Conhecendo o Leste Europeu: Lituânia

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Em pleno Mundial de Basquete, venho para falar de um dos países mais apaixonados pela bola laranja do mundo. Talvez nenhum outro lugar do mundo tenha tanta amor por este esporte quanto nossos amigos ex-soviéticos (que me desculpem os nossos amigos estadunidenses).

Um país de muita tradição nesse esporte e que possui algumas conquistas internacionais, entre elas, três medalhas de bronze em Olimpíadas (1992, 1996, 2000), sem contar os quartos lugares de 2004 e 2008. Em EuroBaskets, a Lituânia obteve ouro em 1937, 1939 e 2003, prata em 1995 e bronze em 2007. Em mundiais, a Lituânia tem um bronze, conquistado em 2010. Lembrando que poderiam ser bem mais conquistas caso o socialismo Stalinista não tivesse invadido o leste europeu, com a Lituânia longe da terra da Vodka, tendo seu brilho próprio.

Somado aos títulos, o país ainda tem um “péssimo” hábito de revelar jogadores técnicos que arremessam muito bem. De vez em quando revelam alguns craques do nível de Arvydas Sabonis, Šarūnas Marčiulionis, Žydrūnas Ilgauskas, Šarūnas Jasikevičius e outros mais.

Além do querido mundo das seleções, essa jovem nação tem tradição, embora hoje mais apagada, em torneios de clubes europeus. Nos áureos tempos do Zalgiris Kaunas, quando ele dava um trabalho enorme para os clubes russos e espanhóis. O próprio Zalgiris Kaunas tem uma rivalidade fortíssima com o segundo principal clube do país, o Lietuvos Rytas.

O clube da cidade de Kaunas, o mais popular do país, tem entre outros títulos 1 Euroliga (1999), 1 Copa Internacional (1986), 16 Campeonatos Lituanos (1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2001, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2012, 2013, 2014), 5 Campeonatos Soviéticos (1947, 1951, 1985, 1986, 1987), 5 títulos da BBL Championship (2005, 2008, 2010, 2011, 2012) e 1 Eurocup (1998).

Já a equipe sediada em Vilnius é bem mais modesta em conquistas, com 5 Campeonatos Lituanos (2000, 2002, 2006, 2009, 2010) e 3 Baltic Basketball Leagues (2006, 2007, 2009) de conquistas mais importantes.

Entre outros problemas que regime soviético temos o fato da liberação tardia do grande craque lituano, Arvydas Sabonis, para a NBA. O jogador só foi para os EUA, quando as coisas já estavam mais calmas por lá, com uma maior exportação dos talentos vindos do leste europeu.

Aliás, não dá para contar a história do basquetebol nesse país sem citar esse craque de 2.21 metros de altura. Extremamente dominante e com uma visão de quadra acima da média para alguém do seu tamanho, Sabonis pode ser descrito sem medo como um dos cinco melhores jogadores da história do basquetebol Europeu. Versátil e inteligente, Arvydas foi três vezes campeão soviético pelo Zalgiris Kaunas, duas vezes campeão espanhol e uma vez campeão da Euroliga, ambos os títulos pelo Real Madrid. Em sua melhor temporada pelo clube espanhol obteve médias de 22.8 pontos, 13.2 rebotes, 2.6 tocos e 2.4 assistências.

O craque lituano foi escolha 24 do Draft de 1986 pelo Portland Trail Blazers, porém  só foi para a NBA em 1995, com quase 31 anos. Em sua temporada de estreia obteve 14.5 pontos e 8.1 rebotes em limitados 24 minutos de jogo. Nos Playoffs, essa média subia para 23.6 pontos e 10.2 rebotes.

Infelizmente, sua carreira cheia de lesões que não tiveram o tempo de recuperação necessário prejudicaram muito a sua jornada nos Estados Unidos. Muitas vezes foi obrigado a jogar sem a recuperação necessária, limitando sua velocidade, mobilidade e explosão. Desse fato surgem as discussões de que se Arvydas Sabonis tivesse ido jogar antes na NBA, ainda no auge e sem estar cadeira de rodas, poderia ter rendido muito mais e teria sido muito mais dominante. Mas sabemos como essa história do “se” é complicada. Se  Scalabrine fosse negro seu apelido não seria “White Mamba” e provavelmente não teria a mesmo folclore que há sobre ele. Afinal, nunca saberemos o que seria o gigante lituano no auge de sua carreira na NBA.

Sabonis em ação pelo Portland.

Sabonis em ação pelo Portland.

Outro nome importante para o basquete lituano foi Zydrunas Ilgauskas. O pivô de 2.21 metros foi escolha 20 do draft de 1996 e foi selecionado pelo Cavaliers. O jogador foi quase que sua carreira inteira em Cleveland, foi para 2 All Star Games e teve recentemente sua camisa aposentada pela franquia. Obteve durante sua carreira médias de 13 pontos, 7.3 rebotes e 1.6 tocos. Sua carreira foi cercada por contusões, principalmente no início. Porém se recuperou até a chegada do ainda jovem Lebron James. Zydrunas também lidera as estatísticas da história do Cavs em rebotes e tocos. Ilgauskas não teve muitas passagens pela seleção lituana, limitado principalmente por sua saúde. Em seu clube antes da NBA, mostrou sua dominância (a nível europeu) com médias de 20.3 pontos, 12.8 rebotes e 2.8 tocos. Longe de ser um Sabonis, mas teve boa carreira na terra do Tio Sam.

Existe amor no coração dos lituanos também!

Existe amor no coração dos lituanos também!

Um outro jogador de destaque foi, o agora do Hall da Fama, Sarunas Marciulionis. Selecionado na escolha 127 do draft de 1987, foi importante para a internacionalização da NBA. Não estranhem a escolha, antigamente o draft tinha dessas coisas. O ala-armador foi um excelente sexto-homem no início da década 90 e foi um dos primeiros gringos a se estabelecer na melhor liga de basquete do mundo. Foi MVP do EuroBasket de 1995 e 4 vezes eleito melhor esportista lituano, sendo que ganhou entre outras vezes de Arvydas Sabonis, o que não é pouco.

Marciulionis com o abadá da Lituânia.

Marciulionis com o abadá da Lituânia.

Atualmente, o basquete lituano conta com Jonas Valanciunas e Donatas Motiejunas na NBA. O primeiro coleciona entre outros prêmios 3 MVPs em torneios de base (Europeu sub-16, Europeu sub-18, Mundial sub-19), sendo campeão em todos, foi escolha 5 do draft de 2011 pelo Toronto Raptors e vem em franca evolução. Bom ficar de olho em seu futuro. O segundo foi escolha 20 do mesmo draft, selecionado pelos Wolves e depois repassado ao Houston Rockets. Não vem sendo muito aproveitado, mesmo sendo talentoso e jogando bem como Stretch Four. Já pediu para ser trocado, deu uma declaração (depois desmentida) em relação ao clima do refeitório entre Harden, D12 e seus role players. Talvez não tenha vida longa no Texas, mas teria espaço em diversos times.

O jovem Jonas se divertindo ao balançar sobre o aro.

O jovem Jonas se divertindo ao balançar sobre o aro.

Para finalizar essa matéria, contei a luxuosa ajuda de um lituano que rapidamente entrevistei. Eitvydas Ruskys é o nome da fera! Não publicarei a entrevista na íntegra até porque foi algo bem informal. Mas o que se pode tirar da conversa foi que o basquete por lá é bastante popular, com destaque para o clube Zalgiris Kaunas, cultivando uma rivalidade nível Brasil x Argentina com o Lietuvos Rytas. Infelizmente, o esporte não vive um bom momento econômico, com o Zalgiris passando por recentes crises financeiras.

O que me interessou bastante foi o fato do nosso entrevistado ter falado que quase todos jogam basquete por lá, sendo o principal esporte do país. E claro, os lituanos adoram a NBA e valorizam quem joga longe do velho continente.

Chegamos assim ao fim dessa matéria. Será a primeira de uma série de reportagens sobre o basquete no leste europeu. Próximo destino é a Croácia do lendário Drazen Petrovic.

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