Geração Perdida?

Seleção Brasileira 2014

Ao acabar o jogo entre Brasil X Sérvia é impossível não refletir sobre o que acontecerá de agora em diante com o basquete brasileiro. O resultado foi duro, difícil de digerir, porém, não podemos jogar fora o torneio que o Brasil fez. Foi bem na fase de grupos, perdendo apenas para a Espanha e ganhando dos temidos europeus. O mais importante, jogou bem, principalmente na defesa, apesar do ataque ainda claudicante. Venceu a Argentina nas oitavas, seu maior algoz nos últimos anos.

Enfim, a Seleção Brasileira era favorita, tinha um time mais forte e já havia vencido este mesmo adversário na fase de grupos. A maioria da torcida já esperava o bronze, mas o sonho dessa geração aparentemente para por aqui.

O elenco que foi para Espanha era velho, com apenas Raulzinho abaixo dos 28 anos. O que traduz que tínhamos um time muito experiente, mas que vinha de fracassos e mais fracassos. Nenê, Leandrinho e Varejão já apontam seus trinta e poucos anos, Splitter está quase lá. Nomes como Larry Taylor, Guilherme Giovannoni e Marcelinho Machado dificilmente estarão na seleção novamente. Alex também já não está na flor da idade, mesmo aparentando um vigor invejável.

Esta geração calejada veio cheia de expectativas e recheada de jogadores da NBA, possuindo um garrafão invejável.

Mas o que significa esta derrota para essa geração?

Não podemos dizer que foi uma geração perdida. Em torneios de mata-mata o esporte não perdoa erros. Essa não é nem a primeira nem a última geração de algum time, seja lá qual esporte, que passa em branco quando há expectativa em torno dela. Quem se lembra do Carrossel Holandês dos anos 70, do Brasil de 82 e da Hungria de Puskás (este último em relação à Copa do Mundo de 1954)? Isso só para citar o futebol.

Claro, ficou abaixo do que podia. Mas em um esporte que onde jogar bem é sinônimo de vitórias, qualquer mata-mata é perigoso, ainda mais no mundo das seleções, por não existir série de Playoffs.

Se Splitter e Huertas ainda tem bola para queimar, todavia não se pode dizer o mesmo de Leandrinho, Varejão e Nenê. O histórico de lesões (principalmente do jogador do Wizards) e/ou a idade podem complicar muito a longevidade de suas carreiras.

Estamos próximo de ver o fim desse time. Pode ter sido agora. Pode ter um respiro a mais. Fato é que a geração não foi perdida, afinal teve seu sucesso fora do mundo dos torneios FIBA. Caso de Splitter, primeiro brasileiro campeão da NBA.

Essa derrota pode ter significado que foi uma geração talentosa, mas que não traduziu seu talento em resultados internacionais.

Mas temos que olhar para o lado e ver que não fomos os únicos agraciados com talento nos últimos anos. A Argentina teve uma geração muito boa e que conquistou títulos importantes, como as Olimpíadas de Atenas. A  Espanha vem revelado muitos talentos e mesmo conquistando outros por naturalizações (Mirotic e Ibaka). A França de Tony Parker e Noah. Se formos pegar a fundo, a Itália tem seus talentos e sequer foi ao Mundial (Bargnani, Gallinari, Belinelli). Fora um tal TEAM USA. Só uma equipe ganha um campeonato e, infelizmente, títulos importantes não vieram para cá.

Entretanto, agora é hora de olhar para o futuro. Começando por melhorar a gestão da CBB, uma entidade desorganizada e ineficiente, para fortalecer mais o NBB, mesmo ele já evoluindo nos últimos anos. Melhorar nosso trabalho de desenvolvimento de talentos, afinal existe algum motivo para que nossos principais talentos terem se desenvolvido lá fora ao invés daqui. Trabalhar para que nossos técnicos sejam mais conhecedores do esporte, estudem as táticas e tornem-se profissionais valorizados e respeitados lá fora.

Além disso, é importante dar oportunidade para os jovens talentos trabalharem na seleção. Nomes como Lucas Bebê, Bruno Caboclo e Faverani tem muito a contribuir. Augusto Lima teve um ano excepcional na Espanha, apesar de ter ido mal no Sul-Americano. Rafael Luz, que  ficou muito próximo do Mundial, tem tudo para se tornar um belo jogador. Raulzinho fez um excelente campeonato e pode ir até para NBA dependendo da vontade do Utah Jazz. Mesmo alguns nomes do NBB tem chance de se tornarem ótimos jogadores, como Ricardo Fischer, Cristiano Felício, Léo Meindl e Lucas Mariano.

Antes de tudo, a organização e o planejamento devem ser as principais armas para o futuro. Fazer um mescla juventude/experiência e usar dos erros do passado para construir um futuro promissor.

Pode até ter sido a última chance dessa geração, mas que não se jogue fora um trabalho para começar outro sem aproveitar nada do anterior. O basquetebol só voltará a ser grande por essas terras quando a união e a cooperação realmente surtirem efeito, trabalhando para que as glórias não fiquem só no passado, para que rendam a esse país um lugar de volta aos holofotes.

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