All Around: A Burrice e o QI de Basquete

NBA: Philadelphia 76ers at San Antonio Spurs

Saudações caros leitores do TimeOut Brasil!

Como o nosso querido site não é (ainda) um portal de grande porte, temos que dividir nossa vida com coisas mundanas. Com isso meus posts e análises andavam sumidos. Mas isso é passado e agora voltamos com chave de ouro, com mais um longo texto.

Dando continuidade as séries sempre descontínuas que começo, vamos falar de um dos principais atrobutos para se entender o basquete. Assim como falamos de potencial, quando o TimeOut Brasil ainda era um projeto saído do forno, falaremos de outro atributo de muita importância: o QI de basquete. Recomendo fortemente que leia o texto sobre o potencial também, um post muito bem feito, abusando da modéstia.

O objetivo aqui é buscar o entendimento deste quesito tão intrigante, abusando de dois jogadores: um com altíssimo QI de basquete, Tim Duncan; e outro com essa característica bem baixa, Russell Westbrook.

Não ter QI de basquete não significa que o jogador será ruim, muito pelo contrário, existem bons jogadores “burros” por aí. Mas jogadores com esse… “estilo” tendem a tomar decisões ruins em quadra.

Westbrook, por exemplo, é um jogador com um físico sensacional, que vai atropelar qualquer jogador que não conseguir conter toda aquela capacidade atlética fora do comum. O problema é que nem sempre a melhor escolha é ser agressivo em direção a cesta. Quando o marcador entende seu movimento, uma bandeja sensacional pode se tornar um turnover. West peca em tomar decisões, podendo terminar um jogo com um aproveitamento ridículo de arremessos, quando ele vai simplesmente driblar e driblar até forçar um arremesso ruim. Tudo bem que isso também envolve o eternamente criticado técnico Scott Brooks, com seu Playbook de três páginas.

Logo, vemos que a tomada de decisões sobre qual jogada usar é um ponto importantíssimo para o QI de basquete. Contudo esta parte da habilidade está mais relacionada aos armadores. Quando se trata de outras posições, além desta característica, existem outras com impacto igual ou maior. Sabemos que a posição de armador é muito importante pensar para escolher a melhor jogada para a equipe, trabalhando de melhor maneira para todos joguem bem. Resta ao jogador do Oklahama City Thunder usar alguns neurônios, que estão abandonados em seu sistema nervoso.

Mas se analisarmos um jogador como Tim Duncan, veremos até onde esta habilidade se expande. Duncan é de longe o jogador mais criativo em bloqueios fora da bola em situações de pick-and-roll, isolations ou qualquer movimentação ofensiva. Enxerga que movimento deve fazer para que seu companheiro ou ele próprio fique o mais livre possível para finalizar, ou mesmo passar a bola depois para alguém com mais liberdade ainda, naquele sistema de infinitos passes do Spurs. Sua inteligência em usar o corpo, passar a bola e cobrir espaços o torna um jogador muito inteligente, que faz os companheiros jogarem melhores, um típico Floor General.

Ter o poder de percepção de que com algum simples detalhe você pode tornar a jogada mais efetiva é ser inteligente, é possuir QI de basquete.

O San Antonio Spurs só funciona bem porque é uma equipe altruísta de alto QI de basquete. Os jogadores sabem que se passarem a bola, usando o extra pass, podem achar um companheiro mais livre. Boris Diaw é o melhor exemplo. Um jogador que notadamente tem problemas com peso, mas que faz isto passar desapercebido com passes geniais, arremessos de fora e inteligência para pegar rebotes e defender. Usar daquilo que o jogador tem de melhor é ter QI de basquete, desde que na hora certa.

QI de basquete não é algo que se adquire respondendo teste online. É preciso treinar, enxergar detalhes e, principalmente, cobrir suas deficiências usando aquilo que tem de melhor. Claro que a parte física é realmente importante para um jogador, com quase certeza que a maioria das pessoas que estão lendo esse texto preferiam ter Westbrook que José Calderón em seu time do coração.

Mas sabemos que se colocarmos o armador do Thunder e o inconfundível JaVale McGee em um mesmo time, veremos um recorde de tomadas de decisões erradas. As equipes vencedoras tem sempre jogador com alto QI  de basquete. LeBron James, Dirk Nowitzki, Tony Parker, Tim Duncan, Dwayne Wade, Chris Bosh, Jason Kidd, Kobe Bryant (este atualmente não vem usando a cabeça, mas quando usa…) são todos jogadores com alto QI de basquete que levaram seus times para conquistas.

Não existe uma equipe vencedora sem QI de basquete, ou mesmo uma equipe de basquete sem isto. Esta habilidade é importante para que seu time saiba jogar em conjunto, ou que simplesmente joguem basquetebol da maneira correta. Este atributo é tão relacionado ao jogo que é impossível que um jogador sem tal característica não seja divisor de opiniões. E, certamente, existe um fundo de razão nisso. Tanto que é recorrente esbarrar em um comentário do tipo “Ah! O Thunder deveria trocar o Westbrook por Rajon Rondo” ou “Coloquem o cara na 2”.

Jogadores inteligentes podem muitas vezes passarem desapercebidos, mas farão sucesso nas mãos dos treinadores. Muito gente não via a influência de Ricky Rubio e sua inteligência (apesar da deficiência em pontuar) para tornar o Wolves uma equipe melhor. É difícil entender porque Steve Blake é tao querido por técnicos, mesmo sendo apenas mediano. A eficiência invisível que Shane Battier tinha, já que não produzia estatísticas, mas tornava sua equipe melhor. Na realidade, são esses jogadores que viram treinadores. E esses caras que jogando no silêncio tornam seu time campeão, quando esquecem que existem estatísticas, com a única preocupação de fazer a equipe jogar melhor, de maneira eficiente e companheira.

Talvez ser inteligente seja sinônimo de ser vencedor.

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