém, não defendeu direito as bolas de três pontos óbvias da Argentina. E falo que são óbvias porque os hermanos fizeram a mesma atuação ofensiva nas outras partidas. Era infiltrar para que os espaços fossem abertos para o chute. Então, Ruben Magnano começa o jogo com Rafael Hettsheirmeir para marcar Nocioni. Desastroso, tomando 4 bolas bolas de três pontos na fuça logo no primeiro quarto. E quando notou que a preocupação em seu chute estava grande, arrancou inúmeras faltas. Ao mesmo tempo, Guilherme Giovannoni foi muito inteligente quando esteve em quadra na sua defesa, exceto NAQUELA BOLA QUE EMPATOU O JOGO. Aliás, quem toma rebote ofensivo de um cara de 1,79 de altura NO BOX OUT MAIS IMPORTANTE DO CAMPEONATO? Aliás, quem repete isso na segunda preocupação mas dessa vez com MANU GINOBILI? É.

Magnano foi desastroso em outros sentido na rotação. Por que não usar mais Vitor Benite? Foram as bolas de três pontos de Vitor e Giovannoni que abriram a quadra e melhoraram em muito a fluidez e espaçamento brasileiro no ataque. E qual era a estratégia para defender Campazzo? Ninguém deu conta da agilidade e agressividade do baixinho (33 pontos, 11 assistências, 4 roubos de bola, 5 bolas de três pontos e 10-12 nos lances livres).

Não que tenha sido tudo um desastre também. Nenê fez sua melhor partida pela seleção, acabando com Scola e Delía em movimentos agressivos ao redor do aro. 24 pontos e 11 rebotes não medem o tamanho do impacto do ala-pivô em quadra, que abusou da força e técnica contra os pesos leves-mas-lentos argentinos. Huertas fez outra partida efetiva no ataque e jogadas de pick and roll. E até Alex matou as bolas livres que recebeu.

Porém, excetuando os minutos finais, Leandrinho fez uma partida abaixo, cheio de decisões ruins. Além disso, Marquinhos foi ainda pior, errando uma porção de bolas de três, algumas sem nenhum sentido de serem arremessadas. No fim das contas, o espaço dado a Chapu, dobras erradas de marcação, escolhas ruins de rotação e pane mental acabaram custando a vitória e, provavelmente, a vaga na próxima frase.

Espanha 109 – 59 Lituânia

Esse jogo foi de tirar as esperanças do torcedor brasileiro. Surra inesperada e, segundo dizem, proposital. Matematicamente, com a derrota, ou a Lituânia fica em terceiro ou em primeiro, logo, só pega os EUA numa eventual final. Dentro de quadra, não fizeram esforço nenhum pra tentar ganhar e Jon Kazlauskas poupou boa parte de suas peças, dando minutos limitados a Mantas Kalnietis. Por outro lado, a Espanha acertou uma enormidade de chutes de fora (16-32) e contou com partida brilhante de Pau Gasol (23 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 5-5 em bolas de três pontos em 23 minutos), sempre um match up ruim para Jonas Valanciunas, que não consegue defender esses tiros de fora e depende da proteção de aro perto do garrafão. Fora que o pivô do Raptors não acertou nenhum arremesso de quadra. Pra selar, Ricky Rubio acertou 3 bolas de longa distância, o que por si só é derrota moral. Ao menos Mindaugas Kuzminskas animou os Knickers com 17 pontos e 4 rebotes.

Croácia 76 – 90 Nigéria

Se o jogo anterior já era o golpe de faca no coração brasileiro, esse foi um tiro a queima-roupa que botou até a Nigéria no bolo. Como das vezes seguintes, apostaram num ataque rápido, de transição, cheio de arremessos de longe e infiltrações agressivas. Pois bem, foi assim que controlaram a peleja do início ao fim, com destaque para Mike Umeh, que converteu 6 bolas de três pontos. Além do mais, atacaram o rebote para gerar novas posses e arremessos de três. Ike Diogu, sozinho, pegou 8 no ataque. No total, foram 17 rebotes ofensivos e 17 bolas de três pontos, que machucaram muito. Na defesa, fizeram ótimo trabalho contendo Dario Saric e sobrecarregando Bojan Bogdanovic (28 pontos em 35 minutos). A marcação agressiva e pressionada nos armadores rendeu um bom resultado. A bola não chegava no garrafão, onde são melhores pelo tamanho. Ajudou o desempenho terrível da Croácia nos tiros de longa distância (6-23). Para finalizar, vocês tem que seguir o perfil da federação nigeriana no twitter. O mais interativo com o público dentre todos.

Austrália 81 – 56 Venezuela e Sérvia 94 – 60 China

Sim, eu já havia desencanado de ver Venezuela ou China em ação.

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