All Around: O nascimento de um torcedor de basquete

Muitas vezes, quando estamos debatendo sobre o mundo da bola laranja, é comum aparecer o termo “moda”. Usado em tom pejorativo ou de simples tiração de sarro, esse termo na verdade explica muita coisa sobre com um torcedor nasce. Claro que não sozinho, cada torcedor se cria a sua maneira, mas os “modas” sempre irão existir, seja isso bom ou ruim.

Exista quem se interessa por histórias bacanas, vindas da curiosidade do futuro torcedor em pesquisar. Existem ainda aqueles que simplesmente apreciam o basquete de determinada equipe. Há aqueles que começaram a torcer por causa de um jogador específico que o agradou muito. Ou mesmo os “modas”, que começam a torcem pelo time que estava ganhando na época. Neste post tentarei explicar um pouco disso.

Poucos sabem, mas sou um torcedor fanático do Zalgiris Kaunas da Lituânia, além de torcer para o Boston Celtics. Um tanto anormal. Por que diabos um brasileiro iria torcer para um time que fica na Lituânia?

Aí que entra a parte das histórias. Gosto de pesquisar histórias interessantes, como o fato da Lituânia ter cedido ao longo da história os principais jogadores da finada Seleção Soviética. Além de uma leva simpatia pelos nomes dos craques. Arvydas Sabonis, Sarunas Jasikevicius, Donatas Motiejunas e outros nomes por um acaso me fazem achá-los legais, com este estranho fato me ajudando a escolher este time. O resto foi pesquisa, entendendo como o clube foi formado, os perrengues que a antiga União Soviética fazia os lituanos passarem e por aí vai…

De outra forma, é comum achar torcedor que começaram o torcer por conta de um determinado jogador. Inúmeros ídolos, como Michael Jordan, Kobe Bryant, Larry Bird, Allen Iverson e outros mais trouxeram pessoas que antes eram desinteressadas por basquete a torcer por eles, para posteriormente torcer para seus clubes. Não há como negar que jogadores midiáticos tem um forte “poder de atração” de torcedores, sendo que esse tipo de atleta que ajuda na divulgação do esportes, atraindo fãs, atletas e muita grana.

Há os casos em que o “basquetebol arte” ou o basquete bem jogado atrai a atenção de quem está sentado no sofá, apenas pela beleza como jogam. Existem várias pessoas que se encantaram pelo Phoenix Suns de Steve Nash, pelo Sacramento Kings de Peja Stojakovic ou pelo extra pass de Gregg Popovich. Um basquete “moleque”, que chama a atenção do torcedor, que passa a torcer pela equipe pela beleza como jogam.

Outros torcem pelo passado. Aquele torcedor que pesquisou quem tinha um passado bonito e graças a isto começou a torcer pela equipe. Há aquela pessoa que começou a torcer depois que descobriu que o Boston Celtics de Bill Russell promoveu uma verdadeira dinastia por anos e anos.

Nos áureos tempos em que Luciano do Valle transmitiu a NBA na TV Bandeirantes, o surgimento de torcedores de basquete foi incrível, já que o esporte tornou-se mais acessível, passando em TV aberta. A acessibilidade da pessoa com a atividade esportiva é extremamente necessária.

O basquete foi basquete popular no Brasil em tempos de Oscar Schimidt. Mesmo sendo uma personalidade bastante controversa e falastrona, Oscar teve um papel importante na divulgação do esporte nacional, assim como sua geração tão talentosa quanto ele. Um ídolo nacional é sempre capaz de atrair fãs a curto prazo, o problema é longo prazo…

Papel mais fundamental ainda tem as autoridades. As confederações deveriam ter papel decisivo em divulgar o esporte e popularizá-lo pelo país. Um torcedor não surge se não for apresentado ao esporte de alguma forma. Divulgar em escolas e fazer medidas de marketing são necessárias para que o esporte se popularize.

Não importa a maneira como cada um começou a torcer. Maior que isto é o basquete ser divulgado, popularizado, debatido. O amor ao esporte pode ser maior que o ego de cada um. Torcer é algo muito bonito e grande, que deve ser expandido. Poucas invenções na humanidade tiveram tão sucesso quanto os clubes, palcos de devoção e rivalidade que se usados de maneira esperta podem gerar muito dinheiro e diversão para quem se dedica a curtir seu fanatismo.

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