Os Cegos da Trade Deadline

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Foi uma tarde de maluquices. A Trade Deadline parecia que caminharia morta assim como nos outros anos, rolando apenas trocas irrelevantes. Além disso, parecia que Sam Hinkie não tinha mais como trocar seu time inteiro por escolhas de segunda rodada, nem o Nets como se livrar de todos os seus contratos horríveis.

Contudo, no Twitter, Adrian Wojnarowski e Marc Stein não se contiveram em anunciar uma troca atrás de outra, com até alguns trotes rolando. Eram tantos negócios se concretizando que chegou uma hora que ninguém entendia mais nada.

Poderíamos então fazer esta atrasada análise de uma maneira convencional, comentando quem se deu bem ou mal com as trocas. Só que isto poderia ficar muito mais interessante se misturássemos com música, não? Ainda mais se for um clássico do rock nacional…

Pois bem, estava eu ao lado de meu violão em casa, quando resolvo tocar a música “Os Cegos do Castelo”, de Nando Reis, ainda da época que fazia parte do Titãs, e acabo percebendo que ela poderia muito bem ser usada como meio de comparação com o encerramento de período de trocas da NBA.

Com o fim de toda esta explicação, lá vamos nós naquele mesmo sistema usado nas as outras matérias deste tipo, que você pode ler aqui, aqui e aqui.

“Eu não quero mais mentir / Usar espinhos que só causam dor / Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu / Dos cegos do castelo me despeço e vou / A pé até encontrar / Um caminho, o lugar / Pro que eu sou”

Muitos jogadores não se contentam em ser meros role players em alguns clubes, culminando em um pedido de troca. Ele não consegue mais mentir que está insatisfeito com o espaço recebido, tratando este peso como espinho em suas costas. Uma situação bastante desconfortável para a direção e para o próprio atleta. O que o atraiu antes já não é mais o suficiente, querendo somente se despedir de seus companheiros e encontrar alguém que dê a oportunidade de ser o que o mimado esportista acha que é: um titular de salário alto e contrato renovado na agência livre. Algo que aconteceu com Goran Dragic e Reggie Jackson, ambos descontentes com a ausência de bola nas mãos.

“Eu não quero mais dormir / De olhos abertos me esquenta o sol / Eu não espero que um revólver venha explodir / Na minha testa se anunciou / A pé a fé devagar / Foge o destino do azar / Que restou”

O descontentamento pode facilmente tirar o sono de cada um que passe por essa situação. Por isso, não tardará em buscar a troca incessantemente. Dragic não aguentava mais os “sóis”, deixando bem claro que queria um destino diferente, inclusive tatuando isto em sua testa. O esloveno buscava ao máximo fugir do azar que o contaminava em Phoenix. Aos passos que seguia, poderia afetar bastante seu valor de mercado.

” E se você puder me olhar / E se você quiser me achar / E se você trouxer o seu lar / Eu vou cuidar, eu cuidarei dele / Eu vou cuidar / Do seu jardim / Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele / Eu vou cuidar / Eu cuidarei do seu jantar / Do céu e do mar, e de você e de mim”

Feito todo o trabalho de choro e sentimento de abandono por parte do futuro trocado, agora resta que alguém olhe e se interesse pelo escambo. De preferência, que seja um lugar em que poderá cuidar muito bem do jogo para o time, no caso de Jackson e Dragic, a armação da equipe. Motivado e com garantias de titularidade, tratarão de cuidar muito bem do jardim, do jantar e deles próprios.

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