O drama da seleção no Mundial Feminino

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Após 20 anos do título inédito do Brasil na Austrália, a seleção feminina estreou, nesse sábado (27), com derrota no Mundial da Turquia. O time das experientes Érika, Damíris e Adrianinha levou outras sete jovens jogadoras estreantes na bagagem, prometendo transformar a passagem pelo campeonato em mais uma etapa do longo (e aguardado) processo de renovação anunciado pela CBB.

No primeiro jogo, contra a República Tcheca, o Brasil abriu o placar com 5 pontos de diferença no início da partida, mostrando que, apesar de tudo, o time parecia afinado com o propósito de fazer o seu melhor. Mas, com precisa leitura de jogo, as tchecas reagiram e consolidaram os 10 pontos que mantiveram durante os quatro períodos a frente do Brasil. Placar final foi de 68 x 55 para a República Tcheca.

Segundo o técnico Luiz Augusto Zanon, a meta principal da participação brasileira no campeonato é agregar experiência ao currículo das jogadoras, preparando-as, sobretudo, para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, porém, a aguardada reação brasileira não aconteceu e o time experimentou a segunda derrota para a atual campeã europeia Espanha, no domingo (28), por 83 x 56.

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Muito se fala a respeito da negligência dos dirigentes em relação ao basquete feminino, que, outrora motivo de orgulho para o país, tem amargado um ostracismo desde o início dos anos 2000. É indiscutível que a CBB virou as costas para a seleção feminina com o troca-troca de treinadores, o entra-e-sai de equipe técnica e, claro, a deficiência de infraestrutura e de incentivos às atletas de base. Tudo isso é verdade. Mas não podemos ignorar que a atual formação do time é composta por meninas muitíssimo talentosas, de altíssimo nível, destaques não só da Liga de Basquete Feminino (LBF) como também da WNBA.

Lembremos também que a situação estrutural da seleção em 1994 era tão complicada quanto a de agora. A diferença é que o Brasil contava, pela primeira vez em sua história, com um “dream team” de jogadoras incríveis e com muita garra. Eis, pois, o tempero que não enxergo na seleção de 2014. Já tive a chance de assistir jogar ao vivo e a cores praticamente todas as meninas que estão na Turquia. Em todas as ocasiões, sem exceção, vi o sangue no olho de cada uma delas em busca da vitória pelos seus respectivos times. Só não enxerguei ainda nos jogos da seleção brasileira.

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A descrença generalizada – inclusive da CBB – parece gerar uma aura de derrota antes mesmo de entrarem em quadra. É visível (e triste) a falta de entrosamento e motivação das jogadoras. Nós temos um time primoroso que não se dá conta de seu próprio poder, sob a tutela de uma instituição omissa, provocando a consequência óbvia que acaba estampada no placar final de cada partida. A camisa da seleção não parece ter o mesmo peso que antigamente.

Outra questão essencial, básica, elementar, inadmissível e crônica no time brasileiro é o PÉS-SI-MO aproveitamento nos arremessos. De qualquer tipo. Lance livre, da linha dos três, do garrafão, da zona morta, etc, etc, etc. Gente, sério, como pode isso??? Um time de jogadoras profissionais com um aproveitamento médio entre 35% e 40%???? Sendo o Brasil um time tradicionalmente de baixa estatura em relação aos demais, é fundamental que se tenha outros atributos compensatórios e o arremesso é um deles.

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Cada vez que vejo lances livres sendo desperdiçados e air balls chutadas aleatoriamente, sem sequer encostarem no aro, uma lágrima ameaça escapulir dos meus olhos. Trata-se de um fundamento básico, gente. Até eu, no time de escola, era forçada a treinar arremessos, todos os dias, até a exaustão. Sinceramente, a gente entende todas as dificuldades, mas essa daí não dá para tolerar. Em todo caso, ficamos aqui na torcida para que as meninas reajam, ergam a cabeça e mostrem o basquete que têm na veia contra o Japão, nesta terça (30). O vencedor da disputa segue para a próxima fase do Mundial.

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