Bad Boys no Tennessee

Os minutos finais de uma trade deadline bastante morna revelaram uma transação até certo ponto surpreendente. O Memphis Grizzlies enviava o ala Jeff Green ao Los Angeles Clippers (para alegria do treinador Doc Rivers, amigo pessoal de Green) e recebia em troca uma escolha de primeira rodada de 2019 protegida na loteria (Top 14) e o garoto-enxaqueca Lance Stephenson, que não consegue jogar um basquete minimamente decente desde sua passagem pelo Charlotte Hornets.

Dois dias antes, em negociação tripla com o Miami Heat e o Hornets, o mesmo Grizzlies adquiria os serviços do folclórico Chris Andersen e do complicadíssimo PJ Hairston em negociação que envolveu a ida do competente defensor Courtney Lee para a franquia da Carolina do Norte, além de algumas escolhas de segunda rodada para a franquia do Tennesse.

Todas essas aquisições fatalmente colocaram em alerta os cidadãos da simpática e animada cidade de Memphis. Considerando que a franquia já possui em seu elenco jogadores do naipe de Matt Barnes, Mario Chalmers e  Zach Randolph (esse integrante antigo do Portland “Jail” Blazers do início do século), a união de todas essas peças sacudiu o mundo da NBA, naquilo que poderia ser uma reedição (com bem menos talento, é verdade) do emblemático Detroit Pistons da virada dos anos 80 para os 90, detentores de dois anéis da liga e eternizado como a maior reunião de bad boys de toda a história. Afinal, aquela legião de craques e de jogadores “um pouco temperamentais” contava com craques do nível de  Isiah Thomas, Joe Dumars, Vinnie Johnson, Mark Aguirre, Bill Laimbeer e Dennis Rodman, comandados por Chuck Daly e com um jogo de intensa defesa, muita força física e atitudes um pouco questionáveis, mesmo para a época.

Brincadeiras à parte, é mais do que sabido que David Joerger terá problemas para o restante da temporada, ainda que a ida aos playoffs esteja aparentemente bem consolidada. A contusão de Marc Gasol é um duro golpe para as próximas partidas, principalmente em duelos contra adversários que contam com forte jogo de garrafão até pela curva descendente bastante nítida de Randolph. Aliás, voltando ao tema da matéria, as más línguas dizem que se o espanhol não deixar de ser “do bem” dessa vez, o seu lugar no paraíso está garantido.

De qualquer sorte, será divertido assistir esse Grizzlies e sua legião de desajustados, muitos deles adorados e venerados por torcedores de seus antigos times. E como bem comparou Ricardo Stabolito do Jumper Brasil, bem que o avião da franquia da Terra de Elvis poderia ser apelidado de Con Air, famoso filme que contou com Nicolas Cage e John Malkovich.

É esperar para ver… e caso vá ao FedEx Forum, cuidado. É bom certificar-se que a quadra está muito bem gradeada, já que nunca se sabe o que pode acontecer com esse elenco à solta por aí.

 

 

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