Desafios do Esporte no Brasil: Iniciação Esportiva

Seleção Brasileira

Mais novidades para os leitores do TimeOut Brasil! Está começando agora uma série de matérias que pretende perdurar por muito tempo nesse humilde site, nomeada de “Desafios do Esporte no Brasil”. Ela tem por objetivo debater a situação precária das práticas esportivas no Brasil, chamando a atenção principalmente para o basquete, destacando problemas e apresentar fatos que podem ajudar ou servir de sugestão para uma melhoria do sistema desportivo. A série será dividida por temas e tem prazo até as Olimpíadas. Ela não deve se esgotar, até porque temos muitos problemas relacionados a essa questão por aqui.

Abrimos a série falando sobre iniciação esportiva, porque grande parte dos problemas vem lá de trás, quando ainda estamos iniciando nossa vida escolar.

Fazendo um exercício de memória, lembrando lá do seu passado, vemos o obscuro mundo da educação física escolar, esta que deveria ser a grande responsável por nossa iniciação esportiva. Mas o que vemos por essa bandas é um completo despreparo para que essa disciplina cumpra seu real objetivo. Deveria ser ainda nas escolas o lugar onde os profissionais do ramo iriam observar e desenvolver qual menino/menina tem ferramentas para atuar em determinada área esportiva ou que estivesse despontando frente aos demais.

Mas o que ocorre é a banalização da educação física. Os meninos são normalmente postos para jogar futebol e as meninas handebol. A falta de variação do cardápio é preocupante. Não que só se resuma a isso, afinal é comum ter basquetebol e voleibol nas escolas, mas sem a devida atenção que talvez merecessem.

Fato é que para os meninos se desenvolverem eles necessitam jogar nas categorias de base dos clubes, dependendo da sua vontade (ou a da sua família) para que ele inicie em algum esporte. Não existe um trabalho para entender a aptidão, algo que é importantíssimo para descobrir nossos talentos. É nos tempos de criança que devem se conhecer os esportes, mostrando, de preferência, várias opções.

Acontece que nem todos os garotos vão para as categorias de base, com todo o talento que eles a seu dispor dando sopa, enquanto está longe da atividade.

Aí que os Estados Unidos nos dão um show, com um sistema ultra competitivo desde High School até as universidades. Lá o esporte está sempre ligado as instituições de ensino, com técnicos preparados e que entendem as táticas. O Instituto de Esportes Australiano também vem colhendo ótimos resultados com investimentos certeiros. Boa parte dos profissionais de educação física, principalmente em escolas públicas, sequer tem conhecimentos mais avançados sobre determinadas práticas.

Claro, estamos muito longe do patamar americano, porém é importante que o professor quando for colocar os meninos para jogar basquete, saber o que é pelo menos um Pick and Roll e ensinar os meninos a arremessar da melhor maneira. Em minhas aventuras pelas escolas sequer tive isso, assim como provavelmente a maioria dos leitores que estão lendo este texto. Apenas distribuem-se os meninos para cada lado e coloca-se eles para jogar um “rachão”, sem qualquer atitude mais didática.

Estamos sempre refém do cara que é apaixonado por determinado esporte e coloca seu filho para jogar, ou o menino conhece a prática por outra maneira, se interessa e, a partir daí começa a praticar a atividade com mais regularidade.

Nisso estamos citando apenas o basquete. Estou cansado de ver o modo com que o atletismo é tratado. Não é raro ver histórias de atletas que não conheciam o esporte, tinham sua profissão, mas por um acaso caem nesse barco. Se tivessem conhecido a prática antes, com certeza estariam muito melhores preparados, mais fundamentados, com a parte técnica e física muito mais apurada.

E é assim com muitos outros esportes. A ausência de diversidade e a falta de profissionais preparados e especializados parecem condenar um país de 200 milhões de habitantes a lugar medianos em Olimpíadas. Com a quantidade de tipos físicos que existem nesse país temos condições de formas atletas em várias áreas, porém falta o investimento certo, colocar todas as opções dentro do mundo escolar.

As confederações deveriam enxergar isso, investir no esporte nas escolas, acompanhar de perto as competições escolares, ou mesmo tornar esses torneios muito mais competitivos. Investimentos destinados a essa área poderiam ter um retorno muito positivo.

Existem exceções, colégios e projetos que incentivam o esporte, que contratam gente especializada  nas áreas para desenvolverem os meninos. Contudo são exceções, estamos dependentes delas. As Olimpíadas do Rio está chegando e parece que amargaremos o mesmo insucesso recente.

Que nossos dirigentes (alô CBB) fiquem atentos a essa área, talvez esteja aí o começo para uma nova realidade olímpica. Esperamos que o pessimismo que contaminou esse texto se torne em otimismo se as devidas partes tentam trabalhar nesse país recebam maior apoio e consigam agir com maior precisão, usando os recursos da melhor maneira possível para a iniciação no esporte ser nosso verdadeiro celeiro de talentos.

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