Ball Don’t Lie: O Zero da Mudança

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No dia 28 de junho de 2012, o Portland Trail Blazers selecionava na 6ª posição geral do draft um armador de 6’3 nascido em Oakland e vindo da não muito conhecida Weber State. Combo guard moderno, com experiência no basquete universitário(4 temporadas) e hypeado pela excelente temporada 2011/12 feita em Weber State, Lillard foi o cestinha da temporada com 24.5 ppg e com um bom FG de 46%. Nesta mesma temporada Lillard já mostrava o quão Clutch era com um lindo Game Winner depois de duas prorrogações contra San Jose State, isso e alguns prêmios individuais já foram o suficiente para ser selecionado na 6º posição num dos drafts mais fortes da década.

Mas nem tudo são flores na vida de Lillard, a sua passagem pela High School não foi nada fácil, pela concorrência em St. Joseph Notre Dame (formadora também de Jason Kidd), Lillard tinha poucos minutos, mesmo sendo hardwork (jogador focado nos treinamentos) não tinha muitas oportunidades de mostrar seus talentos, e isso fez com que Lillard no fim do ano se transferisse para Oakland High School.

Em busca de tempo de jogo, Lillard continuou trabalhando duro e conseguiu o que tanto queria. Em Oakland High School ele teve o destaque que tanto procurava e conseguiu mostrar seus talentos, levando Oakland a um record de 23-9 e mesmo tendo ótimas médias, nenhuma universidade de mais destaque na mídia o procurou, e Lillard acabou indo para Weber State.

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Em Oregon antes mesmo do draft, Lillard já dividia opiniões, a comparação com Jerryd Bayless assustava os torcedores do Blazers pois não podiam mais desperdiçar picks em draft fortes, nesse que foi uma decepção em Oregon. Entretanto o general manager Neil Olshey bancou o então experiente rookie e o selecionou sabiamente na 6ª pick. Já nos treinos e na Summer League, Lillard mostrava mesmo semelhança com o estilo de jogo de Bayless, porém o calouro era melhor em tudo, bola de três, criando seu próprio arremesso, drive mais eficaz, condução com a bola mais apurada, passando, defendendo (mesmo fedendo nesses dois últimos) e o principal e mais importante, ele é Clutch (decisivo), coisa que a grande maioria dos jogadores da liga querem ser, mas não conseguem. E com esses atributos e boas partidas na Summer League, ele foi eleito o melhor jogador da competição de tiro curto.

O treinador Terry Stotts assumiu o comando da equipe na temporada 2012-2013, Lillard por ser um jogador mais velho na sua classe de draft não sentiu a pressão e mostrou um impacto positivo e uma melhora na rotação ofensiva do Blazers. O então calouro também deu sorte de cair em uma franquia que não tinha um armador, o que influenciou a dominar a posição vaga no quinteto inicial do até então fraco Blazers.

Com experiência de 4 temporadas na NCAA, Lillard se adaptou rápido e conseguiu desenvolver e melhorar seu jogo na liga, não atoa ganhou o prêmio de Calouro do Ano. A influência em quadra deu fortes esperanças a torcida do Blazers e a LaMarcus Aldridge, um dos poucos remanescentes da excelente reconstrução da equipe que começou em 2005 mas por azar e muitas lesões acabou não dando certo e a franquia acabou perdendo Greg Oden e sua maior estrela Brando Roy, e foi ai que Aldridge assumiu a liderança para se tornar o franchise player da franquia que agora contava com um jovem armador com potencial de se tornar AllStar e que faria uma ótima dupla com Aldridge.

Stotts que era assistente no Dallas Mavericks campeão de 2010/11 ia aos poucos conseguindo implantar uma boa e moderna mentalidade ofensiva ao time.

Já na temporada 2013/14, a união de vários fatores seriam essenciais para a então volta por cima da franquia, entre eles o entrosamento do trio Wes Matthews, Nicolas Batum (também remanescente da rebuild de 2005) e Aldridge, que estão juntos desde 2010. A base já era boa, quatro posições estavam preenchidas por bons jogadores sendo dois deles All Stars (Aldrige e Lillard que se tornou All Star na temporada 2013/14 ). E então Aldridge pediu publicamente um center de ofício, que não saísse do paint e brigasse por rebotes ofensivos, então na Offseasson o GM Neil Olshey foi atrás da última peça para o elenco. Robin Lopez que nunca conseguiu se manter por onde passou, mas em Oregon conseguiu achar seu jogo e contribuiu de maneira extremamente útil para o esquema de jogo de Stotts.

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Aldridge e Lillard fizeram o Blazers começar a temporada de maneira brilhante, o sistema de movimentação ofensiva do Blazers vinha a se tornar extremamente eficaz, muita movimentação de bola, movimentação dos jogadores sem a bola e bloqueios até dizer chega. Mas como nem tudo são flores, pouco depois do All Star Game a equipe começou a sentir o cansaço e a falta de elenco contribuiu para a queda de produção do time, mas mesmo com essa queda a franquia conseguiu terminar em 5º na fortíssima conferência oeste com uma boa campanha de 54 vitórias e 28 derrotas.

Lillard desenvolveu seu jogo a ponto de se tornar All Star e foi nomeado para o All-NBA Third Team (terceira equipe ideal da temporada) e Aldridge foi para o Second Team de 2013/14 (segunda equipe ideal). Mas acima de conquistas individuais, o objetivo da franquia foi completo, conseguiu a classificação para os Playoffs. E numa primeira rodada extremamente disputada contra o bom time do Rockets, Aldridge e Lillard tiveram total destaque, roubando todos os holofotes da dupla Harden e Howard. Aldridge teve ótimas partidas nesta série sendo que em uma delas ele marcou 46 pontos e recolheu 18 rebotes. Enquanto Lillard mostrava sua maturidade e não sentia a pressão de jogar uma série de playoffs pela primeira vez. Eis que no sexto jogo com Rockets liderando por 98 x 96 e com apenas 1 segundo para o fim da partida, Lillard mostra que tem Clutch correndo no sangue, recebe a bola e arremessa precisamente na linha dos 3 para ganhar o jogo e encerrar a série em 4-2 para o Blazers. Sem dúvidas um dos Game Winners mais lindos da história, vale a pena ver.

Já na segunda rodada o Blazers enfrentou o San Antonio Spurs que seria campeão da temporada. O duelo contra a forte, calejada e experiente equipe do Spurs mostrou ao Blazers todas as suas falhas individuais e coletivas. Lillard e Aldridge apesar de serem muito bons ofensivamente sucumbiram a forte marcação coletiva do Spurs. A falta de banco e as falhas defensivas do Blazers fizeram perder esta serie por 4-1 e dar adeus aos playsoffs.

Apesar da derrota, a aprendizado foi bom, a falta de defesa coletiva e individual fizaram o coach Stotts começar implantar uma mentalidade defensiva mais sólida e mais eficaz, o general manager Neil Olshey reforçou a equipe com a volta do veterano e já rodado Steve Blake e com o também veterano Chirs Kaman.

Na atual temporada 2014/15 é possível notar uma certa melhora defensiva, o que ainda não é o suficiente para sonhar com o anel de campeão, porem é esperado que continue melhorando ao decorrer da temporada. O elenco em si melhorou também, Blake consegue contribuir de maneira útil e mata suas bolas de 3 pontos, Kaman tem sido uma ótima opção para o garrafão pois tem bons movimentos ofensivos. As estrelas do time Aldridge e Lillard também evoluíram. O primeiro que já tinha um vasto repertório de movimentos ofensivos vem implantando bolas de 3 ao seu arsenal, já Lillard mostra que mesmo tendo vindo “velho” para a liga, impactou desde o começo e continua evoluindo, mesmo não sendo nenhum stopper ele teve uma melhora na defesa, tem rodado bem mais a bola com a clara intenção de aumentar suas médias de assistências e tem forçado menos arremessos. Aos poucos Lillard vai se tornando um pontuador cada vez mais eficiente e contribuindo de maneira direta para a ótima campanha do Blazers.

Lillard caminha para se tornar um dos melhores armadores da sua geração, e se continuar sendo focado nos treinamentos, sem duvidas ele chegará nesse patamar.

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