Olimpíadas TimeOut #19 – Terceira Rodada

(1-2) Sérvia 75 – 76 França (2-1)

Não é só Marquinhos que decide jogo apertado nas Olimpíadas. Um chute desequilibrado da meia distância de Tony Parker foi o providencial para a França virar o placar no minuto final no confronto diante da Sérvia. Confira:

Despistando o arremesso que selou a vitória, Parker fez uma partida discreta, totalizando apenas 6 pontos e 5 arremessos tentados. Antes do lance decisivo, a partida flutuou bastante. A França disparou no primeiro quarto ao abrir mais de dez pontos de vantagem, mas viu a Sérvia chegar pouco a pouco, até que no segundo tempo o jogo se tornasse uma verdadeira troca-troca de cestas. No meio disso tudo, vimos defesas bastante inativas, que não tiveram preocupação nenhuma com tentar defender em transição.

A defesa francesa foi moldada por quem enfrentaria Miroslav Raduljica. Nos momentos em que Gobert estava em quadra, Radu não conseguia atacar tanto diante de braços tão compridos. Agora contra Lauvergne, o grandão deitou e rolou, aproveitando que é muito mais forte. Contudo, o pivô sérvio, com problemas de falta, não conseguiu ficar muito tempo em quadra (24 minutos), assim como Nikola Jokic. Aí tiveram que usar por mais minutos Vladimir Stimac, que foi um desastre em quadra (por exceção de um gancho depois de um giro muito bonito, diga-se). Sem qualquer confiança em Bircevic ou Macvan, Jokic, Raduljica e Stimac dividiram vários momentos em quadra. Aí Boris Diaw soube explorar isso. Apesar de gordo, é muito mais ágil que os três. Quebrou a defesa infiltrando para fazer passes certeiros para dentro ou fora do garrafão, saindo da partida com 11 pontos, 9 rebotes e 9 assistências.. Se por um lado Gobert foi efetivo na defesa em meia quadra, por outro, ferra qualquer espaçamento no ataque, coisa em que Lauvergne foi bem útil (12 pontos em 17 minutos, 6-11 nos arremessos de quadra). No entanto, o nome ofensivo francês no jogo foi Nando De Colo, que atuando com agressividade e ritmo descolou 8 lances livres e ainda aproveitou para matar as bolas de fora livres que recebeu, para fechar com 22 pontos. Também fez um roubo de bola decisivo para selar o último ataque sérvio no jogo.

Pela Sérvia, Milos Teodosic voltou a ser explorado na defesa e fez uma partida horrível no aproveitamento dos arremessos (3-12). Além de Raduljica, Bogdan Bogdanovic fez boa partida no ataque, mas no geral, este setor foi previsível (buscou excessivamente o garrafão) e cometeu muitos erros (16 desperdícios de bola). Teodosic com a mão fria tem uma boa parcela de culpa nisso. Os sérvios se complicam levemente na tabela.

(2-1) Austrália 88 – 98 Estados Unidos (3-0)

Um jogo em que a Austrália ficou a maior parte do tempo na frentes dos EUA! Na verdade, o Team USA só foi abrir essa vantagem de 10 pontos nos momentos finais da partida, quando a Austrália precisou se desesperar para tentar vencer o jogo. Foi uma atuação quase impecável do time australiano, que não se intimidou ao enfrentar uma equipe tão qualificada.

Por parte dos Estados Unidos, a displicência na defesa era evidente. Kyrie Irving foi o mais abusado. O armador do Cleveland Cavaliers não fazia o menor esforço para atravessar os corta-luzes e constantemente se perdeu na defesa sem a bola, o mesmo com Carmelo também. DeMarcus Cousins, outra vez, esteve cheio de problemas com faltas e não pôde permanecer em quadra. Kevin Durant não esteve perdido na defesa, contudo, foi desastroso no ataque. A falta de comunicação estava deixando a comissão técnica doida. Dependesse da defesa, os EUA não teriam ganhado o jogo.

Ciente do que acontecia em quadra, a Austrália investiu em movimentação de bola conduzida por Dellavedova, que mais uma vez saiu com double double (11 pontos e 11 assistências). As ações fora da bola confundiam a ação estadunidense, que antecipava dobras erradas e estava desatenta aos cortes sem a bola. Isso também foi auxiliado por uma partida exemplar de Patty Mills nos arremessos (30 pontos, 5-11 nas bolas de três pontos). Bogut também foi essencial no ataque, finalizando bolas rápidas na curta distância. David Andersen também foi importante ao matar ótimas bolas na meia distância que ajudaram a abrir a quadra. Faltou alguém que contribuísse com os tiros além de Mills no fim das contas, ainda assim foram bastante efetivos. Nitidamente tiveram o controle tático da partida, faltou apenas o talento bruto, mesmo.

E falando em talento bruto, que tal NOVE BOLAS DE TRÊS PONTOS de Carmelo Anthony? O cestinha pareceu realmente disposto a arremessar tudo o que viesse (até porque o recorde de cestinha da história do Team USA estava logo ali e foi confirmado) e o fez com grande eficiência. Kyrie Irving também apareceu na virada com infiltrações explosivas e arremessos importantes marcados, que ajudaram a consolidar a diferença. Além disso, foram 21 rebotes ofensivos por parte dos americanos que ajudaram a equipe a manter a bola viva após seus erros.

Após o primeiro sufoco, nitidamente por falta de foco, os EUA aprenderão a lição e serão mais disciplinados na retaguarda? Aguardemos.

(1-2) Venezuela 72 – 68 China (0-3)

Alguém se importa com esse jogo? A Venezuela venceu a partida de honra e ganha sobrevida. Mas ganhar no sufoco da China não parece o cenário mais animador do mundo.

(1-2) Brasil 76 – 80 Croácia (2-1)

E chegamos no Brasil. Numa partida comandada do início ao fim pela Croácia, a seleção brasileira mostrou uma série de erros e desvantagens físicas difíceis de serem combatidas contra adversários do porte físico apresentado.

A Croácia jogou no total mismatch ball. Para isso, usaram de seus dois principais jogadores: Bojan Bogdanovic e Dario Saric. Bojan, inicialmente, foi marcado por Marquinhos, que não viu sua sombra no jogo. Menos ágil e forte que o ala croata, foi facilmente ludibriado no curto espaço de tempo que marcou BojBog. Quando Alex Garcia entrou, foi mais efetivo, principalmente quando Bogdanovic tentava usar o tamanho no poste baixo. É nesse tipo de situação, no peito de aço, que Alex faz seu melhor. Contudo, quando Bojan atacou em movimento, em infiltrações e arremessos após o drible, aí o ala brasileiro não teve o que fazer. Falta envergadura para contestar, aí acaba fazendo faltas. Por outros momentos, o Brasil investiu numa defesa de trocas, que acabou por ceder desvantagens muito claras, como posses em que Benite ou Huertas marcou o croata. Outras vezes, quando um pivô ficou na marcação, também foi explorado, pela falta de deslocamento lateral. Situação semelhante ocorreu com Dario Saric, que bagunçou a defesa brasileira com sua agilidade no ataque a cesta. Nenhum dos pivôs brasileiros se mostrou muito eficiente em manter o jogo de pés estável frente a Saric. Mesmo tendo cometido uma série de faltas, o ala-pivô do Sixers ficou bastante tempo em quadra e ainda contribui com rebotes e passes, ainda que tenha cometido seis desperdícios de bola.

Sem a bola, a defesa brasileira cometeu uma série de erros nas dobras. A ajuda vinha atrasada, o que resultava em espaços para arremessos livres, que foram prontamente aproveitados pelos croatas (11-22 nos chutes de longa distância). Bojan e Dario combinaram para 48 pontos, 13 rebotes, 6 assistências, 6-10 nos arremessos de três pontos e 12-13 nos lances livres.

No ataque, o Brasil novamente não mostrou a movimentação de bola dos amistosos e sofreu de novo com espaçamento de quadra. Até por isso os melhores momentos ofensivos do Brasil vieram com Guilherme Giovannoni na 4, que faz trabalho bem mais competente que Rafael Hettsheimeir até agora.  Com Guilherme em quadra, o Brasil chegou a reduzir a diferença para três pontos perto do fim da partida. Sem ele, Nenê, Augusto e Felício trombaram e erraram um caminhão de bolas da meia distância. Nenê, aliás, não foi bem nem no ataque nem na defesa. Huertas não foi tão abusado no ataque como quanto contra a Lituânia, mas a presença de um armador mais agressivo em pressionar Roko Ukic poderia ter ajudado em dificultar o acionamento de Bojan e Saric. De toda forma, Marcelo foi bem e distribui certo o jogo quando precisou e ainda matou duas bolas de três.

Agora o Brasil pega a Argentina e precisa mostrar que está melhor em vários aspectos do jogo, principalmente no ataque. Defensivamente, é match up mais tranquilo e que não gera tantas desvantagens, no entanto, precisa ser mais promissor em meia quadra.

(0-3) Nigéria 86 – 97 Espanha (2-1)

A Espanha sofreu por três longos quartos até vencer a Nigéria. Uai? Despistando a estreia, a seleção nigeriana não é tão ruim assim, com um elenco atlético e bem montado, que, quando se encaixa alguns aspectos, pode dar trabalho. O fator essencial nesta partida, por exemplo, foi o chute de longa distância, comandado por Chamberlain Oguchi, que matou 7-12 nas bolas de fora. Em transição eles correm bastante e quebraram a defesa pouco atlética e baixa da Espanha com infiltrações. Faltou defesa, o que é uma lástima, pensando no potencial físico que possuem. Mas aí falta mais fundamento que envergadura, propriamente. E ao menos dessa vez Pau Gasol não falhou e vez ótima partida, ao sair com 16-7-3 em 23 minutos. Ricky Rubio também foi excelente, pontuando em infiltrações e acelerando o jogo. Quando em quadra, o espanhol obteve saldo de +29, disparado melhor do jogo.

(3-0) Lituânia 81 – 73 Argentina (2-1)

Um jogo equilibrado, páreo duro, como era de se esperar, com ligeira vantagem lituana. A seleção do leste europeu novamente mostrou um basquete consistente e taticamente bem aplicado nos dois lados da quadra. Para auxiliar, Mindaugas Kuzminskas quebrou a defesa argentina com sua capacidade atlética (23 pontos e 5 rebotes em 13 arremessos). Patricio Garino, o mais apto a marcá-lo, teve problemas com faltas e pouco ficou em jogo. Outro destaque foi Mantas Kalnietis, que agiu como maestro para sair com 17-5-7. Outro fator importante foram os rebotes, amplamente dominados pelos lituanos (51 vs 29). A Argentina ainda falhou miseravelmente em acertar bolas de três pontos livres, com destaque para Andres Nocioni e Nicolas Laprovíttola (0-8 somados). Manu Ginobili ainda conseguiu muitas faltas, mas falhou em convertê-las (10-17 nos lances livres). Agora os lituanos estão invictos e se encaminham para fechar como líderes do grupo.

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