All Around: A evolução de um jogador – Sophomores (Parte 1)

O maior desafio para um novato é o de se firmar na NBA e provar que ele tem um valor. Muitos calouros chegam cercados de expectativas, pois foram escolhas de loteria e ditos que possuem potencial. Outros foram escolhas de segunda rodada, e terão sorte se arrumarem um contrato. Certo é que para ter uma vida longa na liga, cada atleta terá que evoluir ou, ao menos, provar ser útil.

Para mostrar um pouco como ocorre a evolução de um atleta, mostraremos neste e em outros posts, como o atleta evolui em seus segundo, terceiro e quarto anos de carreira, exemplificando como certos nomes construíram suas carreiras.

O ano de estreia na NBA é um desafio, principalmente de adaptação. Chegando do basquete universitário ou internacional, o jogador encarará um nível de competição muito maior do que já havia encarado antes. Antes mesmo de fazer uma temporada estaticamente numerosa, cada freshman precisará se revelar como um jogador útil, ou no mínimo com potencial para ser útil, mesmo sem ter feito uma temporada boa em termos de números. O mais importante é impressionar de alguma forma.

Entretanto o primeiro ano pode ser também bem ruim. De qualquer forma, a tolerância dos Gerentes Gerais tende a ser maior, por ser um tempo de adaptação, principalmente as escolhas de primeira rodada, geralmente com jogadores mais jovens e com maior expectativa. Por isso Anthony Bennett ganhou uma nova chance em Minnesota.

Já no segundo ano, é hora do salto de qualidade. Depois de um primeiro ano de aprendizado, é a hora de treinar muito nas férias para impressionar na Summer League e na Pré-Temporada. Muitas vezes não é necessariamente importante o tempo de quadra, mas sim mostrar uma grande evolução quando for solicitado. O segundo ano é o começo da afirmação, além de ser a primeira team option para as escolhas de primeira rodada. Logo, se existir um fracasso total, é a primeira chance de ser dispensado sem custos.

Para melhor representação, vamos exemplificar como aconteceu a evolução de certos jogadores da classe de 2013 até agora e de como a situação de cada um está.

Anthony Bennett: Sua temporada de calouro foi um desastre. Em um time igualmente decepcionante, Bennett não produziu bons números, com médias de 4.2 pontos e 3.7 rebotes em tímidos 13 minutos por jogo. Muitas vezes mostrou-se acima do peso, lento e preso entre as posições de ala e ala-pivô. Para piorar, teve problemas com contusões, perdendo trinta jogos na campanha.

No entanto, conseguiu fazer alguns bons jogos, que animaram um pouco os olheiros. Para melhorar, fez uma empolgante Summer League, mostrando que estava melhor fisicamente, além de mostrar-se mais confiante. Era o que bastava para aumentar sensivelmente seu valor de mercado, sendo envolvido na mais importante troca da offseason, ao lado de Andrew Wiggins e Kevin Love.

Era a chance de ouro. Em um time ruim, sem tanta concorrência e pressão para render. Para melhorar, muitas contusões de veteranos. Mas Bennett simplesmente não consegue render. Conseguiu a proeza de disputar minutos com Robbie Humell. Faz 5.7 pontos e 4.0 rebotes em ruins 42.5% de aproveitamento dos arremessos. Algumas estatísticas avançadas melhoraram sensivelmente, como o PER e o TS%, mas continuam baixos. Ainda mais preocupante, sua taxa de uso diminuiu de 20.3% para 18.0%. Isso se dá pela simples presença de Wiggins  e Zach LaVine, novatos mais badalados, ou falta de confiança nele?

Victor Oladipo: Em tempos de evolução de Nikola Vucevic e Tobias Harris, Oladipo anda(va) pouco falado. Muito porque não havia apresentado o salto de qualidade esperado. Sua média de pontos para 36 minutos havia subido em apenas 0.2 pontos, enquanto a taxa de assistências, taxa de rebotes, taxa de roubos de bola e taxa de tocos diminuíram. Melhora mesmo tinha vindo nos arremessos, aumentando tanto seu aproveitamento nos arremessos, de 41.9% para 45.6% quanto o aproveitamento do perímetro, de 32.7% para 40.6%. A chegada de Elfrid Payton, tirando seus minutos na armação, contribuía para uma redução nos seus números. Sua taxa de uso também diminuía, além da quantidade de arremessos tentados. Mas em um certo momento ele resolve calar minha boca, fazendo jogos com mais de 30 pontos e liderando o ataque do Magic junto a Vucevic. Seus números deram um salto de qualidade, aumentando a média para 36 minutos para 17.7 pontos, graças a um aumento substancial de sua agressividade no ataque. Parece ser realmente o melhor jogador da classe

Cody Zeller: Um ano de novato bastante tímido. Reserva de Josh McRoberts, Zeller não correspondia quando entrava em quadra. A saída do cabeludo foi essencial para que conseguisse um espaço maior na rotação, consequentemente seus números brutos melhoraram, além de uma notória melhora em seu jogo. Aprofundando mais as estatísticas, as melhoras parecem não ser tão grandes, já que no geral as mudanças foram bem sensíveis. Mas revelou-se uma força atlética boa o suficiente para enterrar na cara de Pau Gasol. A sorte também está ao seu lado, já que a condição de Noah Vonleh ainda é bem duvidosa.

Alex Len: Assim como grande parte da classe de 2013, teve um ano bem ruim como novato. Contundido, viu seu espaço cair para um inesperado crescimento de Miles Plumlee. Sem tempo de quadra e jogando apenas 42 jogos na temporada, Len via-se numa situação desconfortável. Contudo, bastaram alguns jogos na nova temporada para mostrar-se um jogador com um potencial, principalmente físico, de consolidar-se como titular da rotação. Foi o que ocorreu. Sua capacidade como bloqueador de arremessos logo foi mostrada, assim como sua superioridade em relação ao menos badalado dos irmãos Plumlee.

Ainda apresenta problemas com faltas, já que para 36 minutos, sua médias vai para perigosas 5.5 faltas por jogos. De qualquer forma diminui em relação a temporada anterior, que era de 6.8! No geral ele está fazendo tudo melhor. Arremessando mais e com maior aproveitamento, o ucraniano apresenta a seguinte evolução numérica:

Temporada 2013/2014:

Per 36 minutos:

8.6 pontos, 9.8 rebotes, 1.8 tocos, 2.6 turnovers, 42.3% FG, 64.5% lances livres.

Avançadas:

PER de 7.3, 46.9% TS%, 15.3% taxa de rebotes, 3.8% taxa de tocos, 22.1% taxa de turnovers.

Temporada 2014/2015:

Per 36 minutos:

11.3 pontos, 10.6 rebotes, 2.7 tocos, 1.6 turnovers, 56.5% FG, 73.2% lances livres.

Avançadas:

PER de 15.9, 60.1% TS%, 16.5% taxa de rebotes, 5.9% taxa de tocos, 14.6% taxa de turnovers.

Vemos uma notória evolução numérica, inclusive em todos os win shares, ofensivos e defensivos. Tem tudo para evoluir ainda mais.

Ben McLemore: Mais um caso de novato com ano decepcionante. O jovem vinha com a fama de combinar habilidade atlética com bom arremesso. Não foi bem o que aconteceu. Com baixos 32.0% de aproveitamento nos arremessos de três pontos, McLemore necessitaria melhorar bastante para ganhar espaço no Kings, pois estaria chegando outro especialista de três pontos, mas dessa vez vindo de Michigan. A chegada de Nick Stauskas era para causar preocupação. Entretanto, não só Stauskas está tendo um ano de novato bem ruim, como Ben melhorou bastante sua produção. Seu arremesso está caindo mais (35.4% de três), resultando em uma confiança maior da comissão técnica, aumentando seu tempo na rotação, e também um aumento na pontuação, que saltou de 8.8 pontos para 11.7 pontos. Ainda se espera muito mais dele, contudo já é uma melhora importante para sua carreira.

Kentavious Caldwell-Pope: Mais um da série “Ano de Calouro Decepcionante”. KCP é um pontuador e vinha com a missão de espaçar a quadra em um time que tentava colocar Josh Smith, Greg Monroe e Andre Drummond em quadra ao mesmo tempo. Jogar em um time confuso não ajuda, ainda mais quando se começa a errar demais e acertar de menos. Jogando sem eficiência alguma, foi perdendo espaço na rotação. A hora da virada parecia chegar quando fez uma Summer League sensacional, além de uma excelente pré-temporada. Pontuando bastante e comandado por um técnico que gosta de espaçar a quadra, era hora de se firmar. Seu basquetebol é até melhor que na temporada de estreia, mas a eficiência ainda passa longe. Vem aos poucos ganhando fama de “peladeiro” e crazy shooter. Algo que é evidenciado por um péssimo aproveitamento nos arremessos, de 39.2%, sendo 34.3% de três pontos; próximo do ano anterior, que era de 39.6% e 31.9% de três pontos. Sua pontuação subiu consideravelmente, de 5.9 pontos para 11.8 pontos. Isto se deve a uma maior minutagem, mas também a um volume bem maior de arremessos. Sua quantidade de arremessos para 36 minutos aumentou de 10.2 para 12.2, que basicamente vem de um volume bem maior de arremessos de três, que aumentou de 4.2 tentativas para 6.1. A grande questão do aumento de seus números brutos é que Kentavious vem sendo mais envolvido no ataque, com sua taxa de uso aumentando de 13.9% para 18.1%. De resto seus números não apresentam mudanças significativas.

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