Gestão Esportiva: Um basqueteiro na estrada

Iniciando o Esporte

Hoje em meu primeiro dia escrevendo, sobre o basqueteiro na estrada, começo perguntando, por que um basqueteiro na estrada?

Diante dessa pergunta, que me intriga, qual idade ideal para um adolescente/jovem sair de casa e acreditar que tem um futuro como atleta, nas condições que está nosso esporte brasileiro? Os pais podem confiar nos respectivos clubes, que receberão seus filhos? E o clube que vai recebê-los, tem condições estruturais, financeiras e psicológicas para tal?

Nascido em Itu, interior de São Paulo, comecei a prática de esporte na Associação Atlética Ituana, e foi lá, com 8 anos de idade, com meu técnico número 1, iniciei no basquete e em vários outros esportes como handebol, voleibol, futebol de areia, judo, tênis de mesa, natação e até me arrisquei na ginástica solo.

Aos 15 anos de idade decidi: vou ser jogador de basquete profissional. Fui jogar em Porto Feliz em 1993 pelo Estrela Futebol Clube, que na epoca era patrocinado pela Neobor Industria e Comércio de Materiais Infláveis e dirigido pelo meu técnico número 2 hoje no céu, Marcelo Maze; existia também a equipe adulta que no ano anterior tinha sido campeã adulto da 1ª divisão do Campeonato Paulista e que era dirigida por Ricardo Moisés onde o grande atleta Andre Rato despontou para o cenário nacional. E o que basqueteiro na estrada tem a ver com isso? Tudo!

Uma estrada longa, com diversos obstáculos, esporte amador, dirigentes sem capacidade para função, clubes sem nenhuma estrutura, pessoas sem responsabilidade com o próximo, pessoas egoístas as extremo, vaidade, arrogância, prepotência, etc.

Com 16 anos fui jogar no Nosso Clube de Limeira, onde fui dirigido pelo meu técnico número 3. Morava em uma república com mais dois atletas da mesma idade, um de 13 anos e 3 pesssoas adultas, sendo um deles o técnico desse garoto sub-13.
Agora, quem era responsável por todos nós adolescentes naquela época? Teoricamente uma mãe, que era esposa de um dos atletas da grande equipe da Nossa Caixa, com Gerson Milanezzi, que Deus o tenha, Juliano Pirata, Ted, Pantera, entre outros grandes nomes. Será que àquela idade tínhamos sabedoria, discernimento e compreensão de estar livres dos pais e da família, para vivermos sozinhos?
Hoje posso afirmar que não. O clube não tinha essa estrutura, que mencionei no começo, para não citar todas. O clube estava muito bem financeiramente, tinha um belo patrocínio, mas e a parte pscicológica, que nessa idade é fundamental para lapidar um futuro atleta com talento? Essa, infelizmente não esteve presente.

E hoje, continuamos sem?

Aos 17 anos fui jogar em Indaiatuba, com meu técnico número 4, onde joguei na equipe juvenil e adulta.

Com 18 anos fui parar em Jundiaí, na Associação Esportiva Jundiaiense com meu técnico número 5, uma sumidade, na minha humilde opinião. Colaborou muito, mas muito, com princípios que até hoje estão presentes em minha vida. Além é claro do excelente técnico de basquetebol que o país teve, principalmente no feminino.

Foi nessa equipe, onde permaneci por 3 anos da minha vida, que fui consagrado pela convocação para Seleção Brasileira Juvenil em 1996. Um detalhe importante quando falamos de estrutura, todos, todos os atletas e comissão técnica dormiam debaixo da arquibancada. Essa oportunidade agarrei com unhas e dentes e permaneci entre os 12 para a disputa do Campeonato Sulamericano no Equador, onde perdemos para a Argentina, com a ilustre presença de nada mais que Scola, que aos seus 16 anos fez 31 pontos, e Gutierez, que fez 29 pontos estando numa categoria inferior, e então perdemos de 30 pontos na final.

Aos 20 anos chega o Pinheiros. Meu técnico número 6. Na reunião com o Diretor X na época, para fechar o contrato verbal com o dirigente, ele me diz: Você quer realmente jogar aqui? E eu disse que sim, claro. Ai a indignação: Mas para jogar aqui precisa fazer parte da panela. Ahh, muito fácil. Fechado! Porém, era preciso matar um leão por dia. Tinha na equipe Guilherme Giovannoni, Marcio Cipriano, Holando, Breno, Danilo Padovani, Mortari Filho, Lucas Costa, Eduardo Carbonari entre outros. Foi um ano e meio de muita aprendizagem, mesmo porque além de todos esses craques, tive o prazer de ter, o hoje Doutor Alexandre Moreira, como meu preparador físico, que diga-se de passagem, o melhor que tive em toda minha carreira. Foram, épocas difíceis, onde treinávamos até 8 h diárias na pré-temporada. Havia dias que voltava para casa, na Rua Mario Ferraz, chorando, tentando me entender melhor nessa nova fase da profissão. Quando saí do Esporte Clube Pinheiros me deram a opção: você quer jogar ou estudar? E eu claro disse, estudar e jogar. Fui dispensado. Hoje acredito que foi uma forma elegante de me mandarem embora.

Pois bem, em 1999 comecei meu curso de graduação na Unip Bacelar. Foi o começo da historia da minha longa graduação. No final desse ano, terminei meu primeiro ano do curso. Nos primeiros 6 meses do ano de 2000 tive uma breve passagem pela equipe de Sorocaba, hoje LSB, e continuei treinando, e em agosto de 2000 fui jogar nos EUA. Com meu técnico número 7. Uma bolsa integral na Universidade Cristã de Abilene (ACU), onde permaneci por uma temporada. Jamais me esquecerei, treinávamos às 5 h da matina na pré-temporada.

Um basquete que já era muito forte fisicamente há 13 anos atrás. Uma estrutura de dar água na boca. Alojamento dentro do campus, uma universidade para 5 mil alunos, com praticamente todos os esportes Olímpicos, moradia, refeição, lavanderia e um espaço gigantesco dentro campus. Um sonho que vejo muito distante dentro do Brasil. O modelo do esporte universitário americano. Não temos essa capacidade?

Não temos infraestrutura? Não temos profissionais capacitados? Realmente uma Liga Universitária padrão FIFA?

Voltei para o Brasil e fui jogar em Suzano com meu técnico número 8. Uma grande equipe, conquistamos alguns títulos, porém o título mais importante seria o Paulista. Tínhamos feito a melhor campanha. Mas no último jogo do returno, teve uma briga em nossa quadra e perdemos um mando de jogo. Nas quartas de final, melhor de 3 partidas, jogamos contra Sociedade Hípica de Campinas. Primeiro jogo em Campinas, ganhamos de 30 pontos. Segundo jogo, como tínhamos perdido o mando de quadra, seria em uma quadra próxima de Suzano. Eu era o capitão da equipe, sugeri jogarmos em Mogi das Cruzes ou Jundiaí. Nosso técnico, arrogante na época, e se achando com um belo time, disse: vamos jogar em Campinas de novo e ganhar deles lá. Conclusão: um jogo de 3 h de duração, o jogo com maior tempo da minha vida, perdemos da 3 prorrogação. Quando voltamos para Suzano, para jogarmos a última partida, perdemos de um ponto. Objetivo não alcançado.

No ano seguinte tive uma proposta de São Sebastião, equipe do litoral norte de São Paulo. Fui. Com meu técnico número 9. Transferido para minha segunda faculdade, Faculdades Integradas de Caraguatatuba. Qual foi a proposta financeira? Com meu salário eu pagaria a Faculdade. Fim da história? Me pagaram um mês apenas. Até hoje não recebi o que tinha direito, porque na Justiça o Juiz interferiu na minha causa, por falta de provas. Estudei apenas 6 meses e, de sobra, meu nome foi ao Serasa por não pagar a faculdade. Graças a Deus, no segundo semestre de 2002 fui jogar em Casa Branca, interior de São Paulo, com meu técnico número 10. Ele me fez uma proposta razoável, para quem tinha acabado de tomar um prejuízo. O projeto era de classificar para o campeonato. Classificamos. Fui dispensado.

Desisti de jogar. Voltei para minha casa em 2003 e transferi mais uma vez a faculdade para CEUNSP, Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. Voltei a jogar de novo pela LSB, mas desta vez treinava de manhã, trabalhava à tarde e estudava à noite. Bem puxado. Fiquei na minha cidade por mais 1 ano e meio. Quando recebi a proposta novamente para sair na metade de 2004, desta vez, Americana Basquetebol com meu técnico número 11. Quando o basquete corre na veia, fica difícil a tentação.

Mais uma transferência, agora para a FAM, Faculdade de Americana. Proposta? Subir a equipe para elite do Basquete Paulista. Pra mim o objetivo era terminar a faculdade, garantia prometida pelo técnico. Campeão Paulista da Primeira Divisão, acesso garantido para a elite e mais uma vez a promessa se foi pelo ralo. Me dispensaram no meio do ano. Mais uma vez Graças a Deus, voltei para LSB com meu técnico número 12 no meio do ano e fui para minha quinta faculdade: Faculdade ACADEMIA de Sorocaba. Joguei a pela LSB com o objetivo de classificação para o Torneio Novo Milênio. Objetivo alcançado! Fui mais uma vez dispensado. Estava muito cansado. Desmotivado. Mas precisa terminar minha faculdade.

Aí me aparece meu técnico número 13 e último da minha vida profissional do basquete em 2006. XV de Piracicaba. Eu mal sabia quem estava por trás desse 13 técnico. Recebi minha melhor proposta, um salário para sobreviver, mais bolsa integral da faculdade UNIMEP de Piracicaba, e finalmente terminar meu nível superior com moradia e comida! Foi o ano! Mais uma vez Campeão da Primeira Divisão da Basquete Paulista, acesso garantido para a Divisão de Elite do Basquete Paulista, meu 4º título em Jogos Regionais. Entretanto, no meio do ano de 2007 Roberto Filleti, atualmente falecido, veio com a mesma história que todos os outros técnicos e dirigentes tinham me dito nos últimos 6 anos, mas faltavam 6 meses para fim do meu curso.

Estava desempregado, voltei a morar com minha mãe em Itu e precisava de mais seis meses para me formar em Piracicaba, cidade a 80 km de Itu. Dei meu jeito e, datado em março de 2008, saiu meu Diploma de Bacharel em Educação Física pela UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba).

E o Basqueteiro na Estrada? Continua por aí. Hoje moro em Natal/RN com minha mulher e meu filho.

Essa foi a introdução do Basqueteiro na Estrada.

Com certeza, muitas, muitas histórias virão nesse site junto do Esporte de nosso País.

Abraço

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