Como será o Inverno de Dante?

Utah Jazz Special Olympics

Amigos,

Ao analisarmos o Draft realizado em junho no moderníssimo Barclays Center, várias perguntas podem ser feitas, como é usual no período entre o recrutamento e a temporada regular.  É natural discutir se Jabari Parker não teria sido uma melhor primeira escolha do que Andrew Wiggins. Pode-se reclamar do Philadelphia 76ers optar pelo lesionado Joel Embiid e pelo promissor, mas “demorado” Dario Saric. Dá tranquilamente para se questionar a atitude do Chicago Bulls em trocar picks 16 e 19 pela pick 11 e a consequente opção por Doug McDermott. Da mesma forma, soa válido avaliar se Noah Vonleh e Julius Randle decepcionarão ou se as críticas a ambos até aqui soam exageradas.

Enfim, toda uma gama de indagações pode ser feita e poucas respostas encontraremos por agora, principalmente após Ligas de Verão que não deram grande destaque a nenhum dos calouros dessa classe.

Mas se formos eleger o maior mistério de todos, ele tem nome de poeta e sobrenome que lembra o mais humano dos Orixás. Estamos referindo-nos ao australiano de Melbourne, Dante Exum, de apenas 19 anos, recrutado na quinta escolha pelo Utah Jazz.

O motivo de tanto mistério perpassa principalmente pelo fato de Exum não ter atuado pela NCAA, o que que causa ainda mais dúvidas quando estamos falando de um armador. O atleta, com 1,98m de altura e 89 kilos, é extremamente veloz e com uma rara capacidade de mudar de direção, mesmo sob alta velocidade rumo a cesta, o que levou alguns jornalistas espanhóis a compará-lo ao futebolista Lionel Messi. Efetua jogadas de pick and roll com absurda maestria para a idade e possui privilegiada visão da quadra.

Além disso, o australiano tem muita plasticidade no jogo e uma parte do mistério é saber se o jogador conseguirá transportar esse jogo cheio de malabarismos para a NBA, liga que está vários patamares acima dos torneios e campeonatos disputados por Dante na Terra dos Cangurus.

Não tão misterioso é o seu jogo defensivo.  Alguns analistas inclusive entendem que Exum se sairia melhor na NBA atuando na Posição 2, principalmente em matchups contra armadores mais robustos fisicamente. De qualquer sorte, não pode ser descartado como um bom defensor, até pela sua considerável envergadura que beira 2,10m e sua já decantada velocidade, que pode ser muito útil por exemplo contra franquias que estejam posicionadas em small ball.

Pela seleção australiana, Exum chamou muita atenção no Mundial Sub-19 de 2013, obtendo expressivas médias de 18,2 pontos, 3,8 assistências e 3,6 rebotes. Nos EUA, teve elogiada atuação na Nike Hoop Summit daquele ano.

Como já citado acima, se o material de atuações de Dante é notável, sabidamente ainda não atuou em nada que se compare à NBA. Mesmo em relação à NCAA, o gap é elevado e a intensidade do jogo é bastante distinta . E jamais podemos desprezar que o jogador sequer chegou ao vigésimo aniversário. Como bem descrito por Zachary Arthur, colunista do Bleacher Report, “ele é apenas uma criança”.

A verdade é que um grande suspense ronda Salt Lake City e entreolha muitos fãs do melhor basquete do mundo. Será que Dante  fará jus ao famoso artefato de sua terra natal e será apenas mais um bumerangue na NBA, indo e voltando do banco do reservas, sendo no máximo um bom backup para Trey Burke? Podemos acreditar que o jogador tem realmente potencial para mesclar as características de Tony Parker e Derrick Rose, objetos de analogia ao australiano por alguns analistas? Ou o mistério durará ainda mais algum tempo, antes de podermos decifrar Dante Exum?

A única certeza é que esse próximo inverno nos dará algumas pistas. Boa sorte ao novato…

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