20 anos do título Mundial Feminino

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Há 20 anos, a seleção brasileira arrumava discretamente as malas e embarcava sem muito estardalhaço rumo ao Mundial de Basquete Feminino na Austrália. Na bagagem, o time carregava o sétimo lugar nas Olimpíadas de Barcelona (1992) e a medalha de ouro conquistada no Panamericano de Cuba, em 1991, pelo que foi o “dream team” liderado por Hortência, Magic Paula e Janeth.

As chances de levar o título não eram lá tão grandes. O Brasil precisaria encarar – literalmente – as gigantes chinesas, as donas da casa australianas e, claro, as imbatíveis norte-americanas. A pressão era enorme, mas a seleção tinha consciência de seu potencial e acreditava que poderia, sim, chegar mais longe do que se imaginava. Assim, munidas de talento e confiança, elas estrearam com vitória sobre Cuba, no dia 7 de junho, por 111 x 91.

O segundo embate foi contra a China. O time da grandona Zheng Haixia conseguiu ultrapassar o Brasil com uma vitória apertada de 97 x 90. A derrota, no entanto, funcionou como mola propulsora para as brasileiras, que, logo em seguida, enfrentaram a temida Espanha de Blaca Ares. Após as espanholas permanecerem a maior parte do tempo na frente do placar, o Brasil reagiu, nos últimos segundos, e virou o jogo depois de uma cesta certeira e sensacional de Paula, arremessada quase do meio de quadra. A seleção levou um dos placares mais sofridos do campeonato (92 x 87).

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Superada a Espanha, o próximo obstáculo atendia pelo nome de Estados Unidos. Nesse jogo, as pivôs Ruth e Alessandra foram fundamentais para garantir a vaga do Brasil na final, marcando cerrado e arrasando nos rebotes. As norte-americanas não contavam com um jogo tão equilibrado e foram pegas de surpresa com o desempenho impecável das brasileiras. Ponto a ponto, o Brasil quebrou um tabu, desbancou os EUA e foi para a final com 110 x 107. No vestiário, Magic Paula encorajava as colegas. “Já que chegamos até aqui, bora ganhar?”.

Adriana, Alessandra, Ruth, Helen, Hortência, Roseli, Janeth, Dalila, Leila, Cíntia e Simone entenderam bem o recado de Paula. O adversário era novamente a China, que havia derrotado as meninas na primeira fase, mas não importava. A certeza da vitória brasileira estava acima até mesmo da “pivô-Golias” Zheng Haixia. Com os arremessos precisos de Janeth, Hortência e Paula, a seleção praticamente varreu as chinesas do caminho, deixando-o livre para o lugar mais alto do pódio, um pódio, pela primeira vez, verde-amarelo.

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A conquista do Mundial de 1994, festejada até hoje, é sem dúvida alguma um marco no basquete feminino nacional e merece ser lembrada sempre, inclusive, como motivação para as novas gerações do esporte. Às vésperas de estrearmos no Mundial da Turquia, em 27 de setembro, vale a refletirmos sobre a necessidade de a seleção feminina se reinventar e fazer jus à sua história. Claro que isso não diz respeito apenas às atletas, mas ao modelo de gestão interna da CBB. Esperamos que as nossas meninas inspirem-se no “dream team” de 94 e façam uma campanha memorável na Turquia.

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