Olimpíadas TimeOut #7 – Preview do Grupo A

Nos últimos dias saíram análises dos elencos (jogador a jogador) e das principais características das seleções que compõe o Grupo A. Quem apoia o TimeOut Brasil obteve acesso exclusivo para estas matérias. Para finalizar a cobertura desta chave, fechamos com uma análise totalmente aberta. Aproveitem!

Seleções que compõe o grupo: Estados Unidos, França, Sérvia, Austrália, China e Venezuela.

O Favorito

Estados Unidos, sem sombra de dúvidas, é o favorito para avançar em primeiro do grupo.  Muito mais atlético e talentoso que o resto das seleções, os únicos que poderão tentar fazer uma graça serão França e Sérvia, mas é muito improvável que ganhem uma partida por menos de 15 pontos de vantagem. E não há match up que complique. Desde a reforma em como o Team USA atua foi implementada, os elencos construídos fazem sentido. Não há marcação em zona que aguente Kevin Durant, Carmelo Anthony, Klay Thompson e Kyrie Irving. Aliás, é isso o que mais mudou no elenco americano desde os fracassos em 2002 e 2004. A zona era recorrente a uma liga em que seus jogadores ainda eram bem mais eficientes e acostumados na meia que na longa distância. Desde então, a NBA se transformou, aderiu a conceitos de pace and space e bolas de três pontos, importados do basquete internacional, o que transformou os novos atletas. Além do potencial físico, existe tamanho aqui. Ano após ano, os EUA se preocupam em trazer um elenco versátil e coeso.

Sérvia vs França

Caso nenhuma hecatombe ocorra, o confronto entre Sérvia e França deve decidir o segundo colocado do grupo. Uma prévia saiu poucos dias atrás, com vitória de 105-88 a favor dos balcânicos, só que em ritmo de amistoso, o que é sempre bom pontuar.

Fisicamente, a França é um time mais atlético, que pode render melhor em transição. Já a Sérvia mostrou uma movimentação de bola mais fluida e, com atletas de menor potencial físico, deve investir mesmo em um ataque criativo e repleto de passes. Contra um time comprido como a França, você tem que achar o equilíbrio certo entre quantidade de passes e criatividade. Se enrolar demais, uma hora alguém vai interceptar. De outra forma, é necessário que a bola rode e que muitos bloqueios sejam feitos para impedir que a defesa francesa se reponha.

Nos rebotes, tendemos a ter uma vantagem francesa, algo em que Bjelica faz muita falta, visto que a posição quatro deve rodar entre Bircevic e Macvan (argh). Gelabale, Pietrus, Diaw, Gobert e Lauvergne tentarão usar o tamanho para brigar com Jokic, que manda bem no fundamento, e Raduljica, que tem muitos altos e baixos neste sentido.

E claro, estou desenhando aqui este confronto porque Austrália, Venezuela e China se mostraram muito inferiores na fase preparatória, algo que é confirmado pelos seus elencos, menos talentosos, versáteis e experimentados.

O Terceiro Escalão

Austrália e Venezuela devem disputar a última vaga. Separados pela distância da Oceania até América do Sul, o mais razoável é apontar os australianos como favoritos, por ter um elenco mais renomado internacionalmente. Patty Mills já foi cestinha de Olimpíadas, Dellavedova é um dos defensores mais enjoados do mundo e Aron Baynes é forte pra caramba e sabe usar isso, enquanto esperamos para ver em que forma Andrew Bogut vem. Contudo, do outro lado, temos Nestor García, alguém que não cansa de nos surpreender e que em um jogo pode entrar naquele fator surpresa. O elenco é entrosado e aguerrido, com armadores velozes que adoram atacar a cesta. Uma troca forçada já os põe de frente a Brock Motum, Cameron Bairstow, Aron Baynes, David Andersen ou Andrew Bogut, todos bem lentos e vulneráveis fora do garrafão. Será um confronto interessante, desde que não tropecem contra a China.

Para Outro Ciclo

Com média de 23 anos idade, a China não vem pra ser efetiva nesta competição. Ainda cheia de detalhes táticos e aspectos a serem desenvolvidos, a equipe possui sérias deficiências na criação de arremessos e no chute do perímetro. Para agora, temos Yi Jianlian no auge de sua forma física, óbvio foco das ações ofensivas. Fora isso, Qi Zhou e Jiwei Zhao mostram flashes de seus potenciais. Um elenco de muita envergadura e altura, que precisa aprender a usar isto para o bem. O problema é que a liga chinesa não oferece muito desenvolvimento de talentos, como Michael Beasley, Jordan Crawford e Andrew Goudelock podem nos dizer. Todavia, existe grana lá para não deixar seus talentos saírem para a Europa, por exemplo, um lugar mais disposto a trabalhar tais atletas. Com dinheiro, uma população gigante e apaixonada pela modalidade, ainda falta estrutura e orientação para transformar isso numa seleção nacional organizada e disciplinada. Talvez seja algo que melhore no futuro. Ou não.

Fique de Olho

Nando De Colo

Melhor francês no EuroBasket 2015, MVP de tudo o que disputou em 2015-2016 e melhor atleta da fase preparatória da França, as Olimpíadas serão um ótimo momento para acompanhar a fase especial do armador, sobretudo para quem não está acompanhando a Euroliga de perto. Mesmo que Gobert, Diaw, Parker e Lauvergne sejam produtivos na NBA, o destaque do elenco é o jogador do CSKA, que sem pular muito, cria ótimas jogadas em infiltrações e melhorou muito como passador. Com contrato renovado até 2019 com o clube russo, sem nenhuma cláusula de saída para o basquete americano, é bom aproveitar o momento.

Milos Teodosic

Por enquanto, a dúvida se um dia Milos vai pra NBA permanece. Em termos de talento puro, é um dos meus jogadores preferidos no mundo. Você pode falar qualquer coisa do atleta sérvio, menos que é alguém que não sabe jogar direito. Como passador, é muito mais talentoso que 80% dos que estão na NBA, cheio de repertório em bolas sem olhar. Por muito momentos, parece estar em uma outra dimensão, sempre prevendo o que o companheiro vai fazer, dando passes picados ou de uma mão só incríveis, que cruzam a diagonal da quadra toda. Além do mais, arremessa após o drible com naturalidade. E até que anda tentando defender, sem se jogar em tudo o que é bola, contudo. Mas claro, este tipo de agressividade defensiva devemos esperar de Markovic e Jovic, não dele.

Kevin Durant

Esquecendo toda a questão de moralismos bobos que estão sendo ditos por aí, a Olimpíada é um ótimo torneio para lembrar o quanto KD é talentoso. Por mais que o restante do elenco seja premiado e reconhecido, está claro quem ali é um nível acima. Nos amistosos, o Team USA obteve 140.3 PONTOS POR 100 POSSES DE BOLA com ele quadra, o melhor índice do time. Pra se ter uma ideia, um ataque considerado espetacular na NBA tem essa estatística na faixa de 110 pontos por 100 posses. É numa situação dessa que as habilidades de Durant podem ser ainda mais maximizadas.

Um Pouquinho de História

As Olimpíadas, invariavelmente, possuem personagens que, ao longo do tempo, marcaram bastante, fora lances incríveis que devem ser lembrados por muito tempo. Não vou me prolongar muito aqui, o objetivo é deixar um lance ou um jogador para que você pesquise e saiba mais sobre.

Vince Carter Matando um Ser

Dejan Bodiroga

Andrew Gaze

 

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