Desfalcado e com o ataque preciso, CSKA mostra sua força

CSKA

A primeira fase de grupos da Euroliga se caminha para o final. Mais uma rodada e serão conhecidos todos os classificados para o “Top 16”, onde serão formados dois grupos de oito equipes, que se enfrentarão entre si com os quatro melhores de cada grupo avançando para a fase de playoffs. Quem passar pelo mata-mata, terá o direito de lutar pelo título na cidade de Madri, em junho de 2015.  Neste primeiro estágio, encarado como um “aquecimento de motores” para os times mais fortes, aconteceram jogos bem interessantes, principalmente no grupo C, considerado o mais difícil. Porém, quem tem chamado à atenção é um time que nos últimos tempos tem sido um frequentador assíduo do Final Four – desde 2001, quando a competição passou a ser organizada pelos clubes, foram 10 aparições de 14 possíveis, com cinco finais e dois títulos – mas que nas últimas três temporadas bateu na trave de forma dolorosa em duas delas (clique aqui e aqui ). Estamos falando do CSKA Moscou, única equipe invicta desta edição da principal competição do velho continente. A última vitória, obtida nesta quinta-feira, veio na prorrogação, contra o Unicaja Málaga, na casa do adversário, após virar a primeira etapa perdendo por 16 pontos de diferença.

A temporada começou com a troca de comando. Ettore Messina deixou a congelante Moscou e foi para o Texas ser auxiliar de Greg Popovich. Para o seu lugar, chegou o grego Dimitris Itoudis, que durante nove anos foi assistente de Zelyko Obradovic no Panathinaikos e que vinha de um bom trabalho no Banvit, da liga turca – conseguiu terminar a temporada regular na primeira colocação, deixando para trás os endinheirados Fenerbahce, Anodolu Efes e Galatasaray. No elenco, como é de praxe, especulou-se muito a saída de Milos Teodosic, mas poucas mudanças ocorreram. Destaque para a chegada do ex-Toronto Raptors Nando De Colo. Para reforçar a rotação, vieram o georgiano Manuchar Markoishvili que defendia o Galatasaray e o americano Demetris Nichols, que alternava passagens entre o basquete francês e a liga de desenvolvimento nos EUA. Já Nenad Krstic, Jeremy Pargo e Vladimir Micov acabaram deixando o clube, mas a grande ausência se encontra na enfermaria. O ala Viktor Khryapa, considerado o motor do time – apesar de não liderar nenhum item estatístico, foi o jogador com maior PIR (performance index rating) do CSKA nas últimas duas temporadas – sofreu uma contusão no tornozelo e ainda não pisou na quadra na atual temporada.

Mesmo com este desfalque, o ataque, ponto forte do time,  não perdeu a precisão.  Jogando no quarto ritmo mais lento entre as 24 equipes – 71,2 posses de bola /40 minutos – e sendo apenas a 11ª que mais tem tentado arremessos (62,5/jogo) o ataque dos moscovitas é o mais positivo (88 pontos/jogo) e o mais eficiente até agora (121,8 pontos/100 posses de bola), liderando a Euroliga no aproveitamento de arremessos de dois pontos (58,4%) e sendo o segundo nos arremessos de perímetro (41,7%) e em lances-livres (82,4%). Tal desempenho,  um primeiro momento, deve-se muito ao inicio explosivo de Milos Teodosic. Nos cinco jogos que disputou antes de se contundir, ele vinha apresentando médias de 17,4 pontos – 44,4% de aproveitamento nos chutes de três pontos e 68,5% nos chutes de dois – e 8,4 assistências.  Com sua ausência, temia-se que o desempenho ofensivo da equipe caísse muito. Segundo o site Gigabasket, com Teodosic em quadra, a eficiência ofensiva do CSKA era de 130 pontos/100 posses. Com ele fora, ela despencava para 116,3. Mas não foi isso que ocorreu. Nos quatro jogos sem o armador, quatro vitórias, com o time mantendo em média de 88 pontos por jogo. Os destaques são o americano Sonny Weems, que tem médias de 14,7 pontos, 4,7 assistências e 4,7 rebotes. A fase é tão boa, que ele tem se dado ao luxo de recusar convites da NBA, conforme relata o jornalista David Pick. “Eu tive algumas ofertas da NBA, a melhor foi do Atlanta Hawks, que me ofereceu um contrato garantido, mas o CSKA me fez uma proposta ainda melhor, então tive que recusar”. Segundo a reportagem, Weems tem um acordo com o CSKA que o faz o jogador não europeu mais bem pago atuando no continente. Nando De Colo, (14,7 pontos e PIR de 16,7, o mais alto do CSKA) e Sasha Kaun (10,4 pontos e 72% de aproveitamento nos chutes de 2) são outros atletas que vem se destacando.

Pelo que fez até agora, mesmo sem dois de seus principais jogadores, o CSKA merece o título (simbólico) de melhor equipe da Euroliga, mas como foi dito no primeiro parágrafo, esta fase inicial foi apenas uma prévia do que vem por ai. Na próxima etapa, que começa em janeiro, adversários mais duros irão aparecer e a disputa, não só por uma vaga para a próxima fase, mas pelos dois primeiros lugares de cada grupo – o que assegura o mando de quadra nos playoffs – será acirrada, então é recomendável que não se abra mão de nenhuma dose de talento. Recuperar Teodosic e manter Weems é quase uma garantia de reservar as passagens para a capital espanhola.

%d blogueiros gostam disto: