Conhecendo o Leste Europeu: Croácia

Croácia

Chegou a hora! Depois de um longo tempo a série sobre o leste europeu vem para encher os leitores do TimeOut Brasil de alegria. Depois de falarmos da terra do sabão do Mussum (entendedores entenderão, mas o raciocínio é difícil) chegou a hora de falarmos da Croácia.

Esse pequeno país já foi parte da antiga Iugoslávia, que deixou o basquete um pouco mais rico ao se dividir em vários outros países. Dentre as nações surgidas depois de seu fim, a Croácia e a Sérvia disputam o título de país mais relevante. Tanto um como o outro já deixaram vários talentos para a NBA, mas os croatas contam com o caso mais trágico e horrível para os fãs de basquete.

Mas antes de chegar nessa parte, começaremos pelo começo e pelo pleonasmo. O país da bandeira da toalha de mesa sempre frequenta as competições FIBA com algum destaque, mas as glórias do país estão mais ligadas a antiga Iugoslávia, de brilho próprio, ainda muito pouco.

Entre os resultados conquistados pela Croácia, temos 2 bronzes em EuroBaskets (1993,1995) e um quarto lugar (2013), um bronze na Copa do Mundo de 1994 e uma prata nas olimpíadas de 1992, quando perderam pro apelativo Dream Team.

Contudo, há muito talento por aquelas bandas, possuindo jogadores do calibre de Drazen Petrovic e Toni Kukoc. E não se engane, não só do passado vive essa nação, pois a revelação de talentos não para, com uma geração talentosa por vir. Nomes como Bojan Bogdanovic, Dario Saric e Mario Hezonja tem tudo para se darem bem em solo americano. Saric tem condiçaõ (em minha humilde opinião) de ser o próximo estrangeiro mais talentoso da NBA desde a geração de Pau Gasol, Dirk Nowitzki, Tony Parker e Andrei Kirilenko, mas isso é papo pra daqui a pouco.

Fato é que as terras por lá são razoavelmente abençoadas por alguns talentos, mas os resultados ainda andam tímidos. Talvez a aposta esteja nessa futura geração mesmo.

Todavia, os clubes de lá já tiveram bastante resultados. KK Split, KK Zadar e KK Cibona já foram todos campeões ou tiveram seus momentos de fama pela Euroleague, quando estes contavam com um orçamento melhorzinho e a Iugoslávia tinha grande destaque do cenário internacional.

O KK Split, que se cansou de mudar de nome, ganhou entre outros títulos 3 Euroleagues, quando um tal de Toni Kukoc jogava por lá. Atualmente o time da cidade de Split passa por severas dificuldades no cenário europeu, apesar de ter algum brilhareco na competições domésticas. Mas o clube dificilmente voltará a ter o destaque que já teve.

O KK Zadar foi quarto lugar na Euroleague da temporada 1986-1987, além de ter ganhado a Adriatic League de 2003. Muito pouco em relação ao Split, mas já tentou dar um trabalhinho.

O KK Cibona domina o cenário nacional. O time da capital Zagreb possui ignorantes 18 títulos croatas (1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2004, 2006, 2007, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013), 2 Euroleagues (1985 e 1986) e 1 Adriatic League conquistada este ano. Além disso foi quem mostrou ao mundo o lendário Drazen Petrovic, tão importante quanto os títulos que o clube conquistou.

Agora chegamos a parte mais legal do post! Vamos falar dos jogadores croatas de destaque que uma vez pousaram (ou pousarão) na terra do Tio Sam.

O basquetebol croata não seria o mesmo sem Drazen Petrovic. Quando o pequeno Drazinho ainda jogava no Cibona, cansou de encher os olhos dos fãs com atuações espetaculares. Nos 4 anos que jogou no Cibona, teve médias de 37.7 pontos no âmbito nacional e 33.8 pontos no mundo europeu, sendo que várias vezes fez 40, 50 e até 60 pontos em um jogo. Atuações de 51 pontos e 10 assistências (10 bolas de três, sendo 7 seguidas), 45 pontos e 25 assistências e outras mais surpreendiam o mundo e mostrava que ele estava pronto para encarar a NBA. Mas antes de ir pros EUA, jogou no Real Madri e aprontou das suas com partidas de 62 pontos e encheu os corações espanhóis de bolas de três pontos. Aí sim era hora de partir pra um desafio maior.

Petrovic havia sido escolha 60 do draft de 1986 pelo Portland Trail Blaizers. Assim que decidiu ir para outras bandas,  Drazen disse “#partiuripcity”, para lá afundar no banco. Jogando pouquíssimo tempo de quadra, teve médias de 12.6 e 7.4 minutos nas duas primeiras temporadas, mesmo com 45.9 % do perímetro na primeira. Não seria em Portland que nosso amigo croata vingaria e logo ele se foi para New Jersey.

Nos Nets, Drazen mostrou todo seu talento, com 12.6 pontos em limitados 20 minutos de quadra. Porém na temporada seguinte fez estrago, com 20.6 pontos, 3.1 assistências, 1.3 roubos de bola, 50.8% de Field Goal e 44.4% da linha de 3 pontos.Petrovic se transformou no melhor jogador da equipe. Na temporada seguinte ainda faria melhor, com 22.3 pontos, 3.5 assistências, 1.3 roubos, 51.8% dos arremessos de quadra e 44.9% do perímetro. Vinha sendo avassalador, chegando próximo ao auge e compondo o All-NBA 3rd Team.

Pelo mundo das seleções, ganhou um EuroBasket e um campeonato mundial, em 1989 e 1990, respectivamente, além de ter sido prata nas Olimpíadas de 1992 contra o Dream Team e nas olimpíadas de 1988.

Petrovic tinha tudo para arrebentar mais alguns anos, entretanto foi ele o arrebentado. Aos 28 anos Drazen Petrovic morreria em uma acidente de carro, deixando sua família, a Croácia e New Jersey de mãos abanando. Sem dúvida foi um dos casos mais trágicos na história do basquetebol moderno. A mesma discussão feita com Arvydas Sabonis vale para Petrovic, mas de maneiras diferentes. Se não vimos Sabonis no auge na NBA, também não acompanhamos o que seria do craque croata em seu auge técnico, ao redor dos 30 anos.

Outro croata de grande prestígio na NBA foi Toni Kukoc. Com 2.11 metros de altura, o “gigante” tinha uma versatilidade incrível para alguém de seu tamanho. Jogava na ala, mas poderia jogar com facilidade em qualquer posição. Suas principais características eram a visão de quadra e a versatilidade. Traduzindo em números, obteve médias de 18.8 pontos, 7.0 rebotes e 5.3 assistências, em sua temporada mais produtiva na NBA (1998-1999).

Antes de viajar para os Estados Unidos, Kukoc conquistou 3 Euroleagues pelo KK Split. Depois disso transferiu-se pro italiano Treviso, sendo ele o craque do time. Seu destaque na Europa era tamanho que não passou desapercebido pelos olhos estadunidenses, culminando na escolha 29 do draft de 1990, pelo Chicago Bulls.

Kukoc entre outros feitos ganhou o título de Melhor Sexto Homem na temporada 1995-1996, quando o Chicago teve a histórica campanha 72-10. Pelos Bulls, Toni ganhou 3 títulos, seus únicos pela NBA.

Pela seleção, foi campeão mundial pela Iugoslávia em 1990, sendo MVP da competição. Ainda acumula duas pratas olímpicas, uma pela Croácia (1992)  e outra pela Iugoslávia (1988).

Atualmente, a NBA conta com 2 croatas, o ala Damjan Rudez e o ala-armador Bojan Bogdanovic.

O primeiro é o típico especialista de 3 pontos europeu. Rudez deu a “sorte” de chegar  nos Pacers quando Paul George se lesionou, deixando um vácuo na posição 3. Contudo o que se espera é que ele faça parte apenas da “galera da toalhinha”.

Já o Boj-Bog chega pra ter algum espaço no Brooklyn. Excelente scorer a nível europeu e possuidor da “Síndrome de Kobe”, o croata é meio fominha, mas tem recursos no ataque, além de um bom arremesso. A saída de Shaun Livingston e Paul Pierce abrem amplo espaço na rotação, podendo ser até titular. Bojan tem recursos e espaço para dar certo na América. Pode ter sido excelente negócio pros Nets.

Ainda existem dois jovens talentos que podem integrar com tranquilidade elencos na NBA. Se chegarem ao potencial esperado deles, podem se tornarem All Stars. Estamos falando Dario Saric e Mario Hezonja.

Saric já é uma estrela na Europa. Até se comporta com certo ego inflado, porém o que esse garoto tem de basquete é impressionante. No mesmo Mundial sub-19 que revelou Dante Exum, Saric foi MVP da competição com médias de 20.3 pontos, 11.2 rebotes, 4.9 assistências e 1.3 tocos. Estes números compravam sua versatilidade, chamando a atenção dos diversos olheiros espalhados pelo mundo.

Foi selecionado pelo Sixers no último Draft, na Pick 12, mas só deve vir para a NBA mais tarde, daqui a dois anos, por ter assinado um contrato com o Anadolu Efes da Turquia. Seu conjunto de habilidades intrigantes, entre elas um controle de bola assustador para alguém de 2.08 metros, mostram que ele pode se tornar um dos grandes astros da liga daqui a alguns anos, porém tudo isso depende de sua adaptação ao jogo americano.

Mario Hezonja pertence a escolinha do Barcelona e promete usar seu atleticismo para muitas enterradas e jogadas sensacionais. Tem um potencial incrível, basta saber aproveitá-lo. Nos Mock Drafts da vida aparece como escolha de loteria pro próximo Draft, embora careça de tempo de quadra na Catalunha.

O que podemos notar é que a Croácia produz e continua produzindo seus intrigantes prospectos. Se no futuro fatalmente os Estados Unidos ganharão todas as competições (como sempre), pelo menos os croatas estarão ali para tentar dar um trabalho.

Viva o basquete e que venha a Sérvia!

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