All Around: A Evolução de um Jogador – Sophomores (Parte 2)

Dando continuidade a primeira matéria da série que fala sobre a evolução dos jogadores, vamos apresentar mais alguns jogadores da classe de 2013. O estranho é que a partir de agora que vem a maioria dos bons valores da classe, apresentando surpresas e jogadores com potencial muito alto.

Observação: Jogadores que eu considerar irrelevantes não serão colocados na matéria (o que é um péssimo sinal, não é CJ McCollum?)

Trey Burke: Burke era a estrela do time de Michigan, equipe que recentemente ainda levou para a NBA Tim Hardaway Jr, Nick Stauskas e Mitch McGary; e havia ganhado o prêmio de melhor jogador do NCAA. Um armador que adora o jogo físico, pontua relativamente bem, tinha fama de clutch na faculdade e ainda faz ótimo trabalho no pick and roll, sendo um dos jogadores da posição que menos comete turnovers. A impressão é que ele já vinha com recursos suficientes para se dar bem no nível profissional e o aspecto que realmente incomodava era sua altura, apenas 1.83 metros. Começou a temporada de novato contundido, mas quando voltou foi bastante inconsistente arremessando, com uma seleção de arremessos questionável, culminando em baixos 38% de aproveitamento dos arremessos. Mesmo assim reinou na armação do Jazz, terminando como terceiro calouro do ano. A equipe de Salt Lake City então conseguiria Dante Exum no draft, uma sombra de respeito, mesmo não sabendo o que esperar dele. Para piorar, o começo de Trey não foi nada animador, errando muito e acertando pouco, com Exum pelo lado contrário mostrando calma de veterano. Mas foi Alec Burks se machucar para o quadro reverter, com o australiano caindo muito de produção e o americano aumentando consideravelmente seu rendimento. Foi a reviravolta que precisava para se firmar, embora não tenha aumentado seus números para essa temporada, com um aproveitamento pior dos arremessos e mudança irrisória nas demais estatísticas, seja aumentando ou diminuindo.

Michael Carter-Williams: O novato mais badalado da temporada passada, MCW divide opiniões, sendo este colunista um daqueles que vai na linha da crítica. Se compararmos com Trey Burke, o outro armador badalado da classe, Carter-Williams toma um banho no Ofensive Rating em suas duas temporadas (101-96 ORtg como calouro, 101-88 ORtg como segundanista). Até que seu começo foi animador, jogando direitinho e para os companheiros. Mas o início surpreendente logo foi caindo por terra, já que o Sixers começou a trocar seus jogadores por escolhas de segunda rodada e trezentos gramas de apresuntado. Com isso, seu desempenho foi para a linha da ineficiência. Em sua primeira temporada registrou 16.7 pontos, 6.2 rebotes, 6.3 assistências, 1.9 roubos de bola e 3.5 desperdícios de bola, números excelentes a princípio. Contudo, sabe-se que o Philadelphia jogava com um ritmo alucinante, produzindo inúmeras posses de bola, inflando os números dele e de seus companheiros. Por lá, Thaddeus Young, Spencer Hawes e Evan Turner construíram excelentes médias. Quando saíram, os números caíram bastante. Ser estrela solitária de um time ruim ajudou a consolidar ele como novato do ano, ajudando também a pegar péssima manias, como fazer a jogada mais bonita em vez da mais eficiente, esquecer a marcação para pegar rebotes e demais outras. Com um grande hype em torno dele, sua segunda temporada vem passando desapercebida. Sua equipe para essa temporada está ainda pior, enquanto ele não melhorou seu desempenho. Continua chutando mal do perímetro (caiu de 26.4% para 25.6%), sendo menos eficiente no ataque, com o ORtg em queda (mostrado acima) e errando mais. Suas médias foram para 15 pontos, 6.2 rebotes, 7.4 assistências, 1.5 roubos de bola e 4.2 desperdícios de bola. Está tentando passar mais a bola, aumentando sua taxa de assistências de 30.2% para 42%, mas a taxa de turnovers andou junto, crescendo de 16.9% para péssimos 20.1%. Mesmo o criticado Russel Westbrook mantém essa taxa a 13.6%, DeMarcus Cousins possui 16.6%.

Steven Adams: Adams foi o primeiro neozelandês a ser selecionado na primeira rodada de um draft. Não se esperava muita coisa do garoto, contudo foi uma das boas surpresas da classe. Com bom DRtg (102 pontos por posse de bola) e muita malandragem, só não foi titular do Thunder rapidamente porque Scott Brooks tem a cabeça de concreto, insistindo no cada vez menos efetivo Kendrick Perkins. Ao menos para essa temporada as coisas mudaram. Catimbeiro, o pivô é um cavador de faltas técnicas e excelente reboteiro ofensivo. Com ganho de tempo de quadra, suas estatística para 36 minutos aumentaram:

Temporada 2013-14: 8.0 pontos, 10.0 rebotes, 1.7 tocos, 6.1 faltas pessoais, 50.3% FG.

Temporada 2014-15: 10.9 pontos, 10.4 rebotes, 1.8 tocos, 4.5 faltas pessoais, 53.9% FG.

Ainda é bastante cru no ataque, mesmo se aprimorando. De qualquer forma continua dependendo de rebarbas e enterradas para pontuar. Mas como seu papel em Oklahama City é defender, já faz isso bem obrigado.

Kelly Olynyk: Olynyk é um cara que tem recursos para pontuar, mas tem extremas dificuldades na defesa. Chegou com o gabarito de que possui tanta ferramentas para pontuar que pelo menos uma coisa faria em alto nível na NBA. Apesar disso, sua eficiência defensiva se sobressaiu, negativamente, sobre a ofensiva. Disputando lugar com Brandon Bass e Jared Sullinger, ambos jogadores considerados soft, o canadense até que teve espaço na rotação do confuso tank do time do Celtics. Por não defender muito bem, acaba cometendo muitas faltas. Além disso não é bom reboteiro, algo que ficou pior na última temporada, quando seu número de rebotes e taxa de rebotes caíram. Na verdade Olynyk não apresentou grandes melhoras de uma temporada para a outra e seus números só subiram levemente por conta de um maior tempo de quadra.

Shabazz Muhammad: A reviravolta na carreira de Shabazz foi impressionante e providencial. Não tem como analisar os números de sua primeira temporada, pois a amostra é muito pequena. Jogava menos de oito minutos por partida e tinha a terrível fama de problemático desde os tempos da faculdade, embora todos soubessem que ali existia talento. Após atuar em apenas trinta e sete partidas na campanha passada, as coisas mudaram. Com a troca de Kevin Love, a equipe do Wolves abraçou uma nova reconstrução, baseada em Andrew Wiggins, Zach LaVine, Ricky Rubio e Gorgui Dieng. Muhammad não parecia ser uma peça a ser usada com afinco. As coisas mudaram depois que a peste americana passou por Minneapolis, resultando em inúmeras lesões. Como Flip Saunders não tinha mais desculpas esfarrapadas para dar tempo de quadra a Kevin Martin e Nikola Pekovic, o técnico-e-manda-chuva-do-time teve que dar tempo de quadra maior a Wiggins, Muhammad e Dieng. O ala não só abraçou as oportunidades, como que por um período de tempo foi o principal jogador da equipe, até se machucar e Wiggins brilhar. De qualquer forma já rendeu uma convocação ao Rising Star Challenge. Seus números agora são 13.7 pontos, 4.0 rebotes, 48.8% dos arremessos de quadra e 41.3% dos arremessos de três pontos. Excelente pra quem mal jogou na temporada anterior.

Giannis Antetokounmpo: Já chamou a atenção de todos em seu ano de novato pela aberração física que era. Um cara que cresceu (literalmente, em altura) durante a temporada passada. As fontes citam algo entre 2.08 e 2.10 metros, excelente para um ala. Não fosse só isso, tem um excelente controle de bola para alguém de seu tamanho, chegando a cogitar a possibilidade de jogar de armador. Exageros a parte, “The Greek Freak” tem um potencial defensivo gigante, devido a sua envergadura, mas também ofensivo pelo seu alcance, controle de bola e impulsão. De tantos predicados, já o consideraram o jogador com maior potencial da classe, algo excitante para alguém que ninguém conhecia antes do draft. Fosse hoje o recrutamento, Giannis seria TOP 5, com grandes chances de sair em primeiro, sorte dos Bucks. Depois de brincar no Mundial da Fiba, Giannis treinaria de maneira alucinada para impressionar antes da temporada começar. Não deu outra e logo achou sua vaga definitiva no quinteto titular no surpreendente time de Milwalkee comandado por Jason Kidd. Embora inconsistente arremessando de três pontos, com pífios 17.9% de aproveitamento, o grego vendo sendo muito mais agressivo. Para 36 minutos sua médias de arremessos tentados subiu de 7.9 para 10.9. Acompanhe a evolução numérica:

Temporada 2013-14:

Para 36 Minutos: 10.0 pontos, 6.4 rebotes, 2.8 assistências, 1.1 roubos de bola, 1.2 tocos, 41.4% FG, 34.7% 3PT, 68.3% FT.

Avançadas – ORtg: 99, DRtg: 110, PER: 10.8, USG%: 15%,

Temporada 2014-15

Para 36 minutos: 14.4 pontos, 7.7 rebotes, 2.8 assistências, 1.1 roubos de bolas, 1.3 tocos, 50.1% FG, 17.9 % 3PT, 73.0% FT.

Avançadas – ORtg: 105, DRtg: 100, PER: 15.0, USG%: 19.3%.

Analisando os números, vemos um jogador que vem sendo mais utilizado, mais eficiente no ataque, com 105 pontos por 100 posse de bola, e mais eficiente na defesa, com 100 pontos por posse de bola. Uma bela evolução para alguém que ainda tem um teto muito alto.

Dennis Schroder: O jovem armador alemão havia feito uma excelente Summer League antes da temporada 2013-14, embora isso não queira dizer muita coisa, como Doug McDermott e Glen Rice Jr estão de prova. Schroder até fez alguns jogos, mas acabou perdendo lugar para Shelvin Mack e foi mandado para a D-League em algumas ocasiões. Foi de fato um ano bastante tímido. A melhora veio para essa temporada. Mais maduro, vem liderando o banco do empolgante Atlanta Hawks junto ao ala-pivô Mike Scott e o macedônio Pero Antic. Excelente infiltrador, vem atraindo muitas comparações com Rajon Rondo, se assemelhando muito no estilo de jogo e inconsistência nos arremessos. Depois de passar uma temporada desapercebido, ele registra em média 8.4 pontos e 3.5 assistências em cerca de 18 minutos por jogo, acertando 27.3% dos arremessos de tenta de três pontos.

Gorgui Dieng: Dieng acabara de ser campeão universitário pela universidade de Louisville, sob comando de Rick Pitino. O senegalês chegou relativamente velho para a NBA (23 para 24 anos) e tinha alcunha de bom defensor. Depois de um começo devagar na temporada inicial, o pivô fez excelentes jogos, se aproveitamento do físico de papel de Nikola Pekovic, gerando enorme expectativa por parte de todos, ainda mais depois de um Mundial sensacional. No entanto, vem fazendo uma temporada defensiva bastante ruim, cedendo 108 pontos por posse de bola. Entretanto melhorou bastante ofensivamente, contrapondo o que se esperava dele. Vem fazendo 10.0 pontos, pegando 8.6 rebotes e distribuindo 2.2 assistências. Mesmo pior defensivamente, ainda consegue dar 1.7 tocos por jogo, mostrando que defesa não é simplesmente distribuir bloqueios (algo que pode ser falado em uma futura matéria). Se o atleta do Wolves for se tornar um jogador mais ofensivo que defensivo ainda não sabemos, mas de fato é algo que surpreende.

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