Desafios do Esporte: o marketing das quadras

basket_1

Você já tentou comprar uma camisa do seu time de basquete no Brasil, ou mesmo da seleção, mas nunca viu para vender? Se a sua resposta é “não”, como imagino, você vai saber o porquê de não ter conseguido e entender um pouco do que se passa nos bastidores do marketing do basquetebol brasileiro nesta segunda matéria da série Desafios do Esporte, iniciada sexta-feira (26), aqui no TimeOut Br.

A dificuldade na aquisição do uniforme do time é apenas a ponta de um iceberg inteiro de problemas na atual conjuntura dos esportes amadores nacionais. Sim, porque as dificuldades relacionadas ao setor de marketing dos clubes e da CBB não são exclusividade do basquetebol, mas também do handebol, do atletismo e até mesmo do vôlei, considerado o segundo esporte mais querido do Brasil.

Pela popularidade e profissionalismo do futebol, já se pode notar o quão importante é o papel do profissional de marketing num clube. O setor é estratégico para a promoção e divulgação da equipe e dos campeonatos, o que, obviamente, significa gerar a receita tão necessária para pagar as contas. A ausência ou omissão desse representante é fatal para qualquer time que se preze.

selecao

Há poucos dias, a recém-criada equipe feminina do Clube Vizinhança, de Brasília (DF), anunciou a saída da Liga de Basquete Feminino (LBF), em virtude da séria crise financeira da instituição. “Não tem mais de onde tirar. Já fizemos tudo o que pudemos e nada aconteceu”, declarou o presidente Gerson Dias ao Jornal de Brasília, que recorreu à Federação Brasiliense de Basquete e até mesmo ao Governo do DF, sem sucesso.

A realidade do Vizinhança, infelizmente, é uma constante Brasil afora. São inúmeros os obstáculos para manter um time competitivo e até realizar torneios para que ele participe. Seja pela escassez de equipes ou pela dependência cada dia maior dos patrocinadores, o esporte sobrevive mesmo é da paixão de quem o faz.

Por outro lado, recente a parceria da NBA com a NBB, que deve ser anunciada em alguns dias, promete revigorar o basquete masculino. O interesse da liga americana no Brasil não é à toa. Segundo o Ibope, 37% dos brasileiros se dizem fãs de basquete, mas boa parte não acompanha o esporte no âmbito nacional por causa do descaso com que é tratado no país.

Isso significa, portanto, que existe uma fatia considerável do mercado pouquíssimo explorada, um pote de ouro solenemente ignorado pelos gestores esportivos brasileiros e super cobiçado pela NBA, claro.

flamengo

Segundo uma pesquisa realizada pela Brunoro Sport and Business (BSB), empresa da área de gestão e negócios, o marketing esportivo movimentou cerca de R$ 665 milhões no Brasil, ano passado, distribuídos entre futebol (68%), vôlei (16%), basquete (9%) e futsal (7%). O setor só cresce no país, mas necessita de investimentos mais equilibrados entre as modalidades.

Os times e atletas precisam ser vistos como produtos de mídia, para que a captação de patrocínio seja realizada com base num planejamento de marketing estruturado, resultando em benefícios tanto para os clubes (e seleção) quanto para os investidores. Obviamente, o trabalho nas categorias de base seria fundamental nesse processo, pois garantiria que as equipes se mantivessem competitivas, ainda que diante de uma eventual falta de patrocínio.

Para os times de basquete pertencentes aos clubes de futebol, a situação é ligeiramente mais confortável, já que podem pegar carona na marca e agregar a torcida já consolidada nos campos. É o caso do atual campeão intercontinental Flamengo e do Sport Clube do Recife, capazes de lotar seus ginásios facilmente em dia de jogo. Na capital pernambucana, as finais da LBF disputadas pelas meninas, em 2013 e 2014, pararam a cidade, como há muito tempo não acontecia.

sport

Apesar do sucesso com a torcida, é quase impossível encontrar artigos esportivos dos times para vender nas lojas oficiais, com a exceção do Flamengo. Camisas da seleção brasileira, então, nem se fala. A Nike, fornecedora oficial do uniforme verde e amarelo, já justificou a falha, pelo canal do consumidor, dizendo que o produto está fora do mercado há anos. Quer dizer, o amadorismo não se restringe apenas ao clubes, mas à entidade máxima do basquete brasileiro, a CBB, que segue tratando o esporte sem a seriedade que ele merece.

%d blogueiros gostam disto: