Olimpíadas TimeOut #17 – Segunda Rodada: Dia 1

(1-1) Sérvia 80 – 95 Austrália (2-0)

Sérvia e Austrália ganharam em suas estreias e se enfrentaram em busca da segunda vitória seguida. Em relação aos quintetos titulares, os balcânicos trocam Stefan Bircevic por Milan Macvan. Perde-se em tamanho, ganha-se em post up. O chute permanece o mesmo, ainda inconsistente.

Na maior parte do tempo, a Austrália esteve a frente do placar, ainda que não passasse dos dígitos duplos. Os boomers só foram engatar a larga vantagem do placar final no crunch time, aproveitando de uma sequência de erros defensivos e apagões ofensivos sérvios para anotar pontos em sequência e, assim, matar o jogo. Vamos novamente aos fatores:

  • Batalha Física: No fim da partida, ambas as áreas pintadas estavam ocupadas por pivôs lentos e de ofício (Nikola Jokic e Miroslav Raduljica vs Andrew Bogut e Aron Baynes). A questão aqui era brigar por rebotes, o que acabou não rendendo tanto. Radu é muto irregular neste atributo, coletando apenas um rebote em 29 minutos. Jokic pegou 3 em 18. Foi no perímetro alto, com Bogdan Bogdanovic, Stefan Jovic e Nemanja Nedovic que esta batalha foi se equilibrar. Juntos, os três armadores somaram 19. Do outro lado, Bogut pegou 12 e Baynes 7, somando quatro ofensivos. David Andersen contribui com 6. Ao todo, foi uma batalha equilibrada, dentre a relação perímetro/garrafão.
  • Espaçamento Australiano: Despistando que jogam com dois pivôs ao mesmo tempo, a seleção australiana vem jogando com ótimo espaçamento. Explicação? Patty Mills. O atleta do San Antonio Spurs não vem jogando, em posse de bola nenhuma, como condutor primário de jogadas. Essa função é quase sempre de Matthew Dellavedova, que esteve impecável, aliás (23 pontos, 13 assistências, 7-8 nos arremessos de quadra e nenhum desperdício de bola). Os criadores secundários em quadra, quando a jogada era quebrada em Delly ou exigia continuidade de passes, eram Joe Ingles ou Andrew Bogut. Quando Bogut recebe na linha de três pontos, Mills começa a fazer jogadas de corte em zíper (corre sem a bola de um lado da quadra enquanto recebe consecutivos corta-luzes para receber do outro). Sabendo de sua capacidade de chute, isso exige três ações da seleção sérvia: corre sem a bola e batalha pra atravessar corta luzes, troca a marcação entre os jogadores que estão ocupando espaços em quadra ou previne o chute aberto fechando a linha de passe que aparece, abrindo de mão de um marcador que não tenha chute, tentando fechar a linha de passe com quem está marcando Bogut. O problema é que, além de Mills; Delly, Broekhoff, Lisch e Ingles também estão movendo sem a bola. Neste trabalho, Joe pode exercer o trabalho de manter a quadra aberta na zona morta por conta de seu chute, impedindo que as dobras sejam feitas. Mesmo que Mills tenha errado as bolas de três (2-9), soube aproveitar a movimentação pegando bolas em cortes para finalizar com bandeja e conquistar faltas, fechando com 26 pontos, 6-8 em bolas de dois pontos e 8-8 nos lances livres. Nesta intensa movimentação de bola, Austrália saiu com 25 assistências para 30 cestas de quadra.
  • Defesa de Pick-And-Roll sérvia: A retaguarda dos comandados de Sasha Djordjevic possui bons momentos, mas sofreu alguns baques quando usou Teodosic e Raduljica ao mesmo tempo. Apesar de terem sido os melhores jogadores ofensivos pela lado europeu na partida, foram inteiramente explorados do outro lado, sobretudo no final da partida. Dellavedova, quando mudava de direção nas infiltrações, deixava Teo totalmente perdido. Com a primeira linha defensiva quebrada, Radu era obrigado a sair do garrafão, só que é muito lento pra isso. A partir daí, toda a rotação defensiva era atrapalhada. Fora que, quando o passe era acionado, quem recebia a bola era Bogut, que com sua visão de quadra, dava um passe simples de kickout ou enxergava alguém cortando para a cesta, sobretudo Baynes. Quando Radu não saia do aro, o espaçamento australiano ajudou. Assim que Milos (não) enfrentava o bloqueio, abria-se um  espaço na zona morta após a tentativa de cobrí-lo. Aí Ingles fez a festa.
  • Arremesso: Sem Bogdan Bogdanovic acertando arremessos, a Sérvia não soube enfrentar o paredão do garrafão australiano. Teodosic soube superar isso com chutes da meia para longa distância em flutuação assim que Delly era destruído por um corta-luz de Raduljica. Da mesma forma, quando Radu recebia a bola no poste baixo, atacava agressivamente, evitando perder tempo e tentando pegar a defesa descomposta. Nesta brincadeira, saiu da partida com 25 pontos e 11-13 nos lances livres. O problema é que, por vezes, faltou espaço para que fosse acionado com mais paciência, gerando desperdícios de bola ou travamento das ações ofensivas.

(2-0) Estados Unidos 113 – 69 Venezuela (0-2)

A Venezuela chegou a LIDERAR o placar. Ao fim do primeiro quarto, o resultado era 18-18. Uai? Para isso, os venezuelanos atacaram o rebote como se não houvesse amanhã e enrolam bastante a partida com posses de bola longas. Sem conseguir produzir em meia quadra, o que conseguiram foram inúmeras faltas por pura impaciência americana em ver um baixinho infiltrando. Mais da metade dos pontos dos sul-americanos neste período vieram de lances livres. No ataque, carregados por falta, os estadunidenses não conseguiam ritmo e erraram uma porção de bolas de meia distância e próximas ao aro forçadas.

Aí veio o segundo quarto e toda a postura defensiva mudou. O Team USA passou a fazer uma defesa agressiva e bem coloda nos adversários sem fazer falta. Jimmy Butler e Kevin Durant foram decisivos nisso. Além do mais, DeAndre Jordan entrou e tomou conta do garrafão para controlar os rebotes. Foram 8 turnovers e sequências de posses em que a Venezuela estourou o cronômetro. Em parte, isso se deve a uma falta de espaçamento. Ou era bola em Echenique, um pivô pequeno, mas muito pesado, ou era forçada de Cox. No contra-ataque, a velocidade de transição dos americanos acabaram por aniquilar qualquer chance, abrindo 20 pontos de diferença. A partir daí, foi só burocracia.

Kevin Durant esteve perfeito novamente, ao fechar a partida com 16 pontos, 5 assistências e 100% nos arremessos de quadra. Paul George (20 pontos), DeAndre Jordan (14 pontos e 9 rebotes) e Jimmy Butler (17 pontos e 8-8 nos lances livres) também foram destaques.

(1-1) França 88 – 60 China (0-2)

Outro confronto em que a China é muito menos talentosa e organizada para superar um time de alto nível. Ao menos, não perderam de 40. O primeiro quarto até que rendeu equilíbrio, aproveitando toda a vitalidade do elenco chinês, mas a partir do momento que o banco foi sendo testado a vantagem se abriu. Além do mais, Yi Jilian, foco ofensivo, saiu do jogo com péssimo aproveitando, resultado até do volume de jogo exacerbado. Nando De Colo usou todo seu timing, agressividade e controle de bola para marcar 19 pontos e 8-8 nos lances livres. Tony Parker saiu com 14 pontos e 8 assistências, enquanto Rudy Gobert fechou o jogo com 5 tocos. Uma aberração de altura e envergadura que nem mesmo os chineses parecem igualar. Não foi um real teste para a França, contudo.

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