Maldição da Pick 2… Realidade ou Lenda?

Darko Milicic

Amigos,

Nesta primeira coluna e aproveitando minha predileção por drafts e projeções, abordarei um tema que causa frequentemente muitas discussões entre os fãs da melhor basquete do mundo, a tão temida e decantada “maldição da pick 2”, objeto de arrepios nos torcedores que vêem sua franquia ganhar a loteria com uma escolha par…

Não se sabe ao certo de onde surgiu tal maldição.  Muitos garantem que diz respeito ao lendário universitário Len Bias, recrutado na segunda escolha em 1986 pelo Boston Celtics e morto de overdose na própria noite de comemoração. Uns garantem que tudo começou dois anos antes, com Sam Bowie, que até teve alguns bons momentos na Liga. Mas a torcida dos Blazers lembra com sofrimento, que Bowie foi escolhido simplesmente entre Hakeen Olajuwon e um tal Michael Jordan.

Bem dizer a verdade, mesmo depois disso, tivemos excelentes atletas draftados na segunda escolha, que somados superam 50 participações em All-Star Games. Em 1990, Gary Payton chegou à Seattle, dois anos antes de Zo Mourning se juntar aos Hornets. Em 1994, o exímio passador Jason Kidd dava início a sua carreira na NBA, draftado pelo Dallas Mavericks, aonde conquistaria seu único anel incríveis dezessete anos depois. No ano seguinte, Antonio McDyess seria escolhido pelos Los Angeles Clippers e imediatamente repassado para os Nuggets.

No final do século passado e com duas picks 2 em sequência, os Grizzlies (ainda canadenses), buscaram Mike Bibby e Steve Francis para a armação, enquanto os Clippers (2001) mais uma vez abriam mão de um bom prospecto, tirando Tyson Chandler do High School e o repassando aos Bulls.

De lá para cá, merecem destaque LaMarcus Aldridge, cedido pelos Bulls aos Blazers e o futuro Hall da Fama, Kevin Durant que foi preterido como pick 1 por Portland, em detrimento de Greg Oden, o que hoje soa inacreditável, mas bastante explicável pelo que se esperava do nada saudável pivô.

Mas evidentemente que se o tema é a “maldição” , cumpre falar dos motivos. E eles não faltam, notadamente no século atual.

No ano de 2000, o Vancouver Grizzlies conseguiu uma inédita pick 2 em sequência tripla, já que como dito havia draftado Bibby e Francis anteriormente. A escolha foi Stromile Swift, de quem muito se esperava e pouco se viu. Apesar de ter sido um draft fraco tecnicamente, os Grizzlies deixaram passar atletas como Mike Miller e Jamal Crawford, todos inegavelmente mais talentosos e de maior sucesso na Liga.

Em 2002, o recrutamento também não deixou saudades, mas a torcida de Chicago lamenta até hoje a opção por Jay Williams. O produto de Duke, grande pontuador na NCAA, até teve uma temporada de estréia razoável, mas um grave acidente motociclístico praticamente sepultou sua carreira, ainda que tenha havido uma tentativa de recomeço nos Nets, logo abortada.

Chegamos a 2003, ano que para muitos abrigou o melhor draft da história em nível de profundidade. Enquanto os Cavaliers buscavam LeBron James ainda no High School com a primeira escolha, Joe Dumars cometia minutos depois um dos maiores erros de todos os recrutamentos. Darko Milicic colocava o boné dos Pistons, enquanto um leque de jogadores que incluia Carmelo Anthony, Chris Bosh e Dwyane Wade aguardavam o chamado na platéia. A grande ironia de tudo isso é que Darko conquistou um anel antes de todos esses citados, ainda que sua contribuição em Detroit tenha sido mínima.

Continuando nossa escalada “amaldiçoada”, chegamos ao Draft de 2005 e a até hoje inexplicável escolha de Atlanta. Marvin Williams era draftado antes de jogadores como Deron Williams, Chris Paul, Raymond Felton e Andrew Bynum. A exigente torcida Hawk até hoje lamenta pela escolha ingloriosa.

Michael Beasley foi recrutado em 2008 pelo Heat, franquia que defende atualmente. Apesar de inegável potencial e razoáveis temporadas, sua vida extraquadra pouco usual e cheia de problemas jamais deixou que Beasley deixasse de ser no máximo, um role player. A aposta nele aconteceu em detrimento a Russell Westbrook, Kevin Love, Serge Ibaka e aos irmãos Lopez, o que se configura triste lembrança em Miami.

2009 marcou a entrada da Tanzânia na NBA. O gigante Hasheem Thabeet aparecia como uma aposta dos Grizzlies, cujo GM deixou de escolher simplesmente atletas do naipe de James Harden, Ricky Rubio e Stephen Curry. Hoje, chega a ser engraçado atestar que Chris Wallace acreditou num atleta que tem dificuldades para quicar a bola por três vezes e que perde rebotes para adversários com um palmo e meio a menos de altura.

No ano seguinte, o promissor Evan Turner era recrutado pelos Sixers. Se o jogador não pode ser considerado bust, a imensa e apaixonada torcida de Philadelphia lamenta a escolha pelo que veio depois. DeMarcus Cousins, Greg Monroe, Paul George e Eric Bledsoe poderiam ter atuado no Wells Fargo Center. Turner tenta agora retomar a carreira em Boston, após desastrosa passagem em Indiana no ano passado.

O ano de 2011 trazia uma certeza: Kyrie Irving e Derrick Williams seriam as escolhas 1 e 2, restando saber a ordem. Cleveland foi feliz, deixando os Timberwolves com um mico na mão. Williams jamais mostrou um jogo apenas regular e hoje é moeda de troca em Sacramento, que basicamente o oferece para toda a Liga, até pelo salário polpudo e absurdo que recebe. O Draft daquele ano fechava um quadriênio realmente amaldiçoado.

Em 2012, o pouco carismático Michael Kidd-Ghilchrist chegava a Charlotte, que poderia ter optado por jogadores do calibre de Bradley Beal, Andre Drummond ou Damian Lilard. Em verdade, ainda é cedo para elencar MKG como mais uma vítima da maldição, mas a própria torcida do renomeado Hornets olha com bastante desconfiança.

Com tudo que escrevemos até aqui, fica difícil não acreditar na lenda . Pelo sim, pelo não, é importante que os torcedores do Bucks se preparem. Será Jabari Parker mais um amaldiçoado?

Um fraterno abraço a todos!! E por via das dúvidas, escolham sempre de primeira.

%d blogueiros gostam disto: