Olimpíadas TimeOut #18 – Segunda Rodada: Dia 2

(0-2) Espanha 65 – 66 Brasil (1-1)

Então, se você ainda não viu toda a história por trás do jogo olímpico entre Brasil e Espanha na tarde de ontem, tome uma vídeo na cara da bola que decidiu a partida:

Após Pau Gasol errar dois lances livres de uma falta que não existiu, Nenê pegaria o rebote para iniciar as ações ofensivas. Marcelinho Huertas, principal nome da partida até ali, recebeu a bola para conduzir o pick-and-roll. O corta-luz de Nenê foi feito com maestria, fazendo com que Huertas ficasse de frente a Pau Gasol. Neste tipo de lance, o armador já havia acertado alguns de seus típicos arremessos em flutuação. E foi o que fez novamente. E foi por pouco que não caiu. A bola acabou amortecendo (e não espirrando) no aro, o que facilitava que a bola fosse decidida por um tapinha ou enterrada. Vindo da zona morta, Marquinhos leu a situação para correr para o aro assim que viu que poderia complementar o lance. Nikola Mirotic, neste caso, deveria fazer o box out para impedir a passagem do ala. E não fez. Com sua passada larga, altura e envergadura, o jogador do Flamengo deu o tapinha salvador. Restavam 5 segundos. Na posse seguinte, Alex ficou de frente a Sergio Llull, que tentou uma infiltração que foi brilhantemente defendida.

Mas para além do momento final da partida, o que mais foi decisivo? Vamos aos tradicionais tópicos:

  • Defesa de Armação: A Espanha começou a jogar com Ricky Rubio e Sergio Llull como armadores titulares. Para cada um, a defesa fez uma abordagem diferente. Huertas ficou em cima de Rubio, já que o atleta do Minnesota Timberwolves não é uma ameaça pontuando, apenas passando a bola. Neste caso, Huertas passou por trás do bloqueio e fechou as linhas de passe, sabendo da falta de confiança de Rubio em seu chute. Isso foi fundamental para que Pau Gasol recebesse menos a bola em pick and pops e para que os alas espanhóis tivessem menos espaço para os chutes. No mundo FIBA, a deficiência de arremesso de Ricky é acentuada, pois a quadra já possui menos espaço para trabalhar em infiltrações. Então Scariolo o manteve em quadra em algumas posses sem que fosse envolvido diretamente, largado na zona morta. Aí fica ainda pior, sem impacto algum, favorecendo o time brasileiro a fazer dobras. E de toda forma, Sergio Llull está longe de ser um armador criativo como playmaker. Llull acabou por cometer desperdícios de bola em sequência ao enfrentar uma defesa agressiva de Leandrinho. Ao longo da partida, foram 3 erros e nenhuma assistência. O único que foi produtivo neste sentido foi Sergio Rodriguez. Grande arremessador, foi uma ameaça constante com e sem a bola, matando as bolas livres que recebeu e exigindo outro tipo de defesa para o Brasil. Sua entrada gerou mais espaços no pick and roll, pois Chacho é uma ameaça como pontuador, evitando que linhas de passe fossem fechadas e dobras fossem feitas. Foram 10 pontos, 5 assistências e +9 de saldo no +-. Este tipo de armador o Brasil ainda não conseguiu defender.
  • Proteção do Garrafão: Começar o jogo com Augusto Lima e Nenê exige sacrifícios em termos de espaçamento de quadra. Nenhum dos dois possui um tiro realmente confiável. Nem da meia distância ambos estão matando. Contudo, na defesa, ambos se complementam muito bem. Nenê já não possui a explosão de antes, mas possui inteligência e força para causar impacto quando precisa defender perto do aro. Augusto, ao contrário, já pode sair mais do garrafão e atacar os rebotes vindo mais do perímetro. Como a armação espanhola não conseguiu muito espaço, Pau Gasol acabou sendo muito acionado no poste baixo. Por exceção de dois ganchos de esquerda, Pau não conseguiu colocar a bola na redinha, nem mesmo quando conquistava algumas faltas duvidosas. Foram apenas 4-11 nos arremessos de quadra. Quando recebeu a bola na linha de três pontos, errou dois tiros, um deles bem livre. Caso estivesse com a mão quente, o resultado poderia ser outro. Também ãoa matou bolas na meia distância e na linha fatal (5-12 apenas). De costas para a cesta, Nikola Mirotic e Felipe Reyes também não eficácia. Mirotic, aliás, foi muito bem marcado, ora por Marquinhos, ora por Felício, ora por Gutão. Com Mirota anulado nos tiros de fora (0-4), o campo ficou apertado e seria mais lucro usar um ala-pivô mais defensivo, que foi o caso de Victor Claver, que quando entrou, usou sua mobilidade e capacidade atlética para causar impacto na defesa de garrafão (e não como ala). Nas alas, o perímetro mais baixo revezado por Navarro e Rudy obteve pouco espaço, ainda mais quando Marquinhos era o marcador. A defesa brasileira, no geral, limitou a Espanha a 36.5% no aproveitamento de arremessos.
  • Meia Quadra: O Brasil foi muito pouco efetivo em meia quadra. Primeira coisa é que os arremessos de três pontos continuam não caindo, sobretudo os de Leandrinho e Marquinhos. E sabemos que Huertas não é um atirador. Os momentos em que o 5 contra 5 funcionou eram os que Vitor Benite e Guilherme Giovannoni estavam em quadra. Ambos possuem um chute efetivo da linha de três pontos que ajuda a abrir a quadra. Ajudaria se Hettsheimeir conseguisse acertar, mas seu encaixe defensivo é bem ruim e ainda não possui capacidade de arremessar em movimento, diferente dos outros. Os grande momentos ofensivos do Brasil, contudo, vieram com Nenê no comando das jogadas de frente para a cesta. Quando recebeu a bola ali, iniciou triangulações rápidas que rendiam passes para quem estava cortando para a cesta, na maior parte das vezes Marquinhos ou Augusto. Foram 5 assistências do pivô brasileiro.

(2-0) Lituânia 89 – 80 Nigéria (0-2)

Surpreendentemente, a Nigéria saiu do intervalo do jogo com vantagem de 41-36. Nestes 20 minutos, a Lituânia não conseguiu ir bem nas ações ofensivas, enquanto via a Nigéria fazer vários pontos em transição. Jogando em função de Valanciunas, os lituanos tentaram acionar o pivô no primeiro quarto. No entanto, ou Jonas não conseguia fazer os movimentos necessários para arremessar ou a bola não conseguia chegar lá antes. Foram 3 desperdícios de bola e 2 pontos apenas no quarto inicial. Aproveitando dos erros, os nigerianos botaram seu time atlético para funcionar. Os armadores, bastante velozes e agressivos, atacavam a cesta sem dó. Além disso, estavam matando com bom aproveitamento as bolas de três pontos, com destaque para Ike Diogu.

Esta situação só foi consertar no segundo quarto, quando Kazlauskas desencanou de Valanciunas e botou um garrafão com Domantas Sabonis e Paulius Jankunas. Ambos tem como forte jogar na cabeça do garrafão, Sabonis com tendência maior a atacar a cesta e Jankunas a arremessar. Isso é importante para deslocar os compridos pivôs nigerianos do aro. Esta tática começou a funcionar ainda melhor depois do segundo tempo, momento em que a Lituânia cometeu poucos erros e ajustou a defesa para forçar desperdícios de bola e jogadas em isolação. Em transição, Kalnietis usou seu arranque para conquistar 12 lances livres, dos quais acertou 10. Nesta partida, o armador bateu mais lances livres que em meia temporada pelo Zalgiris Kaunas (chutou apenas DOIS lances livres em mais de 30 jogos). Além do mais, fez com que os espaços gerados por suas infiltrações se transformassem em passes para os arremessadores (12 assistências), que esquentaram a mão, com destaques para Jonas Maciulis, que converteu os três que tentou. Para completar, a Lituânia conquistou 14 rebotes ofensivos, que com o tempo aniquilaram com a defesa nigeriana. Aí a vantagem foi aberta para 10 pontos para não mais ser ameaçada.

(2-0) Argentina 90 – 82 Croácia (1-1)

Foi um jogo cheio de altos e baixos. A Arena Carioca estava completamente invadida pelos argentinos, que fizeram muito barulho. O primeiro tempo foi bastante equilibrado e ofensivo. A proteção de garrafão croata não conseguiu responder aos chutes de meia e longa distância de Luis Scola, que saiu do primeiro tempo com 16 pontos. No entanto, o veterano não forçava nada. Nicolas Laprovíttola e Facundo Campazzo atuaram com suas agressividade características para conquistar arremessos de três pontos e espaços para assistências. Do outro lado, Dario Saric foi confirmado de vez na função de playmaker da equipe. Neste sentido, soube aproveitar o espaço para dar bons passes de kickout para chutadores como Mario Hezonja e Luka Babic. O problema é que não se encontraram defensivamente. Roko-Leni Ukic foi usado e abusado, enquanto nenhum pivô dava conta do repertório de Scola.

Logo veio o terceiro quarto e a porteira se abriu com pontos em sequência da Argentina. Krunoslav Simon e Dario Saric não mataram tiros de fora e o ataque acabou travando. Enquanto isso, Campazzo, Scola e Ginobili contribuíram para uma abertura de vantagem de 20 pontos. A Argentina ensaiou reação, chegando a diminuir o placar para 85-81. Mas aí faltas técnicas da Croácia fizeram com o placar final fosse decretado.

Em tese, a Argentina não é um time muito diferente da Espanha em termos de como as principais peças atuam. E contra dois adversários parecidos, a defesa croata reagiu de maneira muito diferente. Outro ponto a ser colocado é que a agressividade de Bojan Bogdanovic teve um efeito um pouco contrário neste jogo, sem passes ou aproveitamento que justificasse.

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