Conhecendo o Leste Europeu: Sérvia

Divac Stojakovic

A  série mais descontínua do TimeOut Brasil volta mais uma vez para falar do querido Leste Europeu, semeador de craques de bola pelo mundo. Depois de falarmos da Lituânia e da Croácia, pararemos na Sérvia, terra de cestinhas como Peja Stojakovic, de pivôs passadores como Vlade Divac, de bons arremessadores como Vladimir Radmanovic, de jogadores medianos como Marko Jaric, de pivôs com rápido sucesso como Nenad Krstic, de talentos que nunca foram pra NBA como Dejan Bodiroga e de busts históricos como Darko Milicic. A Sérvia acabou de conquistar um vice-campeonato mundial ajudado pelo trombador Miroslav Raduljica e pelo melhor jogador fora da NBA, Milos Teodosic (em minha modestíssima opinião).

A Sérvia vem com ótimos jogadores, sendo que foi vice-campeã mundial sub-19 (perdendo de novo para os EUA)  no mesmo mundial que revelou os talentosos Dante Exum e Dario Saric. Nomes como Nemanja Bjelica, Milan Macvan, Bogdan Bogdanovic, Nikola Jovic, Vasilije Micic e Nemanja Dangubic já foram draftados e poderão aparecer em um futuro próxima na NBA, especialmente Bogdanovic, Bjelica e Micic.

No mundo das seleções, além do recente vice-campeonato no Mundial da Espanha, obteve um quarto lugar no Mundial de 2010. Antes disso somente enquanto Iugoslávia, algo que não será considerado aqui. Em EuroBaskets, foi vice-campeão na Polônia (2009). Resultados pouco expressivos é verdade, contudo vale lembrar de disputou campeonatos como Iugoslávia mesmo no século XXI, algo que realmente importa e influi muito nos resultados internacionais. Certo é que existe muita tradição neste país, que era a principal fonte de talentos para a Iugoslávia, pouco a frente da Croácia.

Já no maravilhoso mundo dos clubes a Sérvia se destaca muito bem (pelo menos se destacava). O último resultado expressivo foi do Partizan, que foi quarto lugar na temporada 1997-98. Entretanto o clube foi campeão em 1991-92 e terceiro lugar em 1987-88 e 1981-82. Dava um enorme trabalho para os principais clubes italianos, croatas, espanhóis e soviéticos, até que o dinheiro começou a ficar curto e tiveram que apelar para o trabalho de base e scout bem feito. Até andam se saindo bem, revelando os excelentes Bogdan Bogdanovic, Davis Bertans, Joffrey Lauvergne e Leo Westermann. Já passaram pelo clube nomes como Nikola Pekovic, Jan Vesely e Vlade Divac. A equipe sérvia conquistou 16 ligas sérvias, 5 ligas iugoslavas e 6 ligas adriáticas.

De importantes ainda temos o Radnicki da capital Belgrado, que acumula um terceiro lugar na Euroleague de 1972-73 e um único campeonato iugoslavo em 1973. Além do OKK Beograd, importante clube nas décadas de 1950 e 1960, quando foi terceiro lugar nas Euroleagues de 1958-59 e 1963-64 e quarto lugar na mesma competição na temporada seguinte, ainda sendo quatro vezes campeão iugoslavo em 1957–58, 1959–60, 1962–63 e 1963–64. Ainda temos o Crvena Zvezda (Estrela Vermelha para os mais íntimos), que possui ignorantes 12 títulos iugoslavos, 3 campeonatos sérvios e um mísero título da finada Saporta Cup, além de um terceiro lugar na Euroleague de 1972-73.

Como já citado mais acima no texto, alguns jogadores sérvios fizeram fama na NBA e outros poderão fazer, afinal talento é o que não falta naquele lado do continente fanático por basquete.

O jogador que mais traduziu talento em números na NBA se chama Peja Stojakovic, que teve sua camisa aposentada pelo Sacramento Kings, clube onde arrebentou e mostrou ser um arremessador como poucos vistos no mundo americano. Draftado na escolha 14 pelo Kings, começou a carreira no PAOK da Grécia, clubes pelo qual chegou a ter a médias de 23.9 pontos, 4.9 rebotes, 2.5 assistências e 1.2 roubadas de bola, antes de zarpar rumo a América.

No Sacramento, foi o principal cestinha de um time que jogava um lindo basquetebol e que até hoje reclama de um dos maiores erros da história da arbitragem americana. Em sua temporada mais significativa estatisticamente na NBA teve médias de 24.2 pontos, 6.3 rebotes, 2.5 assistências, 1.3 roubadas de bola, 43.3% dos arremessos do perímetro e 92.7% de lances livres. O sérvio de 2.08 metros de altura ainda jogou no Indiana Pacers, New Orleans Hornets (hoje Pelicans), Toronto Raptors e Dallas Mavericks.

No mesmo time do Kings em que Peja se destacou um outro sérvio também chamou a atenção. Um dos melhores pivôs passadores da história do basquetebol mundial, Vlade Divac teve uma carreira muito sólida nos Estados Unidos. Draftado pelo Los Angeles Lakers na escolha 26 do Draft de 1989, antes de aventurar na NBA, jogou no Sloga e Partizan, ambos da Sérvia, até desembarcar na Califórnia para curtir Hollywood e um mundo de holofotes e pressão.

Jogando com Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar, teve impacto em sua temporada de novato, com 8.5 pontos, 6.2 rebotes, 1.0 roubadas e 1.4 tocos em limitados 19.6 minutos de quadra, sendo importantíssimo para a internacionalização da NBA, como um dos primeiros estrangeiros a causar estrago na Liga. Muito versátil, chegou a ter médias de 16.0 pontos, 10.4 rebotes, 4.1 assistências, 1.4 roubadas de bola e 2.2 tocos pelos Lakers. Teve curta passagem pelo Charlotte Hornets até parar no Kings, quando seu instinto passador ficou ainda mais aguçado, chegando a dar 5.3 assistências por jogo na temporada 2003-04.

Além desses dois craques de bola, temos ainda Vladimir Radmanovic. Escolha 12 do Draft de 2001, recrutado pelo finado Seattle SuperSonics, Radmanovic tinha o arremesso como principal características, jogando de ala e ala-pivô. Em sua principal temporada como titular, teve médias de 12 pontos, 5.3 rebotes e 1.8 assistências com 37% de aproveitamento do perímetro. Entretanto já chegou a conquistar 44.1% de aproveitamento em tiros de três pontos, na temporada 2008-09.

Marko Jaric foi outro jogador importante no mundo da NBA. Titular em alguns clubes que passou, entre eles Los Angeles Clippers e Minnesota Timberwolves, teve sua melhor temporada no Clippers, em 2004-05, quando obteve médias de 9.9 pontos, 6.1 assistências e 1.7 roubadas, com 37.1% de aproveitamento dos arremessos de três pontos.

Mas claro, é impossível falar em Sérvia e NBA sem esquecer um dos maiores busts da história, Darko Milicic. O sérvio de 2.13 metros de altura foi escolha 2 de um dos drafts mais comentados de todos os tempos. Foi escolhido a frente de Chris Bosh, Carmelo Anthony e Dwyane Wade e jamais provou ter sido uma boa escolha. Por isso até mudou de esporte.

Pelo Detroit Pistons, franquia pela qual foi escolhida, não fez absolutamente nada de relevante, saindo de lá sem sequer obter médias maiores que dois pontos por jogo. Até que conseguiu bons momentos em Minnesota e pelo Orlando Magic. Sua melhor temporada, em 2010-11, obteve médias de 8.8 pontos, 5.2 rebotes e 2 tocos em 24.4 minutos. Mesmo assim, muito pouco para uma segunda escolha.

Atualmente, temos dois sérvios atuando na NBA, Nemanja Nedovic e Ognjen Kuzmic, ambos jogando de garbage team de suas franquias. Porém o futuro da Sérvia está em quem ainda não foi para lá.

Dentre as principais apostas vamos destacar Bogdan Bogdanovic, Nemanja Bjelica e Vasilije Micic.

O primeiro é um ala-armador com muita capacidade de passe e arremesso, que fez um excelente Mundial e que era a estrela do Partizan. Foi para o Fenerbahçe, mas não deve demorar para ir até os Estados Unidos. Em sua última temporada pelo Partizan teve médias de 14.8 pontos, 3.7 assistências e 3.7 rebotes na Euroliga. Foi escolha 29 do último Draft pelo Phoenix Suns.

Nemanja Bjelica, companheiro de Bogdanovic no Fenerbahçe, impressiona pela versatilidade. Com 2.09 metros de altura, pode jogar de ala-pivô aberto e ainda possui uma notória visão de jogo, além de uma habilidade incrível para alguém de seu tamanho. Na última temporada pela Euroliga conquistou médias de 10.4 pontos, 6.1 rebotes, 2.2 assistências, 1.6 roubos de bola e 41.6% de aproveitamento de três pontos. Foi escolhido pelo Washington Wizards no Draft de 2010 na escolha 35, mas agora seus direitos pertencem ao Minnesota Timberwolves.

Micic é um armador puro, que gosta de passar bola, com notória visão de quadra. Foi destaque da Sérvia nos últimos mundiais de categoria de base e tem tudo para dar certo na NBA. Foi escolhido na 52° escolha do último Draft, pelo Philadelphia 76ers e pode ser que demore para ir até a Terra do Tio Sam. Em sua última temporada pelo Mega Vizura, teve médias 12 pontos e 5.5 assistências.

E aí galera, gostaram? Não deixem de comentar! Nossa próxima parada é a Rússia.

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